Sunday, November 26, 2006

Fonte da Vida

(The Fountain, Estados Unidos, 2006)

Estúdio/Distribuição: Warner Bros./Fox Film do Brasil
Direção e Roteiro: Darren Aronofsky
Elenco: Hugh Jackman, Rachel Weisz, Ellen Burstyn, Alexander Bisping, Jamie Isaac Conde, Mark Margolis, Cliff Curtis, Donna Murphy, Ethan Suplee, Sean Patrick Thomas, Stephen McHattie, Fernando Hernandez, Richard McMillan, Lorne Brass, Abraham Aronofsky, Renee Asofsky, Anish Majumdar
Gênero: Drama
Duração: 96 min

O diretor e roteirista Darren Aronofsky (Réquiem para um sonho) volta depois de seis anos com mais uma obra-prima do cinema. A estória se passa em três perídos de tempo distantes uns dos outros e que se misturam o tempo todo na tela. A personagem de Hugh Jackman busca incessantemente algo que salve a vida da amada, interpretada por Rachel Weisz. Representada pela árvore bíblica considerada a fonte da vida, a personagem de Rachel se transforma na única razão para qual vive o amado. Assim, Aronofsky constrói a mais bela estória de amor e devoção já escrita superando o romance de John Le Carré, O Jardineiro Fiel, cuja versão cinematográfica curiosamente traz no papel da mulher-alvo de tanta devoção a mesma Rachel. Construindo uma teia símbolos e ícones, o diretor faz de seu terceiro filme um ensaio sobre a morte e a o início do que pode ser consderado o verdadeiro significado da palavra "viver". O longa pode ser considerado ainda, quem sabe, um tributo à sua esposa Rachel e ao amor eterno que transcende esta vida.
A sensibilidade do diretor ao materializar o roteiro é sentida durante os 96 minutos de película que parecem bem menos. Mais uma vez, ele conta com a ajuda de Clint Mansell para contar a estória. A trilha sonora é mais uma vez marcante e o conjunto é capaz de emocionar àqueles que apreciam este tipo de arte.
Rachel Weisz é mais uma vez incrível e deixa dúvidas se está melhor na pele da Rainha Isabel da Idade Moderna ou na de Izzie, nos nossos tempos. Jackman por sua vez nos apresenta o melhor de seus trabalhos até hoje e prova que pode ser bem mais que um X-Men. A saída de Brad Pitt e Cate Blanchett, antes escalados para os papéis de protagonistas, fez muito bem ao filme. Não consigo imaginar outras pessoas interpretando Tom e Izzie. Infelizmente, é provável que o filme receba indicações ao Oscar, por não se enquadrar no perfil de ganhadores do prêmio. Uma pena para Jackman e sua brilhante performance e mais ainda para Rachel e o fascínio que exerce enquanto está em cena. Como já levou a estatueta este ano por O Jardineiro Fiel, é a indicação com menor chance de acontecer. Repito, uma pena. Aqui, ela vai além do que conseuiu no trabalho anterior.
A fotografia de Matthew Libatique, a edição de Jay Rabinowitz, a direção de arte da equipe formada por Isabelle Guay, Michele Laliberte, Nicolas Lepage e Jean-Pierre Paquet, e os efeitos especiais ajudam a construir a leveza do filme que mexe com os cinco sentidos dos espectadores.
Fonte da Vida é sem dúvida, um dos mais belos filmes construídos na história do cinema e se constitui fonte necessária, com o perdão do trocadilho, para matar nossa sede por belas obras de arte, em qualquer de suas vertentes e da qual todos devem beber.
Créditos
Produção: Arnon Milchan, Iain Smith, Eric Watson
Música: Clint Mansell
Fotografia: Matthew Libatique
Desenho de Produção: James Chinlund
Direção de Arte: Isabelle Guay, Michele Laliberte, Nicolas Lepage, Jean-Pierre Paquet
Figurino: Renée April
Edição: Jay Rabinowitz
Efeitos Especiais: Camera e-Motion / Giant Killer Robots / LOOK! Effects Inc. / Mokko Studio / Proof / Intelligent Creatures Inc.
Site oficial: http://pdl.warnerbros.com/wbmovies/thefountain/flashsite/index.html

