12/02/2017

Crítica do filme: 'Lion: Uma Jornada Para Casa'



Veja os problemas como pequenos milagres que podem trazer-lhe sabedoria e mudança. Baseada na obra A Long Way Home, de Saroo Brierley (protagonista da história), Lion: Uma Jornada Para Casa é um filme que comove mesmo com alguns problemas no seu confuso roteiro. Dirigido pelo cineasta australiano Garth Davis, em sua primeira aventura em longas de ficção, o filme foi indicado ao Oscar 2017 nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Dev Patel), Melhor Atriz Coadjuvante (Nicole Kidman), Roteiro Adaptado e Fotografia. Mesmo com essas indicações todas, talvez seja um dos filmes mais fracos na forte lista de filmes da principal premiação de cinema do mundo.

Na trama, conhecemos a incrível história de Saroo Munshi (Sunny Pawar na fase criança e Dev Patel na fase adulta), um menino que com cinco anos acaba se perdendo de seu irmão mais velho em uma estação de trem na Índia e acaba vivendo dias intensos fugindo de diversos obstáculos e tendo a sorte de conseguir encontrar um lar bem longe dali, na Austrália, através da adoção do casal John (David Wenham) e Sue (Nicole Kidman). Quando mais velho, acende dentro dele um enorme desejo de reencontrar sua família na Índia e assim, com a ajuda do Google Earth, consegue bolar um plano para tentar encontrá-los mesmo que isso mexa demais com sua atual vida e principalmente com seus relacionamentos com a família e a namorada Lucy (Rooney Mara). 

O primeiro arco da fita é muito interessante e nos dá uma grande base de informações para entendermos parte da incrível história mostrada, acompanhamos todas as dificuldades e desafios, com muitas pitadas de sorte, que o jovem protagonista enfrentou até conseguir ser adotado por uma família australiana. Mas a partir do segundo ato, já na fase adulta do personagem principal, tudo se confunde, há uma espécie de metáfora embutida em algumas cenas, um paralelo com as emoções de Saroo, não muito convincentes. Parece que na segunda parte do filme, o roteiro buscou a fórmula dos blockbusters hollywoodianos e fez uma grande confusão de referências, além de personagens importantes praticamente nulos na trama (como o pai e a namorada do protagonista interpretada por Rooney Mara). 

O filme não é ruim, longe disso. Algumas cenas são comoventes e exploram com muita eficiência toda a emoção que transborda, principalmente nas diálogos entre mãe e filho, méritos também para as boas atuações de Kidman e Patel nesses momentos. Mas falta ao roteiro um pouco mais de informação ao público sobre algumas lacunas que ficam sem respostas.  Lion: Uma Jornada Para Casa, estreia no Brasil nas próximas semanas e pode ser que agrade boa parte do público. É um filme que fala sobre família, sofrimento, redescobertas e uma busca constante em encontrar respostas para se seguir em frente.


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Crítica do filme: 'Quase 18'



Na adolescência tudo parece o fim do mundo, mais é apenas o começo. Escrito e dirigido pela estreante em direção de longas metragens Kelly Fremon Craig, Quase 18 é uma grande aventura na estrada sempre complicada da adolescência. Diferente de outros longas com o tema que não conseguem reunir um grupo de situações/argumentos interessantes, Quase 18 navega com muita sabedoria e honestidade nessas águas conturbadas dessa fase da vida. O elenco é de primeira, encabeçado pela jovem veterana Hailee Steinfeld e com coadjuvantes de peso como os ótimos Woody Harrelson e Kyra Sedgwick. 

Na trama, conhecemos a ‘aborrecente’ Nadine (Hailee Steinfeld), uma jovem com diversas dificuldades em se socializar com pessoas de sua idade que acaba perdendo seu pai, um dos seus únicos portos seguros. Sua relação com sua mãe Mona (Kyra Sedgwick) e seu irmão Darian (Blake Jenner) sempre foi complicada e as coisas só pioram quando uma de suas poucas amigas Krista (Haley Lu Richardson) acaba se apaixonando pelo seu irmão. Assim, ao longo dos conflituosos dias, Nadine terá que viver situações para chegar ao verdadeiro entendimento sobre os valores da vida, para isso contará com a ajuda inusitada de seu professor Mr. Brunner (Woody Harrelson).

