Monday, February 26, 2007

E o Oscar vai para...

...Os Infiltrados. Na noite mais chata da históra do Oscar, o filme de Martin Scorsese consagrou-se como o grande vencedor. Além da estatueta de melhor filme, o policial levou os prêmios de melhor roteiro adaptado (uma afronta a obra prima Pecados Íntimos), melhor edição e melhor diretor. Este último, o mais aguardado. Scorsese foi ovacionado de pé por todo o Kodak Theatre que quase não o deixa proferir o discurso de agradecimento com seus aplausos e gritinhos. Os outros indicados à categoria mais importante da noite saíram com um prêmio cada: A Rainha deu o prêmio de melhor atriz a Helen Mirren; Babel conquistou o título de melhor trilha sonora; e Cartas de Iwo Jima recebeu o Oscar de melhor edição de som. A exceção foi Pequena Miss Sunshine que além do prêmio de melhor roteiro original surpreendentemente deu a Alan Arkin o troféu de melhor ator coadjuvante desbancando o favorito Eddie Murphy que até então colecionava todos os troféus do ano.
Apesar de algumas surpresas, é provável que o clima enfadonho da noite tenha se originado na quantidade de premiações que proliferaram nos dois primeiros meses do ano ou ainda no suposto clima de já ganhou de alguns indicados nas principais categorias, o que de fato aconteceu nas outras três disputas entre atores mesmo com o suspense criado pela demora na abertura dos envelopes: Helen Mirren foi consagrada a melhor atriz; a novata Jennifer Hudson ficou com o Oscar de melhor atriz coadjuvante; e Forest Whitaker deixou Peter O'toole a ver navios na categoria de melhor ator. Ao anúncio do vencedor, o veterano de 74 anos ficou sem entender nada enquanto os concorrentes mais jovens vibravam pela vitória de Whitaker.
Outra surpresa da noite foi a tripla vitória de O Labirinto do Fauno, melhor fotografia, melhor maquiagem e melhor direção de arte. Happy Feet também surpreendeu ao vencer o favorito Carros como a melhor animação. Mas nenhuma surpresa, por melhor que fosse, conseguiu animar a festa. Com atrasos e homenagens em demasia, o sono era espantado pela expectativa de ver Pequena Miss Sunshine ganhar a maor honraria do ano. Mas o filme apontado pela crítica americana como o favorito levou a melhor.
Nem mesmo Ellen DeGeneres salvou a noite. E a única piadinha entre os apresentadores que rendeu algumas risadas foi a brincadeira da dupla Anne Hathaway e Emily Blunt com a companheira de cena Meryl Streep fazendo alusão a sua personagem em O Diabo Veste Prada. A cerimônia foi tão chata que uma amiga dormiu logo no início e só acordou aos gritos de Beyoncé. Gosto da Beyoncé, mas ela e suas companheiras de filme exageraram. Talvez fosse a dor de cotovelo antecipada. Se eu fizesse parte de um musical com três chances de vitória na categoria de melhor canção e ainda perdesse para um documentário, também gritaria daquele jeito. Dreamgirls, além do já mencionado Oscar de melhor atriz coadjuvante, recebeu apenas a estatueta de melhor som. Uma Verdade Incoveniente que bateu Dreamgirls como melhor canção também foi eleito o melhor documentário.
No tapete vermelho, Cameron Diaz, Naomi Watts, Abigail Breslin, Helen Mirren, Kate Winslet, Cate Blanchett, Reese Witherspoon, Rachel Weisz, Penélope Cruz e Beyoncé eram as mais bonitas. Mas alguém precisa lembrar a Meryl Streep e Nicole Kidman o que é bom senso. Sem falar na careca do Jack Nicholson que parece ter sido contratado como apresentador oficial da categoria de melhor filme. Definitivamente uma noite que não fez jus às produções indicadas. É torcer para que as coisas melhorem em 2008. Confira a lista completa de vencedores aqui.

Independent Spirit Awards


Na noite que antecedeu o Oscar, o Independent Spirit Awards consagrou a comédia Pequena Miss Sunshine como grande vencedor. O filme dos diretores Jonathon Dayton e Valerie Faris levou os prêmios de melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante para Alan Arkin e melhor roteiro de estréia. Half Nelson deu a sua dupla de protagonistas, Ryan Gosling e Shareeka Epps, as estatuetas de melhor ator e atriz. O Labirinto do Fauno foi eleito a melhor fotografia. O alemão The Lives of Others ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro. A atriz Frances McDormand e os filmes Caminho Para Guantánamo e Quinceañera completam a lista de vencedores nas categorias melhor atriz coadjuvante, melhor documentário e melhor filme realizado com menos de meio milhão de dólares (John Cassavetes Award).

