Crítica do filme: "Robocop" (2014)

  • fevereiro 14, 2014
  • By Raphael Camacho
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O que é mais importante do que a segurança do povo? Resgatando com grande genialidade um super-herói esquecido de todos nós cinéfilos, o diretor brasileiro José Padilha surpreende o mundo do cinema no seu novo trabalho Robocop. Criando um remake infinitamente superior ao original do cineasta holandês Paul Verhoeven, Padilha utilizou os U$$ 130 milhoes que teve de orçamento de maneira inteligente focando nos fervorosos embates políticos sobre máquinas como forma de segurança mas sem esquecer as espetaculares cenas de acao que sao necessárias nesse tipo de filme. Utilizando toda sua experiência no cinema e utilizando recursos tecnológicos avançados transformam Robocop, sem dúvidas, em um trabalho de primeira linha desse nosso grande diretor.

Na trama,  ambientada em 2028 na cidade de Detroit, conhecemos o incorruptível detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman)  que diariamente luta contra os criminosos da cidade, além de colegas de corporação extremamente corruptos. Certo dia, após chegar em casa depois de mais um dia cansativo, sofre um atentado na porta de casa ficando em estado grave, à beira da morte.  Sua sorte é que a equipe do Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) estava procurando exatamente um ex-policial que sofrera algum tipo de acidente para criar um robô de combate ao crime, financiado pelo bilionário Raymond Sellars (Michael Keaton). Alex então vira Robocop, um super policial, sem se esquecer de sua mulher e seu filho. Assim, luta contra o crime e busca sua verdadeira personalidade em meio ao caos político que se instaura em sua cidade.

Uma importante contextualização no início do filme é uma das grandes sacadas do roteiro para que o público se sinta muito próximo das ações dos personagens. As vezes tratado como fantoche pelo magnata que o constrói, Alex Murphy / RoboCop é muito mais do que uma maquina contra o crime. A sensibilidade, a alma, o coração de Alex é muito bem conduzida pelas lentes certeiras de padilha. Sentimos e entendemos as reações do personagem como se ele fosse um velho conhecido nosso.  A questão da família também se torna importante, fazendo com que o personagem se descontrua e se construa com brilhantismo.

Um dos motivos que faz esse remake superar o original homônimo é o fato de que sabe como explorar a relação pessoal do ex-detetive de maneira nua e crua, além de dar grande destaque  a mídia exibicionista, comandada pelo inspirado Samuel L. Jackson que dá um show sempre que aparece em cena na pele de Pat Novak,  sem esquecer em nenhum momento que trata-se de um filme de acao e por isso muitos tiros e cenas espetaculares recheiam inúmeras sequencias.

Um debate interessante sobre a ilusão do livre arbítrio em que o personagem título é exposto vai gerar opnioes diversas entre o público, o que claramente era uma das intenções do filme, jogar o público para dentro dos debates que ocorrem na trama. Com direito a dedilhadas robóticas no violão, a participação especial de Frank Sinatra cantando “Fly me to the Moon”  para o restabelecimento de boas memórias e um Samuel L. Jackson inspirado, Robocop crava de vez o nome de Jose Padilha como um dos grandes diretores de filmes de acao do momento atual do cinema mundial. Orgulho tupiniquim na terra do Tio Sam. Bravo!



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