O roteiro, escrito pela diretora, é excelente. Passamos em cerca 105 minutos por algumas fases da vida da protagonista, uma adolescente rebelde que mantém um relacionamento extremamente difícil com sua família. No primeiro arco, vemos uma fase pré adolescente que, de maneira bem rápida, nos ajudar a compor as principais características e modo de pensar da personagem. O desespero fica maior quando sua melhor amiga, e praticamente única, já na fase de high school, acaba se apaixonando por seu irmão e resolve optar pela distância e embarcando em uma fase de novas descobertas e abrindo os olhos para pessoas que já conhecia mas não conseguia enxergar. O professor Brunner, acaba chegando como um amigo, fazendo um papel parecido com um pai tentando dar bons conselhos e usando, muitas vezes, a mesma linguagem da personagem, é a memória do pai, seu maior porto seguro, que o professor acaba personificando aos olhos da jovem. 

Quase 18, tinha tudo para ser mais um enlatado norte americano esquecível mas logo nos primeiros minutos vamos percebendo que esse filme seria uma das gratas surpresas do circuito esse ano. Não percam esse filme!

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Crítica do filme: 'No Fim do Túnel (2016)'



Tudo que é feito no presente afeta o futuro por consequência, e o passado por redenção. Escrito e dirigido pelo cineasta argentino Rodrigo Grande, o eletrizante suspense No Fim do Túnel (2016) é mais um daqueles filmes impactantes que mostram a incrível habilidade dos argentinos em fazer corações cinéfilos felizes. Protagonizado pelo excelente ator Leonardo Sbaraglia (do ótimo O Silêncio do Céu), o longa metragem é adrenalina pura, deixando um envolvente clima de tensão durante grande parte das duas horas de projeção. São muitos méritos dessa pequena grande obra que fala sobre redenção e as habilidades que encontramos em nós mesmos em momentos desafiadores e inconsequentes. 

Na trama, conhecemos o recluso Joaquín (Leonardo Sbaraglia), um homem que vive uma total depressão e que possui dívidas atrás dívidas. Joaquín vive em uma cadeira de rodas em uma casa de três andares e usa uma espécie de elevador para poder se locomover ao subsolo onde mantém uma rotina de trabalho ligado à eletrônica. Certo dia, bate em sua porta uma mulher chamada Berta (Clara Lago) e sua filha buscando moradia em uma das partes da casa que o protagonista colocou para alugar. Pouco tempo depois da chegada dessa misteriosa mulher em sua vida, Joaquín quase que por acaso descobre que criminosos estão cavando um túnel na casa ao lado e que esse túnel passa por baixo de sua casa. Em um ato desafiador e perigoso, o personagem principal resolve filmar e gravar as ações dos criminosos que antecedem o crime: invadir um banco que fica próximo ao lugar onde estão. Assim, após descobrir um grande segredo, resolve fazer de tudo para atrapalhar o plano dos bandidos.

O filme é acelerado em seu começo, o que poderia ser um grande risco para os preenchimentos das lacunas do protagonista. Não sabemos suas origens, o que aconteceu com sua família e quem realmente é aquele homem na cadeira de rodas que vive isolado e carente de convívio social. Mas essa acaba sendo a grande mágica do excelente roteiro, parte direto para os momentos de tensão, que são muitos. No segundo arco, quando Joaquin descobre um segredo, uma parte maior do plano dos criminosos, o filme se torna um thriller eletrizante sem previsão e com muitas alternativas para seu futuro desfecho.  Leonardo Sbaraglia dá um grande show na pele do protagonista, esconde algumas facetas e coloca o público em linha de tensão com atitudes imprevisíveis e arriscadas.