Tuesday, November 21, 2006

O Ano em que Fortaleza Ficou de Fora


Já é mais do que rotina a nossa querida cidade de Fortaleza ficar de fora dos principais circuitos das grandes distribuidoras. Por aqui mesmo só os maiores blockbusters. Filme sem poder de fogo na guerra do marketing então, só meses depois no circuito chamado de arte, que hoje inclui as duas salas do Espaço Unibanco no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, sessões diárias no Shopping Iguatemi e semanais no North Shopping. E como acontece em toda rotina, nos acostumamos a ela. Mas este ano entrará para a história do circuito cultural da cidade como o pior no quesito cinema.
Tivemos que eperar semanas e até meses a fio por grandes filmes anunciados a quatro cantos pelas distribuidoras enquanto Rio de Janeiro e São Paulo se deliciavam com as novidades. Foi assim com Silent Hill e A Casa do Lago. E quando a tão sonhada estréia acontece e a programação já está nos jornais, internet e serviçoes telefônicos, descobrimos que o rolo de filme ainda não chegou. Atrasou. Negligência e descaso por parte das distribuidoras. Aí o filme chega. A semana corrida só nos permite assistí-lo na na semana seguinte. Qual não é a nossa surpresa ao descobrirmos que o longa não está mais em cartaz? Isso mesmo, uma ou duas semanas em cartaz como foi o caso de Transamérica.
O ano já está acabando e aqui estamos nós "chupando o dedo" e nos resignando em assistir filmes como Amigas com Dinheiro e Café da Manhã em Plutão somente em DVD. Nos resta torcer para que em 2007 seja diferente.

Sunday, November 12, 2006

Os Infiltrados

(The Departed, Estados Unidos, 2006)

Estúdio e Distribuição: Warner Bros.
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: William Monahan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Matt Damon, Jack Nicholson, Martin Sheen, Vera Farmiga, Mark Wahlberg, Alec Baldwin, Ray Winstone, Dion Baia, Lyman Chen, Derrick Costa, Kristen Dalton, Conor Donovan, Shay Duffin, Brian Haley, Amanda Lynch
Gênero: Thriller Policial
Duração: 152 min

Submundo do crime, Boston. Este é o cenário do filme que parece a última cartada de Martin Scorsese para conquistar o tão cobiçado Oscar de Melhor Diretor. O título é auto-explicativo. Na tela, Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) é o infiltrado da polícia na organização criminosa de Frank Costello (Jack Nicholson). Por sua vez, Colin Sullivan (Matt Damon) é o enviado de Costello na unidade de investigação da polícia. A partir daí, a caça simultânea aos respectivos intrusos começa. Desta premissa, muitos conflitos são esperados. E Scorsese comanda esses conflitos como ninguém, de forma genial.
Depois de dois longas que não agradaram tanto assim, o diretor acertou a mão ao decidir-se pelo roteiro de William Monahan, baseado no original de Siu Fai Mak e Felix Chong. E a aposta na parceria com DiCaprio provou funcionar. Além dele, Matt Damon e Jack Nicholson encabeçam o elenco que têm ainda Martin Sheen, Mark Wahlberg e Alec Baldwin. Com o time desses, impossível errar. Mark Walhberg se destaca, mas não podemos deixar de dar créditos ao criador da personagem: Monahan. Sem é claro, tirar o mérito do intérprete. Baldwin e Martin Sheen como sempre, acertam na medida. Damom é competente e faz bem o trabalho. DiCaprio tenta mais uma vez o Oscar e deve receber indicação ao prêmio, mas definitivamente Nicholson é o grande merecedor da estatueta de Ator Coadjuvante. Brilhante trabalho. A atriz Vera Farmiga no papel da psiquiatra Madeleine completa o time de excelentes atuações.
Diante de todos os pontos positivos que fazem de Os Infiltrados um excelente filme, no entanto, uma coisa que me chamou particularmente a atenção: a trilha sonora. Brilhantemente escolhida ela está presente e ausente nos momentos certos. Junto à tudo isso, mais uma vez ressalto a capacidade de Scorsese de criar a tensão necessária para levar um roteiro como esse. Atentem para a cena em que Sullivan e Costigo estão juntos em uma ligação telefônica pela primeira vez. Sem medo de um possível arrependimento, afinal o ano ainda não terminou, arrisco dizer que Os Infiltrados é o melhor filme do ano.
Créditos
Produção: Jennifer Aniston, Brad Grey, Graham King, Brad Pitt, Martin Scorsese
Música: Howard Shore
Fotografia: Michael Ballhaus
Desenho de Produção: Kristi Zea
Direção de Arte: Teresa Carriker-Thayer, Nicholas Lundy
Figurino: Sandy Powell
Edição: Thelma Schoonmaker
Efeitos Especiais: Lola Visual Effects
Site Oficial: http://thedeparted.warnerbros.com

