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Happy Feet, Estados Unidos, 2006)
Estúdio: Village Roadshow Pictures/Kingdom Feature Productions/Animal Logic/Kennedy Miller Productions
Distribuição: Warner Bros.
Diretor: George Miller
Roteiro: Warren Coleman, John Collee, George Miller, Judy Morris
Elenco: Elijah Wood, Brittany Murphy, Hugh Jackman, Nicole Kidman, Hugo Weaving, Robin Williams
Elenco no Brasil: Daniel de Oliveira, Sidney Magal
Gênero: Animação
Duração: 87 min
Após a decepção ao ver um cartaz que dizia que por problemas com a distribuidora Warner Bros., a cópia legendada de Happy Feet não chegaria aos cinemas de Fortaleza, conformei-me em assistir a versão dublada. Devo dizer que o filme já desponta como longa de animação favorito ao Oscar. Assim como Moulin Rouge, o filme aposta nos grandes sucessos da música pop e se transforma em um verdadeiro sucesso entre o público. É uma pena que somente as canções originais foram traduzidas ao portugês. Não que eu gostaria de assistir a versões aportuguesadas de hits como My Way e Never Can´t Say Goodbye. Mas ao menos uma legendinha eles poderiam ter posto. Afinal, as canções fazem parte do contexto do filme e representam o que as personagens sentem.
No filme, os pingüins imperadores nascem todos com sua canção de amor, instrumento necessário para a conquista de seus futuros parceiros. Todos exceto Mano (Daniel de Oliveira) ou Munble na versão original (Elijah Wood). Mano, ao contrário dos outros pingüins, veio ao mundo com outro dom: o de sapatear. O gingado do pingüim, no entanto, deixa todos apavorados e seus pais constrangidos pela falta de talento do filho. Mano cresce isolado do grupo e nutrindo um amor platônico por Gloria (Brittany Murphy). O pobrezinho chega até a ser acusado como o culpado da escassez de peixes pela qual o grupo passa. Ele decide então partir para uma jornada solitária e encontra um outro grupo de pingüins que se amarra no seu rebolado e não entendem como ele não pode fazer sucesso com as fêmeas. Qualquer semelhança com O Patinho Feio não é mera coincidência. O novo grupo o acompanha em sua busca pelos ET's (leia-se humanos) que ele acredita serem os verdadeiros culpados da falta de alimento.
As primeiras cenas lembram muito A Marcha dos Pingüins, tamanha a veracidade na tela. Aliás, é comum nos perguntarmos se aquilo o que vemos é real ou simplesmente animação. A excelência na animação, não só dos animais como do cenário, deixam A Era do Gelo no chinelo. Quanto ao público-alvo da produção, pense duas vezes em levar o seu filho para os cinemas. Antes do tão esperado felizes para sempre, nosso herói passa por maus bocados, o que pode levar a crer que o filme não terá um final feliz. Além disso, a animação exagera no terror provocado pelos ferozes leões-marinhos e pelas terríveis orcas. Sem falar nos rastros horrendos deixados pelos ET's.
No quesito dublagem, Daniel de Oliveira se sai muito bem. O mesmo não podemos dizer sobre Sidney Magal que infelizmente é responsável pela narração da estória. E a atriz responsável pela voz de Norma Jean, a mãe de Mano que no original é dublada por ninguém menos que Nicole Kidman, destoa da doçura presente na fala da australiana podendo soar até estridente. Se não fosse pela beleza e grandiosidade proporcionadas na telona, provavelmente lhe indicaria para esperar pela versão legendada em DVD.
Mas nem tudo que começa bem acaba bem. Os roteiristas exageraram um pouco na forma pela qual os pingüins se fazem ouvir no mundo os humanos e o filme podia passar sem essa, apesar da esperança que a própria humanidade representa. O resultado final é a melhor animação do ano e a esperança de que os musicais tenham realmente voltado a ser sinônimos de bons filmes, o que Moulin Rouge e Chicago se propuseram a fazer, mas O Fantasma da Ópera e Os Produtores não conseguiram acompanhar.
Créditos
Produção: Bill Miller, George Miller, Doug Mitchell
Música: John Powell
Desenho de Produção: Mark Sexton
Direção de Arte: David Nelson
Efeitos Especiais: Animal Logic/Giant Killer Robots/Rhythm & Hues
Site Oficial: www.happyfeetofilme.com.br