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Crítica do filme: 'Truman'



Um amigo se faz rapidamente, já a amizade é um fruto que amadurece lentamente. Vencedor de alguns prêmios na última e famosa premiação Goya, o novo longa-metragem do cineasta espanhol Cesc Gay, Truman, é um projeto que transborda emoção, delicadeza e reúne dois dos grandes atores deste planeta, Javier Cámara e Ricardo Darín. Ao longo dos 108 minutos de fita, somos envolvidos, já nos primeiros minutos, por essa linda história.

Na trama, conhecemos o pacato Tomás (Javier Cámara), um homem de meia idade que mora no Canadá e convencido pela esposa embarca em um vôo para a Espanha onde irá encontrar o seu melhor amigo de toda uma vida, Julian (Ricardo Darín) um ator que está à beira do falecimento por conta de tumores que se espalharam por seu corpo e busca um novo e futuro lar para seu fiel companheiro, Truman. Ao longo de poucos dias, a dupla viverá situações inesquecíveis, misturado a um tsunami emocional, que se juntarão ao grande álbum de amizade que colecionam durante anos.

Os arcos são delimitados, um a um, por um dedilhado sonoro encantador. A trilha sonora é um elogio à parte, tamanha delicadeza e encaixe perfeito chega em nossos corações como uma flecha repleta de emoção. Os diálogos entre os velhos amigos são ótimos, repletos de nostalgia, humor peculiar, carinho, afeto e uma curta chama de esperança. A direção de Cesc Gay é segura e prefere explorar todos os curtos planos da maneira mais simples possível, dando muita veracidade e emoção às sequências. 

Reunindo todo tipo de sentimentos e reações das pessoas que Julian encontra nesses últimos dias aproximam o filme de uma realidade e naturalidade que impressiona. O personagem tinha tudo para ser caricato por conta das inusitadas ações que se assegura, mas Darín é Darín. Com uma potência impressionante na arte de prender a atenção do público um dos melhores atores do mundo não deixa também de se auto homenagear interpretando um ator e contracenando nos palcos dos teatros. Grande e conhecida paixão deste tremendo artista. Javier Cámara também brilha bastante, em um papel muito difícil que executa com grande brilhantismo. Reunir dois espetaculares atores dá nisso, um filme inesquecível e comovente que deixará até os corações mais frios, bastante emocionados.

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