Saturday, November 11, 2006

O Grande Truque

(The Prestige, Estados Unidos, 2006)

Estúdio: Touchstone Pictures/Warner Bros./Syncopy/Newmarket Productions
Distribuição: Buena Vista Pictures/Warner Bros.
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan
Elenco: Hugh Jackman, Christian Bale, Michael Caine, Scarlett Johansson, Piper Perabo, Rebecca Hall, David Bowie, Andy Serkis, Samantha Mahurin, Daniel Davis, Jim Piddock, Christopher Neame, Mark Ryan, Roger Rees, Jamie Harris
Gênero: Suspense
Duração: 129 min

O fim do ano se aproxima e com ele a safra de bons filmes. Nesta sexta-feira, dia 10, chegaram aos cinemas brasileiros Os Infiltrados e Volver, dos aclamados diretores Martin Scorsese e Pedro Almodóvar respectivamente. Mas bons filmes já podiam ser encontrados nos cinemas brasileiros na semana passada. O Grande Truque é um deles.
O file do diretor de Batman Begins, Christopher Nolan, narra a estória de dois ilusionistas que rivalizam truques e assistentes de palco desde o acidente que matou a esposa d eum deles. Robert Angier (Hugh Jackman) culpa Alfred Borden (Christian Bale) pelo nó que Julia (Piper Perabo) não conseguiu desfazer a tempo durante uma apresentação. Tive medo de que o filme se tornasse um cansativo "toma lá da cá", mas felizmente isso não acontece. O filme todo é um grande espetáculo digno dos maiores shows de mágica e tem no roteiro o maior trunfo. Mas é preciso muita atenção devido à narrativa não-linear. Os irmãos Nolan nos levam a um ensaio sobre até onde a obsessão pode nos levar. Jogando com a diferença entre o que se vê e o que se quer ver, à obsessão é dado esse poder de ilusão.
O figurino e a edição colaboram com o resultado final e o trabalho realizado com o som ajuda a criar o clima. O elenco reúne algumas curiosidades. Christian Bale e Michael Cane que já trabalharam com o diretor em Batman Begins (respectivamente como Bruce Wayne e o mordomo Alfred) dividem a cena com outro super-herói, Hugh Jackman (X-Men). No elenco feminino, também ótimas atuações. Scarlett Johansson, apesar do pouco tempo em cena, faz mais uma participação marcante e fundamental para o desenrolar da trama. Impossível tirar os olhos dela enqanto está em cena. David Bowie também faz participação especial e está irreconhecível na pela de Nikola Tesla.
O Grande Truque já se coloca como um dos melhores filmes do ano. Como se vê, não há desculpas para deixar der ao cinema este fim-de-semana.
Créditos
Produção: Christopher Nolan, Aaron Ryder, Emma Thomas
Música: David Julyan
Fotografia: Wally Pfister
Desenho de Produção: Nathan Crowley
Direção de Arte: Kevin Kavanaugh
Figurino: Joan Bergin
Edição: Lee Smith
Efeitos Especiais: BUF
Site oficial: wwws.br.warnerbros.com/theprestige

Friday, November 10, 2006

Volver

(Volver, Espanha, 2006)

Estúdio: Canal+ España/El Deseo S.A./TVE/Ministerio de Cultura
Distribuição: Sony Pictures Classics/Fox Film do Brasil
Direção e Roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco: Penélope Cruz, Carmem Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo, Chus Lampreave, Antonio de la Torre, Carlos Blanco, Maria Isabel Diaz, Neus Sanz, Carlos Garcia Cambero, Leandro Rivera, Yolanda Ramos, Pilar Castro, Agustín Almodóvar
Gênero: Comédia
Duração: 121 min