A ótica composta aos olhos do protagonista é feita com louvor, nos sentimos dentro daquela casa mal iluminada a todo instante e com certezas de que muitas emoções estão prestes a explodir na telona. O filme foca na ação do presente, não quer saber do passado dos personagens, essa parte inclusive fica a cargo do público que precisa compor uma espécie de chute cronológico que é formado com algumas referências do que houve tempos atrás com eles, principalmente com o protagonista.  No Fim do Túnel (2016) é um belíssimo filme que reúne excelentes atores, um roteiro exemplar e uma direção minimalista, delicada que nos coloca a todo instante dentro da ação.

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Crítica do filme: 'Fome de Poder'



Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição. Um dos filmes mais polêmicos desse ano de 2017, Fome de Poder, explora a história da criação de uma das marcas mais famosas do mundo, o Mc Donald’s. Dirigido pelo bom cineasta texano John Lee Hancock (Um Sonho Possível), o filme apresenta argumentos sólidos, mostrando todo o início da empresa pelos olhos do ambicioso Ray Kroc. Na condução do protagonista, Michael Keaton usa e abusa de sua experiência para conseguir empatia com o público.

Na trama, conhecemos o vendedor de máquinas de Milk Shake, Ray Kroc (Michael Keaton), um desiludido ser humano que busca há mais de 50 anos uma grande oportunidade empreendedora.  Certo dia, após receber uma ligação de seu escritório, dirige rumo à rota 66 e encontra um empreendimento fabuloso do ramo alimentar, principalmente em sua ágil linha de produção, criado pelos irmãos Dic (Nick Offerman) e Mac (John Carroll Lynch) Donald’s. Assim, resolve estreitar laços com os irmãos e vira um franqueado da rede de sanduíches. Mas com sua ambição batendo toda hora em sua consciência, Ray resolve ter como objetivo de vida aumentar a rede para mais franqueados e com o passar do tempo um Mc Donalds era inaugurado a todo instante em todo os Estados Unidos.

O filme passa por todas as fases do início do Mc Donald’s, avançando sobre sua linha de produção e rapidez inovadora para época, onde hambúrgueres eram vendidos à incríveis 35 centavos de dólares. Os irmãos Donald’s eram conservadores em relação a muitas inovações exatamente para não se perder a qualidade no produto que criaram. Já Ray, autodenominado o Fundador, pensava diferente em alguns pontos e queria adicionar algumas inovações mais rentáveis para seus franqueados. Essa parte do filme, o marketing e administração por trás do grande negócio é o ponto alto da história, até sua conclusão com a expulsão dos verdadeiros criadores de toda a ideia Mc Donald’s.

O filme muito se assemelha com A Rede Social (o filme sobre a criação do Facebook dirigido por David Fincher) em muitos sentidos. Parece que para a criação de uma empresa com sucesso espetacular em seu meio você precisa se impor como um lobo e sem se importar com consequências. Ray Kroc era a cara da ambição e o roteiro escrito por Robert D. Siegel (O Lutador) deixa bem claro todas as facetas desse grande empreendedor mas talvez nem tão grande homem. O seu relacionamento frio com sua esposa Ethel, interpretada pela sempre ótima Laura Dern, é completamente abalado quando os negócios como franqueado do Mc Donald’s começa a decolar e até um novo amor surge sem dó nem piedade. Kroc é impiedoso, um vilão meticuloso que abre suas verdadeiras facetas conforme é atacado. Destrói sonhos dos outros para alcançar status e sucesso. Keaton, na pele desse conturbado Kroc, demonstra mais uma vez sua qualidade como ator.

Fome de Poder teve seu lançamento adiado tentando buscar alguma vaguinha no Oscar (fato que não se concretizou). O longa estreia em março aqui no circuito brasileiro e deve criar uma grande curiosidade no público para conhecer a verdadeira história por trás do sucesso da maior rede de fast food do mundo.