Sunday, February 25, 2007

Antônia

(Antônia, Brasil, 2006)

Estúdio: Coração da Selva/O2 Filmes/Globo Filmes
Distribuição: Downtown Filmes
Direção: Tata Amaral
Roteiro: Tata Amaral e Roberto Moreira
Elenco: Negra Li, Leilah Moreno, Quelynah, Cindy, Thaíde, Sandra de Sá, Thobias da Vai-Vai, Nathalye Cris, Z'Africa Brasil, Marco Vinícius Kamau, Ezequiel da Silva, DJ Negro Rico, Fernando Macário, Maionezi, Max B.O., Chico Santo, Giulio Lopes
Gênero: Drama
Duração: 90 min

Chegou aos cinemas o prelúdio da série de sucesso Antônia. A série que mostrava o olhar da produtora O2 Filmes sobre a periferia brasileira, desta vez em São Paulo, contava a estória de quatro amigas que sonhavam com o sucesso do grupo Antônia. No filme, o foco é no começo deste sonho quando as garotas decidem parar de fazer backing vocal para rappers consagrados e inicar a carreira do grupo. Como na série, são mostradas as dificuldade que cada uma encontra pra seguir neste caminho. E vão além. A amizade das moças também é posta à prova.
Duas coisas que chamavam a atenção na série, voltam a ser destaque na telona. A primeira delas é a escolha de cantoras, não-atrizes e não-atores para o elenco. Mérito do preparador de elenco Sérgio Penna e do próprio elenco. Se sobressaem Negra Li e Leilah Moreno, revelada pelo Programa Raul Gil. A intimidade do elenco com a realidade transmitem uma veracidade única. Outros destaques da série, Thaíde e a garotinha Nathalye, não ganham tanto espaço no longa-metragem.
O outro ponto em comum com a série, é a periferia pelo ponto de vista das protagonistas. Ao contrário de Cidade de Deus, as atenções estão voltadas aos dramas pessoas cuja periferia é sim agente interferente, mas também pano de fundo ao invés de ganhar status de personagem.
A estória se desenvolve bem, mas chegando ao fim tudo acaba se resolvendo rápido demais. É a mania da Globo Filmes de não deixar seus filmes ultrapassarem os 90 minutos parecendo mais um episódio ou capítulo estraído das séries e novelas. O roteiro tinha condições de se sustentar por mais tempo sem deixar a peteca cair ou cansar a platéia. É uma pena que Tata Amaral não tenha percebido isso. E para aqueles que não suportam a música chiclete que tocava nas vinhetas da Globo, uma boa notícia. A música só é ouvida uma vez durante a película. Mas isso não impede que você saia do cinema cantando "Oh, antônia brilha (...)".
Créditos
Produção: Geórgia Costa Araújo, Tata Amaral
Música: Beto Villares, MC Parteum
Fotografia: Jacob Sarmento Solitrenick
Direção de Arte: Rafael Ronconi
Edição: Idê Lacreta
Site Oficial: www.antonia-ofilme.com.br

Saturday, February 24, 2007

Pequena Miss Sunshine

(Little Miss Sunshine, Estados Unidos, 2006)

Estúdio: Deep River Productions/Bona Fide Productions/Big Beach Films/Third Gear Productions LLC
Distribuição: Fox Searchlight Pictures
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Roteiro: Michael Arndt
Elenco: Greg Kinnear, Toni Collette, Steve Carell, Paul Dano, Abigail Breslin, Alan Arkin
Gênero: Comédia
Duração: 101 min