Almodóvar está de volta. E agora melhor do que nunca. O novo longa do diretor espanhol, Volver, teve pré-estréia no último sábado e estréia hoje, dia 10, em circuito aberto.
Raimunda (Penélope Cruz) vive em Madri com a filha e o esposo. Se divide entre vários empregos para sustentar a família. Soledad (Lola Dueñas), irmã de Raimunda, também vive em Madri e mantém um salão de beleza ilegal desde que o marido a abandonou. As duas visitam com frequência sua Tia Paula (Chus Lampreave), debilitada pela idade e que fica sob os cuidados da vizinha Agustina (Blanca Portillo), cuja mãe desapareceu no mesmo dia em que os pais de Raimunda e Sole morreram em um incêndio. No entanto, boatos correm dizendo que Paula está na verdade sob os cuidados de Irene (Carmem Maura), a falecida mãe das protagonistas. Seu fantasma, então, aparece à Sole para pedir perdão às filhas. Dividida entre tantas tragédias, Raimunda segue vivendo. E o pior ainda está por vir: ela descobre que sua filha Paula (Yohana Cobo) matou o pai quando este tentara molestá-la sexualmente.
Felizmente, com esse grande número de personagens femininas que conta ainda com as vizinhas de Raimunda, as clientes de Sole e uma apresentadora de TV à la Márcia Goldschmidt (o que não aconteceu nos últimos dois filmes protagonizados por membros do sexo masculino), já é esperada uma suma de loucuras, traço já conhecido pelos fãs do cineasta. Não é à toa que essas mulheres provêm de uma aldeia com a maior taxa de incidência de loucura em habitantes por metro quadrado.
Além de personagens excêntricas e cativantes, por que não dizer apaixonantes, como só o diretor sabe criar (não por acoso a maioria das críticas referentes ao filme vieram com o título "Mulheres de Almodóvar"), Almodóvar traz de volta suas cores fortes e um mapeamento detalhado da alma feminina e da família espanhola, onde a matriarca tem papel fundamental.
Comédia e drama se misturam em um filme com um dos melhores elencos já reunidos. Elenco esse que ganhou em conjunto o prêmio de melhor atriz do festival de Cannes. Penélope Cruz acaba de ganhar mais um e já é forte candidata a uma das cinco vagas do prêmio de melhor atriz no Oscar 2007. O filme também deve ser indicado à melhor filme estrangeiro. Almdóvar também merece indicações pelo excelente roteiro e direção.
Voltando ao elenco e à Penélope, que no auge de sua beleza favorecida pelas curvas de Raimunda, todos os elogios que recebeu são poucos, mas é muito provável que perca a estatueta mais cobiçada do cinema para Helen Mirren e sua Elizabeth.
Carmen Maura retorna aos filmes de Almodóvar depois de quase 20 anos. Para completar o time de musas do espanhol, só faltava mesmo Victoria Abril. Mas as outras atrizes dão conta do recado. Lola Dueñas é a perfeita personificação da solidão e María Isabel Díaz está particularmente engraçada.
Destaque também para a trilha sonora e a ótima direção de arte. Os créditos, como sempre, chamam especial atenção. Volver se torna, então, um dos melhores filmes do ano. Quiçá o melhor de Almodóvar até hoje.
Créditos
Produção: Esther García
Música: Alberto Iglesias
Fotografia: José Luis Alcaine
Desenho de Produção: Salvador Parra
Figurino: Sabine Daigeler
Edição: José Salcedo
Efeitos Especiais: El Ranchito
Site oficial: http://www.sonyclassics.com/volver/

Wednesday, November 08, 2006

O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

(O Ano em Meus Pais Saíram de Férias, Brasil, 2006)

Estúdio: Gullane Filmes/Caos Produções Cinematográficas/ Miravista/Globo Filmes
Distribuição: Buena Vista International
Direção: Cao Hamburger
Roteiro: Cláudio Galperin, Bráulio Mantovani, Anna Muylaerte, Cao Hamburger
Elenco: Michel Joelsas, Germano Haiut, Daniela Piepszyk, Caio Blat, Paulo Autran, Simone Spoladore, Eduardo Moreira, Liliana Castro
Gênero: Drama
Duração: 110 min