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29/01/2017

Crítica do filme: 'Jackie'

O recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência. Filme de estreia do excelente cineasta chileno Pablo Larraín (O Clube, Neruda, Tony Manero, No) em Hollywood, Jackie mostra a visão de da ex-primeira dama dos Estados Unidos Jacqueline Kennedy sobre a tragédia que aconteceu com seu marido, o ex-presidente John F. Kennedy. O roteiro, assinado por Noah Oppenheim (A Série Divergente: Convergente), é bem detalhista sobre os fatos apresentados e mostra uma Jackie repleta de indecisões logo após o falecimento de seu amado marido. No papel principal, Natalie Portman, em uma atuação irretocável e sensível, indicada ao Oscar de Melhor Atriz esse ano.

Na trama, ambientada em novembro de 1963, acompanha a ex-primeira dama dos Estados Unidos Jacqueline Kennedy (Natalie Portman) dias após a tragédia que o país mais poderoso do mundo nunca esquecera, a morte do 35° presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy durante uma carreata presidencial em Dallas, no Texas. Acompanhamos em detalhes toda a dor e o sofrimento de Jackie e o desenrolar intenso logo após a morte de seu companheiro. Bobby Kennedy (Peter Sarsgaard, em ótima atuação), irmão do ex-presidente, tem papel importante nessa história com diálogos intensos com a ex-primeira dama.

Esses dias após o luto são narrados de maneira muito intensa, e, assim vamos construindo um interessante quebra cabeça sobre os pensamentos e personalidade de Jacqueline Kennedy. Seus intensos diálogos com um padre -confissões de pensamentos constantes – sua relação carinhosa com uma das assessoras da Casa Branca Nancy Tuckerman (interpretado pelo irreconhecível Greta Gerwig) que vira seu porto seguro em exposição com a mídia mostrado com detalhes na apresentação da Casa Branca para um programa de televisão, sua revolta na hora de tomar fortes decisões para se despedir do marido já que Jackie queria um enterro emblemático mas os Estados Unidos estava com receio de novos ataques. Bobby Kennedy também muito afetado pela tragédia tenta sempre ser um porto seguro para a cunhada e os sobrinhos se mantendo a frente das decisões políticas já com o novo presidente Lyndon B Johnson e assessores em exercício.


O filme tem um ritmo deveras lento, ganha mais com a força de seus personagens. Flashbacks curtos ganham contornos explicativos que rodam uma entrevista que um jornalista, interpretado pelo ator Billy Crudup faz com Jackie, já afastada da loucura de Washington, dias após a tragédia. Para quem quer saber mais sobre a história pessoal que cercou um dos presidentes mais famosos do planeta, Jackie é uma visão diferente sobre alguns fatos sempre apresentados. Um filme corajoso e com belíssimas interpretações. 
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Crítica do filme: 'Aliados'

Não há progresso se este não surgir através das dúvidas. Depois de diversos trabalhos impactantes na indústria cinematográfica mundial, como Forrest Gump, a trilogia De Volta para o Futuro, O Náufrago e tantos outros, o cineasta norte americano Robert Zemeckis volta às telonas em 2017 para mostrar uma trama repleta de referências a filmes antigos de espionagem onde o amor transborda e as escolhas viram conseqüências angustiantes. Aliados, protagonizado pelos excelentes atores Brad Pitt e Marion Cotillard é uma trama repleta de ação e suspense com revelações que se transformam em grandes reviravoltas ao longo dos intensos 124 minutos de projeção.

Na trama, ambientada no começa da década de 40, conhecemos o tenente coronel franco canadense Max Vatan (Brad Pitt), um espião em tempos de guerra que recebe uma missão em Casablanca, no Marrocos. Durante essa missão, que quase termina em tragédia para seu lado, conhece a bela e misteriosa agente francesa Marianne Beausejour (Marion Cotillard). Após conseguirem sair vivos da missão, ambos se apaixonam perdidamente e resolvem se casar e construir uma família. O problema maior dos pombinhos é que tempos mais tarde, Max é alertado por altas patentes do lado que luta que a esposa na verdade é uma espiã nazista que rouba essa identidade tempos atrás. Sem saber em quem acreditar e duvidando de tudo e todos, Max parte em uma missão pessoal que é descobrir a verdade sobre sua esposa.

