Friday, December 22, 2006

007 - Cassino Royale

(Casino Royale, Estados Unidos/Reino Unido, 2006)

Estúdio: MGM/Columbia Pictures
Distribuição: Sony Pictures/MGM
Direção: Martin Campbell
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade
Elenco: Daniel Craig, Eva Green, Mads Mikkelsen, Judi Dench, Caterina Murino, Jeffrey Wright, Giancarlo Giannini, Ivana Milicevic
Gênero: Ação
Duração: 154 min

Quatro anos depois do último filme, James Bond está de volta reformulado. A saída de Pierce Brosnan depois de quatro longas no papel título da franquia 007 foi a desculpa perfeita para reformular a série. E nada melhor para um recomeço do que o verdadeiro início da trajetória do agente da coroa britânica. Cassino Royale foi o primeiro livro de aventuras do agente secreto escrito por Ian Fleming. Apenas na década de 90 a MGM conseguiu os direitos sobre a obra que agora é lançada nos cinemas. Na trama, James (Daniel Craig) acaba de ser classificado como agente "00". Isso significa que agora ele tem licença para matar. E o novo Bond parece não querer perder tempo para aproveitar a tal licença.
O roteiro de Neal Purvis e Robert Wade, muito bem construído, leva a inteligência britânica até Le Chiffre (Mads Mikkelsen), financiador do terrorismo. Em uma disputa de pôquer, James Bond tem a missão de derrotar o vilão no jogo e oferecer proteção ao então acuado Le Chiffre em troca de informações sobre a gigante rede de terrorismo mundial. O prólogo em p&b, o retorno ao início da história e um novo ator no papel do espião inglês dão uma nova cara aos filmes de 007, contextualizado nos tempos atuais, ao invés da Guerra Fria como no primeiro romance de Fleming. A Guerra Fria, alías, é tema de piada para a dupla de roteiristas. A ausência de "parafernalhas" como carros invisíveis vistas nos últimos filmes também ajudaram na transformação.
Mas sem dúvida alguma, a melhor coisa neste novo 007 é Daniel Craig. Duramente criticada a contratação de Craig doi uma escolha arriscada. Considerado muito baixo em seus 1,80m, feio e por ser loiro, o ator foi alvo de protesto por parte dos fãs. No entanto, Craig faz dos seus supostos defeitos suas melhores armas. A agressividade que o ator exala é o que faz seu James Bond ser considerado o melhor depois de Sean Connery. Sem a classe e a simpatia de Pierce Brosnan, Daniel Craig convence muito mais na pele do agente secreto. Para acompanhar o ator neste longa, a bond girl da vez também demorou a ganhar nome. Depois de muitos testes, a escolhida foi Eva Green (Os Sonhadores). Eva consegue acompanhar o ritmo de Craig e se sai excelente no papel de Vesper Lynd, enviada na missão para cuidar do dinheiro da coroa. A importância de Vesper é tão grande para os contorno da personalidade de Bond que através de sua relação com o agente temos a chance de entebder seu comportamento posterior com as mulheres. Ainda no time das beldades, temos a lindíssima iugoslava Ivana Milicevic fazendo dupla com Le Chiffre.
Fortes atuações, um vilão real, grandes cenas de ação, inteligência e a música tema ideal (You Know My Name cantada por Chris Cornell), Cassino Royale promete trazer a franquia 007 com tudo para o novo milênio.
Créditos

Produção: Barbara Broccoli, Michael G. Wilson
Música: David Arnold
Fotografia: Phil Meheux
Desenho de Produção: Peter Lamont
Direção de Arte: Peter Francis, James Hambidge, Steven Lawrence, Dominic Masters
Figurino: Lindy Hemming
Edição: Stuart Baird
Efeitos Especiais: The Moving Picture Company
Site oficial: http://www.007cassinoroyale.com.br/

Sunday, December 17, 2006

O Amor Não Tira Férias

(The Holiday, Estados Unidos, 2006)