Mais uma estréia da última quinta-feira, o filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é o segundo do diretor Cao Hamburger, conhecido pelos trabalhos realizados na TV Cultura, como Castelo Rá-tim-bum, série que se tornou o primeiro longa do diretor. Aqui, ele nos conta a estória de Mauro (Michel Joelsas) que é deixado pelos pais na casa do avô (Paulo Autran). O ano é 1970, ano em que o General Emílio Médici governava o país sob o véu da ditadura militar. Bia (Simone Spoladore) e Daniel (Eduardo Moreira), pais de Mauro são fugitivos do regime. Daí a decisão de deixá-lo com o pai de Daniel. Ao chegar na casa do avô, um condomínio permeado por culturas diferentes, o garoto descobre que ele está morto. Mauro passa então a ficar sob os cuidados de toda a vizinhança, especialmente do vizinho judeu Shlomo (Germano Haiut).
Filmes narrados por crianças têm uma característica peculiar: a ingenuidade e pureza do olhar infantil. E Cao Hamburger comprova mais uma vez o talento em lidar com atores mirins e arrancar-lhes o melhor. O filme não se constitui como uma crítica à ditadura militar, apesar da sequência em que a vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo é acompanhada de uma trilha sonora triste dado o momento em que Mauro reencontra a mãe após o longo período de sua ausência. Uma belíssima crônica sobre aquela ano é o que o diretor constroe. O humor característico das crianças, a pureza, as brincadeiras. Estão todos retratados lá. E a atmosfera daquele ano é magicamente construída. Mesmo não tendo vivido a época, fui transportado por inteiro àquele ano. A trilha sonora divertida ajuda a criar o clima de inocência. Nem preciso dizer que o filme tem um elenco de peso. Desde a participação especial de Paulo Autran e da talentosa Simone Spoladore aos pequenos protagonistas. Além de Michel Joelsas que consegue dar uma espontaneidade incrível ao protagonista, a pequena Daniela Piepszyk encarna com perfeição a malandragem da esperta Hanna, melhor amiga de Mauro.
Quanto aos aspectos mais históricos, é interessante ver a seleção brasielira tão acusada de bandeira do ufanismo característico do período militar contagiando a todos, comunistas, integralistas, judeus, católicos, gregos e italianos.
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é o melhor longa brasieliro do ano e já é meu candidato a representar o Brasil no Oscar de 2008 já que estamos no final do ano e o filme Cinema, Aspirinas e Urubus já recebeu verba do governo para pleteiar uma indicação em 2007. Para confirmar o que digo, basta prestar atenção na delicadeza em que o filme é levado. De todos os momento em que Mauro aparece grudado ao telefone esperando ansiosamente uma ligação dos pais até a comovente definição que o garoto dá à palavra "exílio".
Créditos

Produção: Caio Gullane, Cao Hamburger, Fabiano Gullane
Música: Beto Villares
Fotografia: Adriano Goldman
Direção de Arte: Cássio Amarante
Figurino: Cristina Camargo
Edição: Daniel Rezende
Site oficial: www.oano.com.br

Sunday, November 05, 2006

Jogos Mortais 3

(Saw 3, Estados Unidos, 2006)