Indicado ao Oscar, apenas na categoria de Melhor Figurino, o filme não deixa de ser uma pequena homenagem para o público que curte os filmes de espionagem. O roteiro, assinado pelo britânico Steven Knight (dos ótimos Locke e Senhores do Crime), é bem detalhista, tem grandes cenas de ação, uma espécie de clima noir no ar e muito suspense, estampado praticamente durante toda a fita pelas ações e descobertas dos personagens. É o típico filme que temos que esperar até a última cena para descobrir como montar as peças que faltam no tabuleiro.

A parte do romantismo e da descoberta do amor, lembra muito alguns filmes antigos na época dos lendários cineastas Michael Curtiz, Irving Rapper e tantos outros. Sempre com traumas e amores quase impossíveis ou muitas vezes sem aquele grande final feliz que todos esperam. O filme ganha contornos eletrizantes nos arcos finais, onde vira uma grande busca pessoal do protagonista para saber, na verdade, se tudo aquilo que viveu, sentiu com sua esposa era real ou fazia parte de um grande plano manipulador por conta dos objetivos da guerra, acima de tudo.


Aliados tem muitos méritos, não é um filme inesquecível mas é um filme para ser visto. Robert Zemeckis é um dos diretores mais acima da média em atividade, merece sempre a conferida dos cinéfilos. 
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28/01/2017

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Crítica do filme: 'O Ídolo'

A confiança em si mesmo é o primeiro segredo do sucesso. Depois de brindar os cinéfilos com excelentes filmes como Omar (2013) e Paradise Now (2005), o cineasta israelense Hany Abu-Assad volta às telonas dessa vez para contar uma história baseada em fatos reais repleta de sofrimento e chances de alcançar o tão sonhado sucesso. O Ídolo é um filme repleto de críticas sociais, principalmente sobre a região onde se passa Gaza na Palestina.

Na trama, conhecemos o jovem Mohammed Assaf que curte os dias na cidade de Gaza, na Palestina, onde vive com sua família. Alegre e repleto de amigos que sempre se envolveram com músicas, passa por um grande abismo quando perde precocemente sua única irmã para uma doença terrível. Assim, ele cresce e seus sonhos ficam mais distantes e a realidade que vive o vai sugando. Até que um dia resolve voltar a buscar a música como inspiração e se candidata ao Arab Idol (o American Idol Árabe) no ano de 2013 buscando seu tão sonhado sucesso e reconhecimento.

Um dos grandes méritos de Hany Abu-Assad nesse filme, que também assina o roteiro, é consegue preencher muito bem, em seus longos arcos, todas as lacunas sobre a personalidade desse futuro grande cantor. Num primeiro momento vemos o dia a dia do protagonista em sua primeira fase, a descoberta da música e a importância que tem sua família e amigos em seu cotidiano. Já no médio arco, vemos uma outra fase, aquela do sonho que lutando contra muitos consegue a oportunidade de realizá-lo.  

As críticas sociais, chegam em forma de obstáculos para o protagonista. Quando resolve fugir de Gaza para poder participar da eliminatória do programa (sem saber se poderia voltar para casa), a questão da religião também ganha contornos, nesse caso só na superfície, no papel do amigo que cresceu e virou assíduo quase atrapalhando a trajetória de sucesso do cantor. A paisagem destruída pela guerra também ganham contornos interessantes pelas lentes de Hany Abu-Assad, como na parte do Parkour entre os escombros que com certeza despertou em Mohammed Assaf a variável que faltava para acreditar em seu sonho e não desistir.


Com uma entrada bem discreta no circuito exibidor brasileiro nessa última semana, por conta da quantidade dos filmes indicados ao Oscar que já se encontram em circuito, O Ídolo é um filme reflexivo que faz a gente nunca deixar de acreditar em nossos sonhos, não importando os obstáculos.
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