Estúdio/Distribuição: Columbia Pictures
Direção e Roteiro: Nancy Meyers
Elenco: Cameron Diaz, Kate Winslet, Jude Law, Jack Black
Gênero: Comédia
Duração: 138 min

Que agradável surpresa foi assistir à pré-estréia de O Amor Não Tira Férias! Esperando um par de horas para me deliciar com um filme leve, encontrei muito mais: um verdadeiro ensaio sobre o amor. Amanda (Cameron Diaz) é uma bem-sucedida empresária em Los Angeles. Iris (Kate Winslet) é colunista em um famoso jornal de Londres. As duas, após sucessivas decepções amorosas, decidem trocar de casas por duas semanas durante as festas natalinas. Elas vão enfrentar algumas dificuldades até que descubram que, parafraseando Desperate Housewives, o natal é a época dos milagres e que, a qualquer mudança do vento, tudo pode acontecer.
Aos menos atentos, Cameron Diaz parece dominar as cenas. Mas somente aos menos atentos. Kate Winslet é citada por um veterano roteirista de Hollywood, seu vizinho na nova morada, como "uma protagonista, mas age como a melhor amiga". No entanto, não demora muito para que ela se coloque no devido lugar. A verdade é que as duas atrizes fazem seus papéis maravilhosamente. Cada uma à sua maneira e com o seu tipo de humor. Cameron tem um humor típico americano, mais físico. Kate domina muito bem o sarcasmo inglês. Sua personagem é quase uma Bridget Jones. Juntam-se a elas, os talentosos Jude Law e Jack Black. A partir daí, é só romantismo e boas risadas.
Mas sem dúvida alguma, a melhor surpresa foi descobrir que o filme é um prato cheio para cinéfilos. Com uma trama centrada em personagens que pertencem ao mundo do cinema, o roteiro abunda de citações e da metalinguagem. O fato de Amanda sempre pensar sobre si própria como um trailer de cinema é uma das melhores sacadas. Nesse quesito, o longa conta com a participação afetiva de Dustin Hoffman. Sem esquecer da encantadora trilha sonora de Hans Zimmer. Neste final de ano, a melhor opção para curtir um bom filme e deliciar-se com uma comédia romântica estréia na próxima sexta-feira, dia 22, sob o título O Amor Não Tira Férias.
Créditos
Produção: Nancy Meyers, Bruce A. Block
Música: Hans Zimmer
Fotografia: Dean Cundey
Desenho de Produção: Jon Hutman
Direção de Arte: Dan Webster
Figurino: Marlene Stewart
Edição: Joe Hutshing
Efeitos Especiais: Snow Business International/Furious FX
Site oficial: www.sonypictures.com/movies/theholiday

Saturday, December 16, 2006

Globo de Ouro


Saiu a tão esperada lista de indicados ao Globo de Ouro, o suposto segundo maior prêmio do cinema americano. Liderando as indicações com sete chances de levar o prêmio vem Babel, filme do mexicano Alejandro Gonzales Iñarritu, que concorre nas categorias melhor filme dramático, melhor diretor, melhor atriz e ator coadjuvantes em longa-metragem e melhor roteiro. Com seis indicações, Os Infiltrados de Martin Scorcese luta pelas estatuetas de melhor filme dramático, melhor ator em filme dramático, melhor ator coadjuvante em longa-metragem e melhor roteiro.
Do outro lado da cerimônia, Dreamgirls sai na frente com indicações a melhor filme de comédia ou musical, melhor atriz em um filme de comédia ou musical, melhor atriz e ator coadjuvantes em longa-metragem e melhor canção original de longa-metragem. Destaque para Leonardo DiCaprio e Clint Eastwood que concorrem contra si próprios nas categorias de melhor ator em filme dramático e melhor diretor. Mas a grande polêmica é sem dúvida a categoria de melhor filme estrangeiro. Olhando a lista de indicados, a surpresa é a presença de dois filmes americanos. Na verdade, a categoria recebe um nome errôneo na tradução para o português. O nome correto, melhor filme em uma língua estrangeira. Assim, justificam-se as indicações para Letters from Iwo Jima de Clint Eastwood e Apocalypto de Mel Gibson, falados em japonês e maia, respectivamente.
Minha torcida fica com Os Infiltrados e Obrigado por Fumar para melhor filme, Penélope Cruz e Meryl Streep como melhor atriz, Johnny Depp na categoria de melhor ator em um filme de comédia ou musical, Happy Feet na disputa entre as animações, Jack Nicholson e Emily Blunt nos papéis coadjuvantes, Martin Scorcese para melhor diretor e O Labirinto do Fauno como o melhor em língua estrangeira. Os prêmios concedidos pela Associação de Imprensa Estrangeira serão entregues na noite de 15 de janeiro. Confira a lista completa dos indicados aqui e comece a torcer também.