Uma garotinha que sonha em vencer concursos de Miss, um adolescente que fez voto de silêncio, um avô viciado em heroína, um pai fracassado que inventou um método falido de auto-ajuda para alcançar o sucesso, um tio que acaba de perder o emprego e tentar suicídio e uma mãe que tem que lidar com tudo isso e mais os afazeres domésticos. Essa é a família protagonista do mais novo favorito a levar o Oscar de melhor filme no próximo domingo. Pequena Miss Sunshine é um retrato delicado da sociedade americana e, por que não dizer, globalizada, onde enfrentamos a duras penas os desafios impostos para alcançarmos o "sucesso".
No ritmo de uma comédia dramática, o filme funciona muito bem. Situações extravagantes que podemos sim encontrar em nossas famílias em maior ou menor grau. Os ditos losers pela cultura americana são colocados aqui em um pedestal. Há uma inversão de papéis de modo que os espectadores identifiquem-se com as personagens e torçam por eles. Se o pai que deposita na família a obrigação de agir como "vencedores", o faz na tentativa de transferir para os filhos o que nçao conseguiu. O mesmo acontece com seu pai, que age de forma agressiva para ocultar os sentimentos. Já a esposa frustra-se com o fracasso na tentativa de garantir a felicidade dos filhos e do irmão.
Um ótimo roteiro e personagens cativantes somados a um grande elenco, direção competente e aspectos técnicos consideráveis, Pequena Misse Sunshine transforma-se em um grande filme. Talvez essa seja mesmo a fórmula ideal. Uma resposta aos "concursos de beleza" que enfrentamos dia após dia na vida, como descrito no roteiro, faz do longa de estréia do casal Jonathan Dayton e Valerie Faris o candidato ao Oscar de melhor filme com o tema mais delicado e a abordagem mais acertada. E que justiça seja feita.
Em tempo, a película concorre em outras três categorias: melhor roteiro original, melhor ator e atriz coadjuvante. E a pequena Abigail Breslin na sequência em que apresenta seu número de talentos na competição pelo título de Miss Sunshine dá motivos de sobra para uma eventual vitória.
Créditos
Produção: Albert Berger, David T. Friendly, Peter Saraf, Marc Turtletaub, Ron Yerxa
Música: Mychael Danna, Devotchka
Fotografia: Tim Suhrstedt
Desenho de Produção: Kalina Ivanov
Direção de Arte: Alan E. Muraoka
Figurino: Nancy Steiner
Edição: Pamela Martin
Efeitos Especiais: LOOK! Effects Inc.
Site Oficial: www2.foxsearchlight.com/littlemisssunshine

Friday, February 23, 2007

Pecados Íntimos

(Little Children, Estados Unidos, 2006)

Estúdio/Distribuição: New Line Cinema/Warner Bros./PlayArte
Direção: Todd Fields
Roteiro: Tom Perrotta, Todd Field
Elenco: Kate Winslet, Patrick Wilson, Jennifer Connelly, Gregg Edelman, Sadie Goldstein, Ty Simpkins, Noah Emmerich, Jackie Earle Haley, Phyllis Somerville, Raymond J. Barry, Helen Carey, Jane Adams, Trini Alvarado, Sarah Buxton, Chadwick Brown
Gênero: Drama
Duração: 130 min

A seqüência de abertura de Pecados Íntimos antecipa o que está por vir. O tic-tac dos relógios e as criancinhas de porcelana fazem jus ao título original, Little Children (Criancinhas em português e no romance, de Tom Perrotta, que deu origem ao filme). Jovens pais que foram obrigados a crescer rápido demais e ainda agem como crianças, seguindo seus impulsos e instintos. Na tela, duas histórias desenrolam-se em um subúrbio americano. Sarah (Kate Winslet) é doutoranda em Literatura e mãe em tempo integral da pequena Lucy (Sadie Goldstein). Seu esposo gosta de passar o tempo acompanhando a vida de uma exibicionista na internet. Brad (Patrick Wilson) é um advogado que não consegue passar no exame da ordem e passa os dias cuidando do filho Aaron (Ty Simpkins) enquanto a esposa Kathy (Jennifer Connelly) trabalha para pagar as contas. Os dois iniciam entre si uma relação extraconjugal. No mesmo subúrbio, os mesmos pais se preocupam com Ronnie (Jackie Earle Haley), condenado por atentado ao pudor a um menor, e que retorna a cidade após um período de reclusão.
Pecados Íntimos aborda a crise da cultura e da sociedade americanas, onde as pessoas, muitas vezes, se recusam continuar vivendo de forma medíocre. Leia mais aqui.
Créditos
Produção: Albert Berger, Todd Field, Ron Yerxa
Música: Thomas Newman
Fotografia: Antonio Calvache
Desenho de Produção: David Gropman
Direção de Arte: John Kasarda
Edição: Leo Trombetta
Site Oficial: www.littlechildrenmovie.com

