Qual o limite da interpretação?

 O que pode e o que não pode na arte de atuar?

Como dizia Nelson Rodrigues: “Cada um de nós morre uma única e escassa vez. Só o ator é reincidente. O ator ou a atriz pode morrer todas as noites e duas vezes aos sábados e domingos”. Impulsionado pelas polêmicas cenas de sexo reais e declarações pós filme do atual vencedor da Palma de Ouro em Cannes, La Vie d’Adele, do cineasta tunisiano Abdellatif Kechiche (A Esquiva), resolvemos criar uma saudável discussão sobre os limites – ou não - que os artistas podem ir para passar a veracidade que determinadas cenas de alguns filmes pedem.

Não é de hoje que conferimos nas telonas histórias fortes no cinema. Tão fortes que imaginamos se realmente aquilo que estamos assistindo é uma encenação ou realmente foi filmado na íntegra, sem cortes ou dublês. O público reage de diversas maneiras mas na maioria dos casos se sente incomodado com tamanha condução real para uma obra ficcional. Abaixo fizemos uma lista com os filmes mais polêmicos, contendo cenas de sexo reais, no mundo do cinema.

Em 1976, o cineasta japonês Nagisa Oshima lançou um dos seus filmes mais polêmicos Impérios dos Sentidos. O longa, censurado em muitos países, contém relações sexuais reais - a maioria entre o ator chinês Eiko Matsuda e a atriz japonesa Tatsuya Fuji - diversas performances de sexo oral e a inserção de um ovo em uma vagina. Só com esses pequenos detalhes já podem perceber o rebuliço que o filme causou em uma década ainda cheia de preconceitos e pré-conceitos cinematograficamente falando.

Dirigido pelo italiano Tinto Brass (Paprika) - famoso por seus filmes com alto conteúdo sensual -, chegou aos cinemas em 1979 mais um filme polêmico interpretado pelo sumido Malcolm McDowell (Laranja Mecânica), Calígula.  O longa metragem roteirizado por Gore Vidal (O Psicólogo) contém varias relações sexuais explicitas, e inclusive uma cena de verdadeiro swing com penetrações e sexo oral.

Já no século XXI, os filmes com cenas reais de sexo continuaram a aparecer. Em 2004, o espanhol 9 Canções recebeu elogios da crítica especializada ms não deixou de chocar o público. Dirigido pelo britânico Michael Winterbottom (O Assassino em Mim) o longa conta a história de uma amor carnal movido a canções num quarto e hotel. Vários cenas de sexo entre atriz Margo Stilley (Um Louco Apaixonado) e o ator Kieran O'Brien (O Olhar do Amor), incluindo penetração, felação e ejaculação do ator são mostradas de todas as formas.

No filme, rotulado como cult, Shortbus (2006), do cineasta texano John Cameron Mitchell (Reencontrando a Felicidade) vários atores, incluindo a personalidade da TV e cantora Sook-Yin Lee (Toronto Stories), executam atos sexual reais na frente das câmeras. A personagem de Lee é a mais interessante do filme, uma terapeuta que nunca teve um orgasmo. É um filme que você fica chocado com as cenas explícitas mas o filme é inteligente se tornando muito mais que cenas de sexo na frente da câmera.

Em 2008, o diretor dinamarquês Lars Von Trier (Melancolia) chegou aos cinemas com o seu filme O Anticristo e deixou a plateia em Cannes (primeiro lugar de exibição do longa) em pânico! Logo na primeira cena do filme, uma câmera lenta foca em uma penetração sexual, que evolui para a personagem de Charlote Gainsbourg decepando seu clitóris com uma tesoura. Um filme idolatrado por alguns e odiado por outros. Não tenham dúvidas de que Von Trier é atualmente o cineasta mais polêmico em atividade no mundo mágico do cinema.

Neste ano, os cinéfilos foram surpreendidos por mais um filme polêmico, neste sentido sexual. O drama francês La Vie d’Adele, adaptação de uma história em quadrinhos francesa de 2010, intitulada Le bleu est une couleur chaude, conta a história da descoberta do amor aos olhos de uma menina de 15 anos. O polêmico longa de Abdellatif Kechiche  inclui cenas de sexo reais, feitas entre as atrizes Léa Seydoux (Adeus, Minha Rainha) e Adèle Exarchopoulos.

E você? O que acha disso tudo? É válido tamanha doação para uma obra ficcional?


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