Sunday, December 10, 2006

Por Água Abaixo

(Flushed Away, Estados Unidos/Inglaterra, 2006)

Estúdio: DreamWorks SKG/Aardman Animations
Distribuição: DreamWorks Distribution LLC/Paramount Pictures/UIP
Direção: David Bowers e Sam Fell
Roteiro: Dick Clement, Ian La Frenais, Christopher Lloyd, Joe Keenan, William Davies
Elenco: Hugh Jackman, Kate Winslet, Ian McKellen, Andy Serkis, Bill Nighy, Shane Richie, Jean Reno, Douglas Weston, Susan Duerden
Gênero: Animação
Duração: 90 min

Por Água Abaixo é o primeiro longa da Aardman Animations feito na íntegra por computação gráfica. Mas a aparência das massinhas de modelar que fizeram da stop motion a técnica consagrada pela produtora continua lá. Roddy (Hugh Jackman mais uma vez) é uma mascote de uma garotinha que vive no luxuoso bairro Kensington em Londres. Sua casa é invadida por um rato vindo dos encanamentos do esgoto e após uma tentativa de livrar-se do incômodo hóspede, ele acaba por ser mandado por água abaixo e vai parar em um mundo completamente novo para ele. No submundo, uma perfeita Londres em miniatura com direito a guardas reais, turistas americanos e até mesmo um Big Ben. Lá, ele conhece Rita (Kate Winslet) e ao lado dela vai lutar contra o malvado Toad (Ian McKellen), um sapo que pretende extinguir a raça dos camundongos depois de um irrecuperável trauma nos seus tempos de Palácio de Buckingham.
A rendição a técnica de animação responsável por dez entre dez animações fez muito bem a Aardman. O resultado na tela é muito mais agilidade. E essa agilidade parece ter atingido inclusive o roteiro. Sem perder o ritmo, o filme se trasnforma em uma grande aventura capaz de agradar desde a criançada até os mais velhos. Com personagens cativantes, canções divertidas e referências mil a outros filmes, como é de praxe no mundo das animações, Por Água Abaixo conquista o seu lugar entre os melhores do ano.
Créditos
Produção: Cecil Kramer, Peter Lord, David Sproxton
Música: Harry Gregson-Williams
Fotografia: Brad Blackbourn e Frank Passingham
Direção de Arte: Pierre-Olivier Vincent, Scott Wills
Figurino: Jane Poole
Edição: Eric Dapkewicz, John Venzon
Site Oficial: www.flushedaway.com

Friday, December 08, 2006

Pequena Miss Sunshine

E não é que o tempo em que Pequena Miss Sunshine ficou em cartaz foi também pequeno. Uma semana. Míseros sete dias. E eu fiquei a ver navios mais uma vez.

