Friday, April 27, 2007

Um domingo, duas comédias

Há umas duas semanas, tirei o domingo para assistir a duas comédias que foram muito comentadas no início do ano. O resultado desta maratona: uma delas merece um lugar garantido na sua coleção particular. A outra deve ser esquecida imediatamente.
Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América

(Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Gloriou Nation of Kazakhstan, Estados Unidos, 2006)
Estúdio: One America / Dune Entertainment / Four by Two / Everyman Pictures / Major Studio Partners
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: Larry Charles
Roteiro: Peter Baynham, Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Dan Mazer
Elenco: Sacha Baron Cohen, Ken Davitian, Luenell, Pamela Anderson, Bob Barr, Bobby Rowe, Alan Keyes, Mariam Behar, Spirea Ciorobea, Michael Psenicksa, Jim Sell, Larry Walker, Linda Stein
Gênero: Comédia
Duração: 84 min

Já conhecia essa e outras personagens do ator britânico Sacha Baron Cohen e confesso que nunca me fizeram rir. Após assistir ao trailer, a vontade de assistir ao filme diminuiu. Mas tinha que descobrir o que se falava tanto a respeito dele. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que os 84 minutos de película são muitos para o nada que ele representa. Piadas grotescas e escatológicas que passam longe do pretendido humor politicamente incorreto. Até o Pânico na TV consegue mais do que isso. E pensar que o filme ganhou uma indicação ao Oscar de melhor roteiro e que Sacha Baron Cohen levou pra casa o Globo de Ouro de melhor ator em comédia. Alívio mesmo é saber que o sofrimento dura pouco: 84 minutos que parecem uma eternidade de baboseiras.
Créditos (ou seria culpa?)
Produção: Jay Roach, Sacha Baron Cohen
Música: Erran Baron Cohen
Fotografia: Luke Geissbuhler, Anthony Hardwick
Desenho de Produção: Dan Toader
Direção de Arte: David Maturana
Figurino: Jaosn Alper
Edição: Craig Alpert, Peter Teschner, James Thomas
Efeitos Especiais: Yard VFX
Site Oficial: www.boratmovie.com
Mais Estranho que a Ficção
(Stranger Than Fiction, Estados Unidos, 2006)
Estúdio: Mandate Pictures / Three Strange Angels / Crick Pictures LLC
Distribuição: Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment
Direção: Marc Forster
Roteiro: Zach Helm
Elenco: Will Ferrell, Maggie Gyllenhaal, Dustin Hoffman, Queen Latifah, Emma Thompson
Gênero: Comédia
Duração: 113 min
Harold Crick (Will Ferrell) é um funcionário da Receita Federal que leva uma vida sem graça. O que Harold faz de mais importante em sua vida resume-se a contar as escovadas durante a higienização bucal e os passos até à parada de ônibus. Dando continuidade à sua existência metódica e compulsiva, ele passa a escutar uma voz feminina que narra o seu dia-a-dia e os seus pensamentos. O que acontece é que Harold Crick é a mais nova personagem do mais novo romance da escritora Kay Eiffel (Emma Thompson). Ao descobrir pela voz de Kay que está prestes a morrer, o contador busca ajuda com o professor Jules Hilbert, fã do trabalho da escritora. É com esse argumento, no mínimo, interessante que Zach Helm constrói o seu roteiro permeado de oscilações entra a comédia e a tragédia. Nem o próprio Harold sabe se vive em um drama ou em situações cômicas. Quem dirá os espectadores. Então como é possível classificar o filme como uma comédia? Uma dica: ao final da exibição, você também saberá.
Mas essas transições constantes entre os dois gêneros que Woody Allen tentou sem êxitos em Melinda e Melinda (também com Ferrell no elenco), não seria possóvel sem a competente direção de Marc Forster que as faz sem linhas definidas e o trabalho dos cinco atores que dispensa comentários. Will Ferrell, Maggie Gyllenhaal, Dustin Hoffman e Emma Thompson merecm menções honrosas aqui. Mais Estranho que a Ficção é sem dúvida um filme para se guardar na memória. Fica a indignação de sua não indicação ao Oscar como melhor roteiro original.
Créditos
Produção: Lindsay Doran
Música: Britt Daniel, Brian Reitzell
Fotografia: Roberto Schaefer
Desenho de Produção: Kevin Thompson
Direção de Arte: Craig Jackson
Figurino: Frank L. Fleming
Edição: Matt Chesse
Efeitos Especiais: Digital Dimension / Proof / Fiction Science / Intelligent Creatures Inc. / MK 12 / Mokko Studio / Klon Films / Bar X Seven / Double Negative
Site Oficial: http://www.sonypictures.com/movies/strangerthanfiction/

