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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Crítica do filme: 'O Lugar Onde Tudo Termina'

Com um projeto corajoso, praticamente cortaram o filme em três fatias generosas, o cineasta americano Derek Cianfrance (do adorável Namorados Para Sempre) chega aos cinemas brasileiros na próxima sexta-feira com o drama, ao melhor estilo Crash, O Lugar Onde Tudo Termina. Em cena, rostos conhecidos do grande público tentam segurar a história que sobrevive aos olhos do espectador por conta dos ganchos deixados ao fim de cada história.

Na trama, somos apresentados primeiro a um motoqueiro experiente chamado Luke (Ryan Gosling), craque no globo da morte, que descobre ser pai do filho de uma garçonete, Ramona (Eva Mendes), e resolve assaltar bancos para dar uma vida melhor ao menino. Após alguns acontecimentos trágicos, conhecemos o inexperiente policial Avery (Bradley Cooper) que após perseguir um assaltante e matá-lo, consegue prestígio e rapidamente sobe na carreira mesmo com conflitos árduos com sua família. Para fechar o ciclo de histórias que se encontram, conhecemos dois jovens que viram amigos mas possuem, sem saber, um passado que os condena.

As histórias são movidas pelo sentimento de perda/culpa. Cada personagem consegue demonstrar de uma maneira diferente suas reações que vao se enfrentando dentro das consequências desses atos executados. A imaturidade e a falta de referência são um ponto em comum entre todos os personagens que circulam nos 130 minutos de projeção. O filme é profundo e circula longe do vazio existencial, muito por conta do ritmo de algumas sequências que deixam o público com os olhos atentos a cada segundo.

O roteiro é o grande diferencial mas também pode ser analisado como o grande problema do projeto. Pelo lado ruim, o longa parece uma peça de teatro com 3 intervalos, isso pode distanciar o público. Muitos alegarão que o roteiro sofre problemas por conta desses cortes secos com poucos pontos de intercessão. Pelo lado bom, os desfechos se encontram e servem como início da próxima história, quem consegue se segurar nessa premissa gostará muito do filme.


Não é um filme americano comum. É um trabalho diferente, além disso, conta com boas atuações de seu excelente elenco. Gosta de novidades?  Não deixe de conferir!

Crítica do filme: 'O Grande Gatsby'

Quando o amor domina seu futuro. Mais uma vez, o cineasta australiano Baz Luhrmann (do espetacular Moulin Rouge – Amor em Vermelho) nos leva para dentro de uma fábula romântica (baseada na obra de F. Scott Fitzgerald), delicadamente bem narrada, composta de personagens instigantes que divertem o público com seus diálogos bem humorados e seus dramas profundos. O Grande Gatsby fala sobre a realização de um sonho, um desejo de um milionário, escondido a sete chaves. Quando o público entende o sentido das ações dos personagens, quando os mistérios vão caindo um a um, se vê dentro de uma experiência inesquecível.

Na trama, somos jogados para dentro de uma história que mais parece um conto de fadas trágico, narrada pelo jovem e talentoso escritor Nick Carraway envolvido até o pescoço com o universo glamuroso em que seu vizinho Jay Gatsby vive. Aos poucos, vamos descobrindo junto com Carraway os mistérios de Gatsby, seu amor e sua obsessão que o leva ao limite.

O empolgante filme, todo rodado em 3D, se sustenta na excelente adaptação de Craig Pearce (Romeu + Julieta) e Baz Luhrmann onde é explorado todo o universo misterioso que pertence ao personagem título da história. Podemos classificar o longa como um musical disfarçado de drama. Os números musicais são impecáveis tecnicamente, você ri e se emociona em instantes quase simultâneos. Não é nada difícil se conectar com a história que tem um começo um pouco lento mas que entra em uma empolgante interação com o público antes de chegar na metade.

Tobey Maguire rouba a cena Di Caprio. Seu personagem, Nick Carraway, tem a importante missão de ser o narrador da fábula. Para isso, o artista escolhido não podia perder a personagem em nenhum segundo. Foi arriscado apostar no já veterano ator californiano? Sim, foi! Mas o ex- homem aranha domina Carraway com certa maestria. Talvez, o melhor trabalho de Maguire depois de Regras da Vida, que chegou aos nossos cinemas no distante ano de 1999.