Happy Feet: O Pingüim

(Happy Feet, Estados Unidos, 2006)

Estúdio: Village Roadshow Pictures/Kingdom Feature Productions/Animal Logic/Kennedy Miller Productions
Distribuição: Warner Bros.
Diretor: George Miller
Roteiro: Warren Coleman, John Collee, George Miller, Judy Morris
Elenco: Elijah Wood, Brittany Murphy, Hugh Jackman, Nicole Kidman, Hugo Weaving, Robin Williams
Elenco no Brasil: Daniel de Oliveira, Sidney Magal
Gênero: Animação
Duração: 87 min

Após a decepção ao ver um cartaz que dizia que por problemas com a distribuidora Warner Bros., a cópia legendada de Happy Feet não chegaria aos cinemas de Fortaleza, conformei-me em assistir a versão dublada. Devo dizer que o filme já desponta como longa de animação favorito ao Oscar. Assim como Moulin Rouge, o filme aposta nos grandes sucessos da música pop e se transforma em um verdadeiro sucesso entre o público. É uma pena que somente as canções originais foram traduzidas ao portugês. Não que eu gostaria de assistir a versões aportuguesadas de hits como My Way e Never Can´t Say Goodbye. Mas ao menos uma legendinha eles poderiam ter posto. Afinal, as canções fazem parte do contexto do filme e representam o que as personagens sentem.
No filme, os pingüins imperadores nascem todos com sua canção de amor, instrumento necessário para a conquista de seus futuros parceiros. Todos exceto Mano (Daniel de Oliveira) ou Munble na versão original (Elijah Wood). Mano, ao contrário dos outros pingüins, veio ao mundo com outro dom: o de sapatear. O gingado do pingüim, no entanto, deixa todos apavorados e seus pais constrangidos pela falta de talento do filho. Mano cresce isolado do grupo e nutrindo um amor platônico por Gloria (Brittany Murphy). O pobrezinho chega até a ser acusado como o culpado da escassez de peixes pela qual o grupo passa. Ele decide então partir para uma jornada solitária e encontra um outro grupo de pingüins que se amarra no seu rebolado e não entendem como ele não pode fazer sucesso com as fêmeas. Qualquer semelhança com O Patinho Feio não é mera coincidência. O novo grupo o acompanha em sua busca pelos ET's (leia-se humanos) que ele acredita serem os verdadeiros culpados da falta de alimento.
As primeiras cenas lembram muito A Marcha dos Pingüins, tamanha a veracidade na tela. Aliás, é comum nos perguntarmos se aquilo o que vemos é real ou simplesmente animação. A excelência na animação, não só dos animais como do cenário, deixam A Era do Gelo no chinelo. Quanto ao público-alvo da produção, pense duas vezes em levar o seu filho para os cinemas. Antes do tão esperado felizes para sempre, nosso herói passa por maus bocados, o que pode levar a crer que o filme não terá um final feliz. Além disso, a animação exagera no terror provocado pelos ferozes leões-marinhos e pelas terríveis orcas. Sem falar nos rastros horrendos deixados pelos ET's.
No quesito dublagem, Daniel de Oliveira se sai muito bem. O mesmo não podemos dizer sobre Sidney Magal que infelizmente é responsável pela narração da estória. E a atriz responsável pela voz de Norma Jean, a mãe de Mano que no original é dublada por ninguém menos que Nicole Kidman, destoa da doçura presente na fala da australiana podendo soar até estridente. Se não fosse pela beleza e grandiosidade proporcionadas na telona, provavelmente lhe indicaria para esperar pela versão legendada em DVD.
Mas nem tudo que começa bem acaba bem. Os roteiristas exageraram um pouco na forma pela qual os pingüins se fazem ouvir no mundo os humanos e o filme podia passar sem essa, apesar da esperança que a própria humanidade representa. O resultado final é a melhor animação do ano e a esperança de que os musicais tenham realmente voltado a ser sinônimos de bons filmes, o que Moulin Rouge e Chicago se propuseram a fazer, mas O Fantasma da Ópera e Os Produtores não conseguiram acompanhar.
Créditos
Produção: Bill Miller, George Miller, Doug Mitchell
Música: John Powell
Desenho de Produção: Mark Sexton
Direção de Arte: David Nelson
Efeitos Especiais: Animal Logic/Giant Killer Robots/Rhythm & Hues
Site Oficial: www.happyfeetofilme.com.br

Proibido Proibir


















(Proibido Proibir, Brasil, 2006)