Monday, February 12, 2007

Bafta

A Rainha, de Stephen Frears, venceu o Bafta, o Oscar britânico. Eleito melhor filme, o longa ainda rendeu a Helen Mirren o prêmio de melhor atriz. Confira a lista dos vencedores abaixo:
Melhor Filme: "A Rainha"
Melhor Ator: Forest Whitaker, "O Último Rei da Escócia"
Melhor Atriz: Helen Mirren, "A Rainha"
Melhor Diretor: Paul Greengrass, "Vôo United 93"
Melhor Ator Coadjuvante: Alan Arkin, "Pequena Miss Sunshine"
Melhor Atriz Coadjuvante: Jennifer Hudson, "Dreamgirls"
Melhor Filme Britânico: "O Último Rei da Escócia"
Melhor Filme Estrangeiro: "O Labirinto do Fauno"
Melhor Filme de animação: "O Pingüim"
Prêmio Orange Rising Star (atriz revelação): Eva Green

Sunday, February 11, 2007

A Rainha

(The Queen, Inglaterra/França/Itália, 2006)

Estúdio: Film Productions/Pathé Pictures International/Scott Rudin Productions
Distribuição: Miramax Films/Europa Filmes
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Peter Morgan
Elenco: Helen Mirren, Michael Sheen, James Cromwell, Sylvia Syms, Alex Jennings, Paul Barrett, Helen McCrory, Forbes KB
Gênero: Drama
Duração: 97 min

Na semana que sucedeu a morte da Princesa de Gales, a relação, até então inabalável, do povo britânico com sua rainha passou por maus bocados. Após o acidente que vitimou Diana, a família real, de férias em Balmoral, recusou-se a dar qualquer tipo de declaração ou manifesto à imprensa e ao restante da população chorosa pela "Princesa do Povo". O que a monarca britânica não poderia imaginar era o tamanho do amor que seus súditos nutriam por Diana, tão grande ou maior do que o devotado à Sua Majestade. Com um cônjuge traído, os ingleses protestaram e demonstraram toda sua decepção com a coroa. Pressionada pela imprensa, solicitada pelo filho e aconselhada pelo primeiro ministro Tony Blair, Elizabeth II deixa de lado suas crenças para salvar a monarquia.
A partir de relatos de pessoas que trabalharam com a rainha e de um pouco de imaginação, Peter Morgan não construiu sua história como uma crítica à atitude da rainha. Muito pelo contrário. Nas últimas cenas, Morgan deixa bem claro em seus diálogos o quanto admira e apóia as decisões de Elizabeth II. Outra figura vista com bons olhos pelo roteirista é a do primeiro ministro Tony Blair. Mas sem as brilhantes performances de Helen Mirren e Michael Sheen, ele não teria nada.
A escolha de uma direção sóbria e contida fez bem ao resultado final. Stephen Frears poderia ter dado o mesmo tratamento a outras personagens que acabam resvalando no caricato. Exemplo disso são uma Rainha Mãe um tanto quanto parecida com a D. Maria I, a Louca e um príncipe Charles bonachão. Mas aqui qualquer semelhança não é mera coincidência. Mas é na figura de Diana que Frears consegue o seu melhor. A imagem de Lady Di flagrada pelas lentes de paparazzi é constante nos 97 min de película representando da melhor forma o fantasma que assombrava a família real desde o divórcio. Uma crítica à sociedade do espetáculo não pode deixar de ser ouvida.
Com figurino e trilha sonora impecáveis, A Rainha é mais um ótimo exemplar da safra do Oscar 2007. E como já é dado como certa a premiação de Helen Mirren, vale conferir a interpretação da mais nova papa-tudo de Hollywood.
Créditos
Produção: Andy Harries, Christine Langan, Tracey Seaward
Música: Alexandre Desplat
Fotografia: Affonso Beato
Desenho de Produção: Alan MacDonald
Figurino: Consolata Boyle
Edição: Lucia Zucchetti
Site Oficial: www.thequeen-movie.com

Friday, February 09, 2007

À Procura da Felicidade

(The Pursuit of Happyness, Estados Unidos, 2006)