Wednesday, April 25, 2007

Arthur e os Minimoys

(Arthur and the Minimoys, França, 2006)

Estúdio: Canal+ / Europa Corp. / Sofica Europacorp / Apipoulaï/ Avalanche Productions
Distribuição: MGM / The Weinstein Company / TF1 / Europa Filmes
Direção e Roteiro: Luc Besson
Elenco: Freddie Highmore, Mia Farrow, Ron Crawford, Penny Balfour, Madonna, David Bowie, Doug Rand, Snoop Dogg, Robet De Niro, Harvey Keitel, Anthony Anderson, Chazz Palminteri
Gênero: Animação
Duração: 102 min

Arthur e os Minimoys narra a estória de Arthur (Freddie Highmore) após o desaparecimento misterioso do avô. Com os pais ausentes a causa de viagens e de férias na casa d0a avó (Mia Farrow), o garoto passa os dias no escritório imerso no mundo de fantasias criado pelo avô. Em suas anotações, ele conhece os Minimoys, pequeninos seres que habitam o jardim da fazenda e guardam consigo um tesouro. Para livrar a avó do despejo, Arthur decide embarcar em uma missão pelas terras dos Minimoys em busca deste tesouro.
O ritmo de aventura marcado por Besson e os elementos do filme lembram O Quinto Elemento. Uma dupla de protagonistas envolvidos sentimentalmente, comédia, trilha sonora afinada com a mis en scène, muita ação e ficção científica fazem deste novo trabalho do diretor francês uma adaptação infantil de um dos seus clássicos. Mas isso não tira a diversão dos adultos que parecem gostar do longa tanto ou mais do que as crianças.
Animação impecável, roteiro bem amarrado, direção mais do que competente, elenco famoso e com boas atuações. Isso sem falar nas referências que vão deixar os cinéfilos com um sorriso no rosto. Enfim, tudo o que uma animação precisa para conquistar o público infantil e adulto e entrar para o seleto grupo das melhores.
Créditos
Produção: Luc Besson, Emmanuel Prévost
Música: Eric Serra
Fotografia: Thierry Arbogast
Desenho de Produção: Hugues Tissandier
Direção de Arte: Patrice Garcia, Philippe Rouchier
Figurino: Olivier Bériot
Efeitos Especiais: BUF
Site Oficial: http://www.arthur-movie.com/

Tuesday, April 24, 2007

Cartas de Iwo Jima


(Letters from Iwo Jima, Estados Unidos, 2006)

Estúdio: DreamWorks SKG/Warner Bros. Pictures/Malpaso Productions/Amblin Entertainment
Distribuição: Warner Bros./Paramount Pictures
Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Iris Yamashita
Elenco: Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya, Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Shido Nakamura, Hiroshi Watanabe, Takumi Bando, Yuki Matsuzaki, Takashi Yamaguchi, Eijiro Ozaki, Nae Yuuki, Nobumasa Sakagami, Lucas Elliott, Steve Santa Sekiyoshi, Hiro Abe, Toshiya Agata, Yoshi Ishii, Toshi Toda, Ken Kensei, Ikuma Ando, Masashi Nagadoi, Mark Moses, Roxanne Hart
Gênero: Drama
Duração: 141 min