Estúdio: El Desierto Filmes Ltda./Ceneca Produciones/A&A Produções/Mediapro/Quanta
Direção: Jorge Durán
Roteiro: Jorge Durán, Dani Patarra, Gustavo Bohrer, Eduardo Durán
Elenco: Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Rodrigues, Edyr Duqui, Adriano de Jesus, Luciano Vidigal, Raquel Pedras
Gênero: Drama
Duração: 100 min

Um triângulo amoroso entre três amigos é pano de fundo para um retrato fiel da juventude brasileira contemporânes. Paulo (Caio Blat) se apaixona por Letícia (Maria Flor), namorada de seu melhor amigo com o qual divide o apartamento, Leon (Alexandre Rodrigues). Paulo é jovem da classe média e estudande de medicina. Leon é negro e faz ciências sociais. Letícia é aluna de arquitetura e vem de uma família mais abastada. Há ainda a amiga de Leon, Rita (Raquel Pedras), também estudante de sociologia e que tem uma visão firme quando o assunto é política. O filme acompanha as visões e opiniões desses quatro jovens. Já deu pra perceber a grande salada de sentimentos que esta obra apresenta.
O segundo longa do diretor Jorge Durán se destaca por trazer uma visão diferente do subúrbio do Rio de Janeiro. Acostumados com produções da O2 (responsável por Cidade de Deus e Cidade dos Homens), é fácil notar a diferença no tratamento dado ao tema. O que esses jovens têm em comum é a insatisfação e a revolta com o mundo como o conhecemos e também o sentimento de impotência frente a tudo issso. No final, resta a resignação de não ser forte o suficiente para combater a causa justa ou a esperança de que unidos podemos dar um giro de 180 graus no país.
Créditos
Produção: Suzana Amado
Música: Mauro Senise
Fotografia: Luís Abramo
Direção de Arte: José Joaquin Salles
Figurino: Anna Cantanhede, Joana Ribas
Mixagem: Alfonso Pino
Cartaz: Gabriel Durán
Edição de Som: Gabriel Durán
Créditos de Apresentação: Gabriel Durán
Edição: Pedro Durán
Site Oficial: http://www.proibidoproibir.com/

Tuesday, December 05, 2006

Café da Manhã em Plutão

(Breakfast on Pluto, Reino Unido, 2005)

Estúdio: Pathé Pictures Ltd./Parallel Films/Bórd Scánnán na hÉireann/Number 9 Films Ltd.
Distribuição: Sony Pictures Classics
Direção e Roteiro: Neil Jordan
Elenco: Cillian Murphy, Liam Nesson, Stephen Rea, Brendan Gleeson, Gavin Friday, Laurence Kinlan, Ruth Negga, Morne Botes, Neil Jackson, Ruth McCabe, Eamonn Owens, Owen Roe, Seamus Reilly
Gênero: Comédia
Duração: 135 min