Estúdio e Distribuição: Sony Pictures Entertainment/Columbia Pictures
Direção: Gabriele Muccino
Roteiro: Steve Conrad
Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen, Dan Castellaneta, Kurt Fuller, Takayo Fischer, Domenic Bove, Scott Klace, Mark Christopher Lawrence, Kevin West, Chris Gardner
Gênero: Drama
Duração: 117 min

Um conto de fadas moderno, mesmo que na saudosa década de 80. Assim é À Procura da Felicidade. Ao invés de uma Gata Borralheira, temos Will Smith como protagonista. Mas as agruras por quais passará não deixam nada a dever à princesas Disney. Chris Gardner (Will Smith) é um vendedor fracassado de um nova máquina de raios x que garante um pouco mais de qualidade pelo dobro do preço. Sua esposa, Linda (Thandie Newton), cumpre há quatro meses dois turnos onde trabalha para compensar a falta de dinheiro em casa. Ao atraso do aluguel e da mensalidade da creche do filho Christopher (Jaden Smith, filho de Will com a atriz Jada Pinkett Smith) somam-se as multas de estacionamento que Chris acumulou. O abandono da esposa e a vaga conquistada em um estágio não remunerado trazem mais problemas ao protagonista. E todo o mal que pode lhe acontecer contribui para uma maior afeição por parte da platéia.
Não há como não notar os artifícios usados pelo roteiro para conquistar a empatia do público. E é aí que mora o grande trunfo do filme. Mesmo tendo ciência de que tudo acontece como forma de manipular os sentimentos dos espectadores, não podemos conter às lágrimas e o sorriso ao final feliz, já esperado na estória. Maniqueísmo, trilha comovente, contraste entre o mundo dos ricos e dos pobres: tudo contribuindo para tal fim. E a intimidade de pai e filho fora das telas proporciona ótimos momentos também em cena. Mas ao contrário do que diga, a estrela do pequeno Jaden Smith não ofusca o brilho de Will, que mostrou mais uma vez ter talento para a arte dramática e fez por merecer a indicação ao Oscar.
À Procura da Felicidade é mais que um filme simpático desde o pôster ao carisma dos atores. É uma ode à perseverança e ao trabalho. Obviamente o filme esqueceu de contar o lado daqueles que mesmo com muita garra não alcançaram a tal felicidade da tela, financeiramente falando. Aqui, é preferido deixar isso de lado e aproveitar a leveza de um conto de fadas.
Créditos
Produção: Todd Black, Jason Blumenthal, James Lassiter, Will Smith, Steve Tisch, Teddy Zee
Música: Andrea Guerra
Fotografia: Phedon Papamichael
Desenho de Produção: J. Michael Riva
Figurino: Sharen Davis
Edição: Hughes Winborne
Site Oficial: www.aprocuradafelicidade.com.br

A Conquista de Clint Eastwood

A Conquista da Honra

(Flags of Our Fathers, Estados Unidos, 2006)

Estúdio e Distribuição: DreamWorks/Warner Bros./Paramount Pictures
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: William Broyles Jr., Paul Haggis
Elenco: Ryan Phillippe, Jesse Bradford, Adam Beach, John Benjamin Hickey, John Slattery, Barry Pepper, Jamie Bell, Paul Walker, Robert Patrick, Neal McDonough, Melanie Lynskey, Thomas McCarthy, Chris Bauer, Judith Ivey, Myra Turley, Joseph Cross, Benjamin Walker, Alessandro Mastrobuono, Oliver Davis, Jon Polito
Gênero: Drama
Duração: 132 min