O segundo filme de Clint Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima surgiu quando nas filmagens de A Conquista da Honra, o diretor entrou em contato com cartas do General Tadamichi Kuribayashi. Foi aí que Paul Haggis, roteirista do lado americano da história sugeriu o nome da japonesa Iris Yamashita para construir a narração sob o ponto de vista japonês. Clint Eastwood conseguiu o imaginável: construiu um filme completamente diferente do antecessor. Enquanto, A Conquista da Honra leva a cara de Hollywood, Cartas de Iwo Jima se aproxima muito do cinema japonês. Além de ser falado no idioma original das personagens, o clima conferido à película parece ser exatamente o que um diretor nipônico escolheria dar.
A história é contada a partir de cartas do General Kuribayashi (Ken Watanabe), do soldado Saigo (Kazunari Ninomiya) e de outras personagens. Kuribayashi estudou táticas de guerrilha em terras inimigas e, por isso, parece ser o comandante ideal para levar a resistência japonesa o mais longe possível já que a vitória não é mais uma possibilidade. Enfrentando a oposição de outros militares aos seus planos e o sucicídio de boa parte dos soldados, o General tem que lutar para salvar a dignidade de seu exército e país.
A derrota e o massacre paira sob as cabeças dos combatentes comanda a atmosfera do filme, tratado com um filtro verde. A trilha sonora minimalista sempre presente ajuda na melancolia dos fatos apresentados. Definitivamente, Cartas de Iwo Jima não teria o mesmo impacto sem A Conquista da Honra e vice-versa. Não que a versão japonesa seja melhor, mas o contraste entre a falsa euforia americana do primeiro e a apatia japonesa do segundo é decisivo para a grandeza da obra do diretor americano, que provou ser um dos melhores diretores em exercícios pelo senso de oportunidade e pela sensibilidade ao tratar de questões éticas e conflitos internos, como o faz sempre de forma exemplar em todos os filmes.
Créditos
Produção: Clint Eastwood, Steven Spielberg, Robert Lorenz
Música: Kyle Eastwood, Michael Stevens
Fotografia: Tom Stern
Desenho de Produção: Henry Bumstead, James J. Murakami
Figurino: Deborah Hopper
Edição: Joel Cox, Gary Roach
Site Oficial: iwojimathemovie.warnerbros.com/lettersofiwojima

Monday, April 23, 2007

Rock Balboa

(Rock Balboa, Estados Unidos, 2006)

Estúdio/Distribuição: MGM/20th Century Fox Film Company
Direção e Roteiro: Sylvester Stallone
Elenco: Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia, Geraldine Hughes, James Francis Kelly III, Tony Burton, A.J. Benza, Henry G. Sanders, Antonio Tarver, Pedro Lovell, Ana Gerena, Angela Boyd, Louis Giansante, Carter Mitchell, Vinod Kumar, Robert Michael Kelly, Mike Tyson, LeRoy Neiman, Lou DiBella
Gênero: Drama
Duração: 102 min

Trinta anos depois da realização de Rock, Um Lutador, Sylvester Stallone revive uma de suas mais famosas personagens em Rock Balboa. Rock (Sylvester Stallone) aparece como dono de um restaurante que leva o nome da esposa que agora está morta. À noite, ele revive as glórias do passado contando aos clientes anedotas e histórias de lutador. Apesar da forte ligação com Adrian (Talia Shire), o ex-boxeador segue tentando levar a vida adiante. No meio tempo, Rock Balboa Jr. (Milo Ventimiglia) é obrigado a conviver com a sombra do pai famoso. Suprindo a necessidade de manter uma relação pai-e-filho, Rock pai aproxima-se do filho de Marie (Geraldine Hughes), outra personagem de seu passado. Afora os dramas pessoais, ele ainda decide enfrentar o atual campeão dos pesos pesados que aparece em uma simulação de computador derrotado pelo outrora bicampeão.
Surpreendentemente, Stallone consegue um ótimo filme com um roteiro eficiente e direção competente, que refletem, quiçá, os sentimentos do próprio ator afastados das telonas por muito tempo. As relações intrapessoais, ou seja, os conflitos internos do lutador e das outras personagens foram trabalhados com excelência no longa-metragem. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito das relações interpessoais, sejam elas entre Rock e o filho, Rock e Marie ou ainda Rock e Steps (James Francis Kelly III), filho de Marie. Mas isso não tira o brilho de Rock Balboa, que merece ser visto na telona.
Créditos
Produção: William Chartoff, Kevin King, Charles Winkler, David Winkler
Música: Bill Conti
Fotografia: J. Clark Mathis
Desenho de Produção: Franco-Giacomo Carbone
Direção de Arte: Michael Atwell, Jesse Rosenthal
Figurino: Gretchen Patch
Edição: Sean Albertson
Site Oficial: www.mgm.com/rocky