Café da Manhã em Plutão não é só mais um filme em que o protagonista parte em busca de sua afirmação. E não porque o protagonista em questão é um homem buscando sua identidade feminina. Neil Jordan imprime no seu longa uma delicadeza ímpar ao tratar do tema com humor sem parecer caricato. O próprio Jordan coloca em cena o porquê dessa escolha: o riso é a única forma de lidar com essas condições. Um dupla de passarinhos que observa tudo é responsável por boa parte da graça do filme.
Patrick (Cillian Murphy) é abandonado pela mãe que parte para Londres em um cesto deixado à porta da casa do padre Bernard (Liam Nesson). Patrick é criado por uma mãe adotiva e uma irmã mais velha e passa maus-bocados nas mãos das duas que quando descobrem sua homossexualidade fazem questão de maldizer o garoto. Rejeitado pelos pais biológicos e pela família adotiva, Patrick cresce desajustado à província irlandesa onde mora e parte então em busca da verdadeira mãe. Os mecanismos psicológicos que só Freud explica fazem de Patrick assumir a identidade da mãe. Ele se veste perfeitamente igual à mãe de acordo com o relato daqueles que a conheceram.
O filme, no entanto, não deixa de ser preconceituoso ao evitar cenas mais íntimas entre Patrick ou Patrícia "Kitten" Braden (nome que assume) e seus parceiros. Outro escorregão de Jordan é fazer referência a sua personagem principal como desastre. Isso pode levar a idéias errôneas a respeito do que o diretor considera um desastre.
Cillian Murphy constrói de maneira brilhante sua Kitten. Destaque para o dueto em que Murphy aparece como Pocahontas. A trilha sonora é outra atração à parte. Recheada de hits dos anos 60 e 70, ela se encaixa perfeitamente aos sentimentos do protagonista. Se há um ponto negativo no filme, este é a excessiva quantidade de capítulos. O filme contado como se fosse um livro apresenta a cada cinco minutos um novo capítulo. Isso torna o ritmo cansativo e dá a impressão de que ele se extendeu além da conta.
Créditos
Produção: Neil Jordan, Alan Moloney, Stephen Woolley
Fotografia: Declan Quinn
Desenho de Produção: Tom Conroy
Direção de Arte: Michael Higgins, Mark Lowry, Dennis Schnegg
Figurino: Eimer Ni Mhaoldomhnaigh
Edição: Tony Lawson
Efeitos Especiais: Team FX Ltd.
Site Oficial: http://www.sonyclassics.com/breakfastonpluto/

Sunday, December 03, 2006

O Labirinto do Fauno

(El Laberinto del Fauno, México, 2006)

Estúdio/Distribuição: Warner Bros. Pictures
Direção e Roteiro: Guillermo del Toro
Elenco: Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú, Álex Angulo, Roger Casamajor, César Vea, Federico Luppi, ,Manolo Solo
Gênero: Suspense
Duração: 114 min

Ao assistir ao trailler de O Labirinto do Fauno, nesta mesma semana de estréia do filme, levei um susto. Uma produção com a qualidade e a trama apresentadas só poderia vir mesmo de Hollywood, certo? Errado. O sotaque latino me chamou a atenção e então descobri que o longa-metragem do diretor Guillermo del Toro era o representante do México na disputa pelas cinco vagas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar de 2007. A origem da produção não faz mal ao resultado final. Ao contrário, faz muito bem. E até lhe confere um certo charme.
A estória se passa na Espanha pós-guerra civil, quando a ditadura fascista de Franco emerge ao poder. Ofelia (Ivana Baquero) se muda com a mãe para uma área rual no norte da Espanha, onde o oficial Vidal (Sergi López) comanda uma campanha contra os focos de resistência que ali ainda existem. Carmen(Ariadna Gil), a mãe de Ofelia, espera um filho de Vidal, mas a figura do padrasto é tão assustadora que a garota não vê naquela casa um porto seguro. É aí que Ofelia descobre um mundo de magia e fantasia repletos de seres sombrios tão assustador quanto o regime fascista. Um fauno conta a Ofelia que ela é na verdade a reencarnação da princesa do mundo subterrâneo e para voltar ao seu reino precisa cumprir três tarefas. Com inspiração clara em Alice no País das Maravilhas, o filme alterna então os momentos de fantasia e realidade. Os segundo com bem mais tempo na tela. O fato do filme ser vendido como se pertencesse ao gênero terror pode prejudicá-lo na propaganda boca-a-boca. Quem for esperando ver grandes batalhas como em As Crônicas de Nárnia pode se decepcionar. O foco do longa é no horror da guerra e no quanto o mundo real pode ser cruel.
A facilidade com que Ofelia acredita na sua missão e aceita enfrentar os horrores daquele mundo nos chama atenção. Mas quem em seu lugar não faria qualquer coisa para se livrar do terrível padrasto? A inocência e a imaginação sõ as armas inconscientemente escolhidas por Ofelia na luta contra essa mosntruosidade. E é de posse dessas armas que ela consegue vencer. Infelizmente, a vitória não vem sem exigir sacrifícios. A beleza e delicadeza do roteiro são únicas e del Toro constrói um dos melhores filmes do ano. E é com um peso no coração que eu escolho este para a minha torcida na disputa pela estatueta de Melhor Filme Estrangeiro. A Volver de Almodóvar, eu dedico o prêmio de melhor roteiro.
Créditos
Produção: Álvaro Augustín, Alfonso Cuarón, Bertha Navarro, Guillermo del Toro, Frida Torresblanco
Música: Javier NavarreteFotografia: Guillermo Navarro
Desenho de Produção: Eugenio Caballero
Figurino: Lala Huete, Rocío Redondo
Edição: Bernat Vilaplana
Efeitos Especiais: CafeFX
Site Oficial: www.panslabyrinth.com