A Conquista da Honra é o primeiro de dois filmes do diretor Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima, entre americanos e japoneses durante a segunda Grande Guerra. Na ilha, onde morreram mais de sete mil americanos e vinte mil japoneses, uma foto tirada da substituição de uma bandeira foi enviada para o mundo e mudou os rumos da guerra. Em uma campanha para gerar fundos para a operação americana no oriente, foram lançados dois dos cinco fuzileiros e o efermeiro da marinha que ilustram a foto. Com os cofres cheios, o exército estadunidense consguiu vencer a guerra em pouco menos de um mês. Alternando momentos vividos no campo de batalha, a jornada empreendida por estes três jovens em campanha pelo governo e a pesquisa feita por James Bradley (Thomas McCarthy), autor do livro que deu origem ao filme, Eastwood constrói bem mais do que um filme de guerra: um filme sobre relações humanas, marca registrada do cineasta.
Impossível não se emocionar ao assistir a uma das mais cruéis invenções do homem, a guerra. Batalhas sangrentas, mães chorosas e combatentes desiludidos com o destino. É assim que Eastwood faz uma crítica ao uso de um símbolo para a conquista de interesses políticos. Assistimos desolados ao drama de muitos jovens e suas famílias e acompanhamos de perto três deles. John "Doc" Bradley (Ryan Phillippe, surpreendentemente bem), Rene Gagnon (Jesse Bradford) e Ira Hayes (o excelente Adam Beach). Na campanha de arrecadação, os três jovens enfrentam uma guerraa interior. Ao mesmo tempo em que lutam pela honra dos amigos e companheiros que morreram em solo japonês , debatem-se com a farsa criada pelo governo para a vitória fincanceira, objetivo que os fará marionetes em um grande espetáculo daqueles que a sociedade americana faz questão de adorar.
O único momento que distoa das intensões de Clint é aquele em que a tal fotografia é registrada. A posição do diretor é a de que aquele momento não representou avanço nenhum para as tropas aliadas. E de fato, não o fez. Mas a trilha sonora que acompanha uma simples troca de bandeiras (a bandeira america já havia sido hasteada por outros quatro fuzileiros anteriormente) dá um toque de grandeza à cena.
A cena final, em que os soldados deixam de lado as batalhas para um momento de lazer na beira da praia e a narração de James Bradley representam o espírito do filme. Agora nos resta esperar por Cartas de Iwo Jima, a versão japonesa da mesma batalha.
Créditos
Produção: Clint Eastwood, Steven Spielberg, Robert Lorenz
Música: Clint Eastwood
Fotografia: Tom Stern
Desenho de Produção: Henry Bumstead
Direção de Arte: Adrian Gorton e Jack G. Taylor Jr.
Figurino: Deborah Hopper Edição: Joel Cox
Efeitos Especiais: Digital Domain/Tinsley Transfers Inc. Site Oficial: www.aconquistadahonra.com.br

Monday, February 05, 2007

Notas

Scorsese leva prêmio de diretores
O diretor Martin Scorsese levou no último fim de semana o prêmio do Sindicato Americano dos Diretores pelo trabalho em Os Infiltrados. A conquista em cima de Alejandro González Iñárritu (Babel), Bill Condon (Dreamgirls), Stephen Frears (A Rainha) e da dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine) dá fôlego a tentativa de Scorses ganhar o seu primeiro Oscar, logo mais no dia 25.

Baixio das Bestas vence em Roterdã
O brasileiro Baixio das Bestas foi um dos vencedores do Festival de Roterdã, importante para o cinema independente na Europa. Além do filme de Cláudio Assis (Amarelo Manga), levaram o prêmio Love Conquers All, de Tan Chui Mui (Malásia), The Unpolished, de Pia Marais (Alemanha) e AFR, de Morten Hartz Kaplers (Dinamarca).

Saturday, February 03, 2007

A Lista Comentada

Passada a euforia inicial com a divulgação da lista de indicados ao Oscar e mais próximo da cerimônia de entrega dos prêmios, podemos comentar com calma a lista categoria a categoria e começar nossas apostas.
Melhor Ator
Leonardo DiCaprio (Diamante de Sangue)
Ryan Gosling (Half Nelson)
Peter O'Toole (Venus)
Will Smith (À Procura da Felicidade)
Forest Withaker (O Último Rei da Escócia)
A indicação de Leonardo DiCaprio por Diamante de Sangue, ao invés de Os Infiltrados, só abre caminho para a vitória já prevista de Forest Withaker.
Melhor Ator Coadjuvante