Estúdio: Lions Gate Films/Twisted Pictures
Distribuição: Lionsgate/Buena Vista International
Direção: Darren Lynn Bousman
Roteiro: Leigh Whannell
Elenco: Tobin Bell, Shawnee Smith, Angus Macfadyen, Bahar Soomekh, Dina Meyer, J. LaRose, Debra McCabe, Kim Roberts, Alan Van Sprang, Dylan Trowbridge
Gênero: Terror
Duração: 135 min
Muito tem se falado da nova seqüência de Jogos Mortais que chegou aos cinemas na última quinta-feira. Eu, pessoalmente, nutro uma opinião diferente da maioria dos críticos. No filme, vemos Jigsaw (Tobin Bell) mais uma vez escapar da polícia, desta vez auxiliado pela aprendiz Amanda (Shawnee Smith). A saúde do serial-killer está cada vez mais debilitada e agora ele se enontra à beira da morte e precisará mais ainda da ajuda da pupila. Uma das vítimas da dupla é a médica Lynn Denlon (Bahar Soomekh de Crash) , que recebe a missão de poupar a vida de Jigsaw com o risco de perder a sua através de uma aramdilha conectada aos batimentos cardíacos do vilão. Tudo o que Lynn deve fazer é mantê-lo vivo até que outra vítima, Jeff (Angus Macfadyen), complete o seu próprio jogo.
Para aqueles que esperam ver muito sangue, o longa cumpre com a promessa. Esse é sem dúvida o mais violento dos três filmes já lançados. A diferença é que a estória parece não render nenhuma revira-volta e focar-se mais no lado psicológico, caractérisca marcante na estória de Jeff que precisa livrar-se do sentimnto de ódio e enfrentar verdadeiros dilemas éticos.
No entanto, o melhor do filme, e por que não dizer da trilogia, é a personagem encarnada por Shawnee Smith. A complexidade de Amanda e os conflitos emocionais são o que fazem desse filme o melhor da série. Nele, inlusive, descobrimos que Amanda vem ajudando Jigsaw a mais tempo do que imaginávamos. Para tanto, é necessário a utilização de flash-blacks, muito criticada por alguns especialistas. De que outra forma o roteirista poderia exemplificar o quanto ela fez pelo mestre e o quanto seus métodos divergem? Palavras não seriam suficientes.
Outro ganho do filme é o abandono da investigação policial. No centro da trama, os conflitos passados no esconderijo onde a dupla mantém a Dra. Lynn. Outo ponto execrado por algumas pessoas. O foco transferido do jogo corrente, o de Jeff, para os acontecimentos paralelos. Para defender o filme, vou recorrer a spoilers. O destaque dado à relação de Jigsaw e Amanda é justamente a pista deixada pelo roteirista para o verdadeiro jogo que está em curso. Fim do spoiler.
Por esses motivos, Jogos Mortais 3 acaba surpreendendo e unindo o melhor dos outros dois filmes: o enfoque psicológico do primeiro, as cenas fortes do segundo e o final surpreendente de ambos.
Créditos
Produção: Mark Burg, Oren Koules
Música: Charlie Clouser
Fotografia: David A. Armstrong
Desenho de Produção: David Hackl
Direção de Arte: Anthony A. Ianni
Figurino: Alex Kavanagh
Edição: Kevin Greutert
Site oficial: http://www.filmes.net/jogosmortais3/

Cavaleiros do Zodíaco - Prólogo do Céu

(Saint Seiya: Tenkai-hen Josô - Overture, Japão, 2004)

Estúdio: Toei Animation Company
Distribuição: Toei Animation Company/PlayArte
Direção: Shigeyasu Yamauchi
Roteiro: Michiko Yokote
Elenco: Hermes Barolli, Élcio Sodré, Francisco Brêtas, Ulisses Bezerra, Leonardo Camilo, Letícia Quinto, Isabel de Sá, Maralisi, Cecília Lemes, Thiago Zambrano, Wendel Bezerra, Spencer Toth, Sílvio Giraldi, Roberto Rocha, Marco Antônio Abreu, Sônia Andrae, Pedro Alcântara, Luiz Laffey, Wellington Lima, Carlos Silveira, Marcelo Campos, Gilberto Rocha Júnior
Gênero: Animação
Duração: 115 min