Notas

Robert Altman
O diretor americano Robert Altman faleceu aos 81 anos no último dia 20. Altman recebeu este ano o Oscar pelo conjunto da obra após ter sido indicado algumas vezes como melhor diretor. O último trabalho do diretor foi o longa A Última Noite ainda em cartaz no país.
Rumo ao Oscar

Ontem, em Varsóvia, Penélope Cruz levou o prêmio de melhor atriz da Academia do Cinema Europeu pelo seu trabalho em Volver do espanhol Pedro Almodóvar. O longa levou ainda outros quatro prêmios: o de melhor diretor, melhor compositor, melhor câmera e escolha do público.

O Céu de Suely

(O Céu de Suely, Brasil, 2006)

Estúdio/Distribuição: Videofilmes
Direção: Karim Aïnouz
Roteiro: Maurício Zacharias, Felipe Bragança, Karim Aïnouz
Elenco: Hermila Guedes, Georgina Castro, Maria Menezes, João Miguel, Mateus Alves, Gerkson Carlos, Zezita Matos, Marcélia Cartaxo, Flávio Bauraqui
Gênero: Drama
Duração: 88 min

Restam apenas 28 dias para o fim do ano e quem diria que mais um excelente exemplar do cinema nacional ainda estaria por vir. É certo que O Céu de Suely teve estréia no dia 17 de Novembro, mas só agora tive a oportunidade de assistí-lo. De início vemos Hermila e Mateus em um momento que nos remete à felicidade dos dois. Acontece que Hermila (Hermila Guedes) anunciou sua gravidez ao namorado que, por sua vez, declarou seu amor a ela prometendo casamento. Em seguida, pegamos carona em um ônibus rumo à realidade. Hermila e o filho voltam a cidade natal, Iguatu, no Ceará, após dois anos vivendo em São Paulo. Mas ela volta com a promessa do retorno do pai da criança. Retorno que nunca se concretiza.
Karim Aïnouz (Madame Satã) conta uma estória que conhecemos muito bem: a emigração para o Sul e Sudeste do país em busca de melhores oportunidades. Estória que acontece com qualquer um. Não é à toa que as personagens levam os mesmos nomes que os atores que as representam. A identificação com estas vidas é imediata. Sob o céu de uma plasticidade única, elemento do sertão que raramente é notado em detrimento do sol e da terra, Hermila tenta fugir do passado sabendo que é impossível deixá-lo. Mesmo fazendo parte de Iguatu, Hermila já não pode encontrar ali sua felicidade. É assim que ela faz uma rifa cujo o prêmio é uma "noite no paraíso" ao lado de Suely (quem se não ela mesma?). O objetivo é juntar dinheiro para comprar uma passagem para o Rio Grande do Sul.
Guiados pelo excelente trabalho de Karim Aïnouz e pelas belas interpretações, somos embalados pela trilha sonora de Berna Ceppas e Kamal Kassin e assistimos à crescente angústia de Hermila. Ou seria Suely?
Créditos
Produção: Walter Salles, Maurício Andrade Ramos, Hengameh Panahi, Thomas Habërle, Peter Rommel
Música: Berna Ceppas, Kamal Kassin
Fotografia: Walter Carvalho
Direção de Arte: Marcos Pedroso
Figurino: Marcos Pedroso
Edição: Isabela Monteiro de Castro, Tina Baz Le Gal
Site Oficial: www.oceudesuely.com.br