Alan Arkin (Pequena Miss Sunshine)
Jackie Earle Haley (Pecados Íntimos)
Djimon Hounsou (Diamante de Sangue)
Eddie Murphy (Dreamgirls)
Mark Whalberg (Os Infiltrados)
A ausência de Jack Nicholson por Os Infiltrados me faz apostar no retorno de Eddie Murphy.
Melhor Atriz
Penélope Cruz (Volver)
Judi Dench (Notas sobre um Escândalo)
Helen Mirren (A Rainha)
Meryl Streep (O Diabo Veste Prada)
Kate Winslet (Pecados Íntimos)
Este ano, deixo de lado minha admiração e adoração por Kate Winslet e fico na torcida por Penélope Cruz. Mas quem deve ganhar mesmo é Helen Mirren. Isso se a queridinha da academia, Meryl Streep, não surpreender.
Melhor Atriz Coadjuvante
Adriana Barraza (Babel)
Cate Blanchett (Notas sobre um Escândalo)
Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine)
Jennifer Hudson (Dreamgirls)
Rinko Kikuchi (Babel)
Apesar da adoração da Academia por crianças e das ótimas performances de Adriana Barraza e Rinko Kikuchi, a estatueta deve parar nas mãos da ex-American Idol Jennifer Hudson.
Melhor Animação
Carros
Happy Feet
A Casa Monstro
Torço por Happy Feet. No entanto, é mais provável que a Pixar saia vencedora novamente com o seu Carros.
Melhor Direção de Arte
Dreamgirls
O Bom Pastor
O Labirinto do Fauno
Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte
O Grande Truque
De olhos fechados, O Labirinto do Fauno.
Melhor Fotografia
Dália Negra
Children of Men
O Ilusionista
O Labirinto do Fauno
O Grande Truque

Dália Negra e seus contrastes de claro e escuro típico do cinema noir merecem o prêmio.
Melhor Figurino
Curse of The Golden Flower
O Diabo Veste Prada
Dreamgirls
Maria Antonieta
A Rainha

Páreo duro. Os votantes vão ter que escolher entre a alta-costura de O Diabo Veste Prada, o luxo e inovação de Maria Antonieta, os figurinos coordenados de Dreamgirls e as vestes impecáveis da realeza britânica em A Rainha.
Melhor Direção
Alejandro Gonzáles Iñárritu (Babel)
Martin Scorsese (Os Infiltrados)
Clint Eastwood (Cartas de Iwo Jima)
Stephen Frears (A Rainha)
Paul Greengrass (Vôo United 93)

A disputa entre Scorsese e Clint Eastwood promete esquentar a cerimônia mais uma vez.
Melhor Documentário
Deliver us from Evil
Uma Verdade Incoveniente
Iraq in Fragments
Jesus Camp
My Country, my Country

Com tema atual e no meio liberal de Hollywood, é muito provável que o vencedor seja Al Gore e sua verdade incoveniente.
Melhor Edição
Babel
Diamante de Sangue
Children of Men
Os Infiltrados
Vôo United 93

Aqui, aposto minhas fichas em Babel ou Os Infiltrados.
Melhor Filme em Língua Estrangeira
After the Wedding (Dinamarca)
Days of Glory (Argélia)
The Lives of Others (Alemanha)
O Labirinto do Fauno (México)
Water (Canadá)

A não-indicação de Volver do espanhol Pedro Almodóvar abre caminho para a vitória de O Labirinto do Fauno. Mas a possível premiação do longa em outra categoria pode deixar o diretor Gillermo del Toro sem essa estatueta.
Melhor Maquiagem
Apocalypto
Click
O Labirinto do Fauno

A tendência seria apostar em Apocalypto, mas a relação custo-benefício favorece o filme mexicano que contou com apenas US$ 6 milhões contra os US$ 40 milhões do concorrente.
Melhor Trilha Sonora Original
Babel
The Good German
Notas sobre um Escândalo
O Labirinto do Fauno
A Rainha

Fico com a trilha de Gustavo Santaolalla em Babel.
Melhor Canção Original
I Need to Wake Up (Uma Verdade Incoveniente)
Listen (Dreamgirls)
Love You I Do (Dreamgirls)
Patience (Dreamgirls)
Our Town (Carros)

Se Dreamgirls, depois das três indicações, sair da premiação sem vencer nesta categoria será o maior fiasco de todos os tempos. Essa tripla indicação também implica que vamos ver e ouvir Beyoncé muitas vezes como na cerimônia de 2005, quando a Academia proibiu os intérpretes originais de se apresentarem e convidou a musa do r&b para cantar.
Melhor Filme
Babel
Os Infiltrados
Cartas de Iwo Jima
Pequena Miss Sunshine
A Rainha

A indicação de Clint Eastwood nesta categoria enquanto a imprensa estrangeira o preteriu só demonstra o quanto a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas gosta de Clint. Te cuida Scorsese! E Pequena Miss Sunshine corre por fora. Agora, depois das duas últimas premiações, mais ainda.
Melhor Edição de Som
Apocalypto
Diamante de Sangue
A Conquista da Honra
Cartas de Iwo Jima
Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte
Sentindo a ausência de O Grande Truque, fico com Apocalypto.
Melhor Som
Apocalypto
Diamante de Sangue
Dreamgirls
A Conquista da Honra
Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte

Dreamgirls divide as chances com Apocalypto. Diamante de Sangue e A Conquista da Honra têm chance quando a tendência é distribuir os prêmios ao invés de concentrar.
Melhor Efeitos Visuais
Piratas do Caribe 2: O Baú da Morte
Poseidon
Superman: O Retorno
Superman e Piratas do Caribe têm mais chances de levar essa.
Melhor Roteiro Adaptado
Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País do Cazaquistão Viaja à América
Children of Men
Os Infiltrados
Pecados Íntimos
Notas sobre um Escândalo
Borat, Pecados Íntimos e Notas sobre um Escândalo são favoritos.
Melhor Roteiro Original
Babel
Cartas de Iwo Jima
Pequena Miss Sunshine
O Labirinto do Fauno
A Rainha
A Rainha levou o Globo de Ouro, mas ainda aposto em Babel ou Pequena Miss Sunshine.

São também indicados em outras categorias: Binta y la Gran Idea, Éramos Pocos, Helmer & Son, The Saviour e West Bank Story disputando o prêmio de melhor documentário em curta-metragem; e The Danish Poet, Lifted, The Little Matchgirl, Maestro e No Time for Nuts na briga pelo Oscar de melhor curta de animação.

Friday, February 02, 2007

Crônica de uma Fuga

(Crónica de una Fuga, Argentina, 2006)

Estúdio: 20th Century Fox de Argentina/K&S Productions/Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales
Distribuição: Fox Film do Brasi /The Weinstein Company
Direção: Adrián Caetano
Roteiro: Esteban Student, Adrián Caetano, Julian Loyola
Elenco: Rodrigo de la Serna, Pablo Echarri, Nazareno Casero, Diego Alonso, Guillermo Fernández, Rito Fernández, Leonardo Bargiga, Luis Enrique Caetano, Martín Urruty, Matías Marmorato, Lautaro Delgado
Gênero: Drama
Duração: 103 min

Baseado em fatos reais, o filme narra a história de Claudio Tamburrini (Rodrigo de la Serna), goleiro de um time da segunda divisão, levado a uma mansão famosa por abrigar uma prisão clandestina na época da ditadura argentina. Tamburrini é acusado por um outro preso de envolvimento com o partido comunista e junto a outra dezena de jovens é mantido sob torturas intensas por meses a fios. Em uma noite, quando ele e outros três companheiros de "cela" seriam mortos pelos seus algozes, Tamburrini comanda uma fuga do cativeiro.
O filme recebeu uma indicação ao Independent Spirit Awards como melhor filme estrangeiro e o diretor Adrián Caetano que no início promete não poupar o estômago dos espectadores acaba evitando cenas mais fortes. Mais um retrato da terrível gama de ditaduras que assolou a América Latina na segunda metade do século XX. Talvez não choque por um desconto nas cenas de violência ou ainda, como sugeriu uma amiga, pela banalização do tema que, infelizmente, toma conta da sociedade.
O destaque do filme é certamente Rodrigo de la Serna e sua ótima atuação, assim como em Diários de Motocicleta. A direção de Adrián Caetano apresenta ângulos interessantes e faz um bom trabalho, mas o roteiro realizado em parceria com Esteban Student e Julian Loyola peca pela ambientação um tanto rasa.
Créditos
Produção: Óscar Kramer, Hugo Sigman
Música: Iván Wyszogrod
Fotografia: Julián Apezteguia
Direção de Arte: Jorge Ferrari, Juan Mario Roust
Figurino: Natalia Alayon, Juan Antonio Monti, Julio Suárez
Edição: Alberto Ponce
Efeitos Especiais: Fx Stunt Team
Site Oficial: www.cronicadeunafuga.com

Thursday, February 01, 2007

DreamWorks e Aardman encerram parceria

As duas empresas do ramo de animações decidiram cancelar a parceria que já produziu os sucessos A Fuga das Galinhas e Wallace & Gromit - A Batalha dos Vegetais após o fracasso de Por Água Abaixo. Estima-se que o prejuízo que o filme produziu nos cofres dos dois estúdios seja maior que US$ 100 milhões. Leia mais aqui.