É chegado o momento que os fãs tanto esperavam. Acaba de aportar nos cinemas brasileiro Cavaleiros do Zodíaco - Prólogo do Céu. A estória começa quando Seya (Hermes Barolli) encontra-se em uma cadeira de rodas após a batalha de Hades. Durante todo o tempo em que se encontra sem os cinco sentidos, ele é cuidado por Saori (Letícia Quinto), a deusa Atena. Enviados pela irmã de Atena, a deusa Artemis (Cecília Lemes), cavaleiros-anjos aparecem para eliminar Seya e os outros cavaleiros de bronze que desafiaram os deuses ao lutar sob o báculo de Atena, acusada de ter tomado o lado dos humanos. As almas dos cavaleiros de ouro foram tomadas pelos deuses e tudo indica que o mesmo acontecerá com Seya, Shiryu (Élcio Sodré), Hyoga (Francisco Brêtas), Shun (Ulisses Bezerra) e Ikki (Leonardo Camilo). No entanto, Saori decidi se entregar em sacrifício e coloca a Terra nas mãos de Artemis, o que não a desfaz da idéia de eliminar os cavaleiros.
A ótima animação, as belas imagens, a trilha sonora marcante, quase uma personagem, e os discursos característicos da série estão de volta. Aliado a tudo isso, encontramos as vozes que marcaram nossa infância anunciando os já famosos golpes dos cavaleiros. Isso mesmo, a dublagem é a mesma da série. Assim, é impossível não se emocionar. A principal questão levantada pelo longa é a diferença entre a humanidade e a divindade. Os deuses se consideram superior aos humanos pois acreditam que estes possuem um vício fatal para sua existência: a capacidade de amar. Atena e seus seguidores estão aí para mostrar que esse vício é também nossa maior virtude e que só a crença no poder do amor pode vencer, o que justifica as vítórias dos cavaleiros conta os deuses empreendidas até aqui. A fé e o amor dos cavaleiros é tanta, que esse é o motivo que os faz cavaleiros mesmo sem armadura e o título propriamente dito.
Para os antigos e os novos fãs - fiquei surpreso ao encontrar no cinema crianças que demonstravam profunda admiração pela saga - recomendo o filme que deixa ganchos para uma próxima aventura.
Créditos
Produção: Hiroyuki Sakurada
Música: Seiji Yokoyama

A Pequena Jerusalém

(La Petite Jerusalem, França, 2005)

Estúdio: Canal+/Gloria Films/Région Ile-de-France/Film Par Film/Centre National de la Cinématographie
Distribuição: Kino International Corp./Golden Filmes/Europa Filmes
Direção e Roteiro: Karin Albou
Elenco: Fanny Valette, Elsa Zylberstein, Bruno Todeschini, Hedi Tillette de Clermont-Tonnerre, Sonia Tahar, Michael Cohen, Aurore Clément, François Marthouret, Saïda Bekkouche, Salah Teskouk
Gênero: Drama
Duração: 96 min

Uma jovem judia que vive em uma comunidade na periferia da França conhecida como “pequena Jerusalém” dividida entre a criação religiosa, o pensamento filosófico e os desejos carnais, e por que não dizer, o amor. Um prato cheio para qualquer roteirista. Hoje mais do que nunca. Temas polêmicos ganham cada vez mais espaço nas salas de cinemas. A Pequena Jerusalém, no entanto, não engata.
No filme vemos Laura (Fanny Valette), uma estudante de filosofia lutar diariamente contra os ensinamentos de sua religião e contra a imposição da mãe (Sonia Tahar) e da família judaica, principalmente quando o assunto é casamento. Seguidora de Kant, ela acredita que deve lutar contra o amor como vício do corpo e da alma e nega-se relutantemente em conhecer em conhecer qualquer jovem que a mãe tente lhe empurrar. Para piorar a situação de Laura, ela acaba se apaixonando por um colega de trabalho que não compartilha a mesma religião que ela. Aí outro tema capaz de levantar questões importantes se apresenta. O rapaz é árabe. Outra situação com que Laura tem que lidar é a traição de seu cunhado Ariel (Bruno Todeschini). E para não perder o marido, Mathilde (Elsa Zylberstein), a irmã de Laura, entrega-se a práticas que julgava ir contra a palavra divina.
Abrangendo situações distintas sobre o mesmo tema, o filme não consegue se aprofundar em nenhuma e não chega a esquentar. Nem a forte atuação do elenco, especialmente da belíssima Fanny Valette, indicada ao César de revelação feminina, nem a direção competente e nem as ótimas fotografia e trilha sonora conseguem salvar o resultado final.
Créditos
Produção: Laurent Lavolé, Isabelle Pragier
Música: Cyril Morin
Fotografia: Laurent Brunet
Desenho de Produção: Nicolas de Boiscuillé
Figurino: Tania Shébabo Cohen
Edição: Christiane Lack
Site oficial: http://www.ocean-films.com/lapetitejerusalem/