Leonardo Di Caprio está ficando craque em aparecer no meio dos filmes e quase roubar a cena. O ator melhora a cada longa metragem e não resta dúvidas que se tornou um grande artista de sua geração. As últimas sequências de seu personagem são sensacionais. Quem não acha Di Caprio um grande ator pode estar sofrendo de miopia cinéfila grave!

Amanda Seyfried, Rebecca Hall, Rachel McAdams, Keira Knightley, Blake Lively, Abbie Cornish, Michelle Williams, Natalie Portman, Eva Green, Anne Hathaway, Olivia Wilde, Jessica Alba e Scarlett Johansson foram as concorrentes de Carey Mulligan para interpretar Daisy Buchanan. Nenhuma dessas seria uma melhor escolha do que a feita. Mulligan dá um show, sempre boas atuações, impressionante. Vale o destaque também para Joel Edgerton, em um papel que era para ser de Ben Affleck, que interpreta um vilão cheio de trejeitos que enriquecem os diálogos.


Empolgante, emocionante, fabuloso. Não deixem de conferir. Afinal, quem nunca teve um sonho? Bravo!
quarta-feira, 22 de maio de 2013

Crítica do filme: 'Walachai'


O tempo e seu ritmo lento. Para contar a história de uma população esquecida no ciclo temporal, a diretora brasileira Rejane Zilles volta ao seu passado resgatando as tradições e costumes de um lugar longínquo denominado Walachai. Afastado 100 quilômetros de Porto Alegre,  comunidade é basicamente um cantinho alemão no Brasil. Lá quase não existe telefone, sinos ditam o toque de recolher e trabalhar se consegue apenas de maneira natural, oriunda das plantações de verduras ou na única fábrica da cidade. Walachai é um retrato de uma memória que o tempo se esqueceu de contar.

Uma comunidade que não esquece suas origens e não conhece os impactos da globalização que enfrentamos diariamente nos grandes centros. A simplicidade adotada no cotidiano é de se admirar. Na questão da alfabetização das crianças, todos chegam ao colégio falando alemão transformando o português como uma língua de apoio, uma espécie de ‘step comunicativo’. São diversos elementos que são envoltos personagens reais que fazem parte do nosso país. Além de tudo, é um filme educativo, pronto para ser passado em qualquer instituição que preze o real sentido dos fundamentos da sociologia.

Percebemos um grande toque de afeto e carinho da diretora Rejane Zilles ao contar essa agradável história. É interessante a descoberta desse cantinho alemão no nosso país. Nos relatos dos moradores, conhecemos não só a história dessa comunidade, como também de momentos marcantes da trajetória brasileira ao longo do tempo. Diversas histórias sobre a segunda guerra e as dificuldades que os antigos moradores da região enfrentaram por serem descendentes de alemães são relatados através de situações vivadas pelos moradores.

O filme passa por partes sem objetivos, ou melhor dizendo, sem uma direção. Em certo momento, o roteiro se estabiliza na fala mansa dos carismáticos personagens reais esquecendo de acelerar na telona o seu contexto, a famosa comodidade de um certo vazio existencial. Mesmo apontando este detalhe, os sorridentes brasileiros alemães em conjunto com as belas imagens, conseguem segurar a atenção do espectador.

O longa deve agradar quem curte bons documentários que conseguem estabelecer paralelos entre as ações da globalização e a permanência de uma certa tradição.  
quinta-feira, 16 de maio de 2013

Crítica do filme: 'Réquiem para Laura Martin'


A decadência emocional de um músico, a intensidade carnal entre dois corpos e o silêncio entre uma nota e outra são partes exploradas no confuso filme Réquiem para Laura Martin. Dirigido pela dupla de cineastas Luiz Rangel e Paulo Duarte, o drama nacional tem seríssimos problemas em seu roteiro. O público se sente perdido, bocejos serão frequentes. O filme tem vários falsos finais, o que só prolonga o martírio que o espectador é contemplado.

Na trama, somos conduzidos aos amores e tragédias de um famoso maestro (Anselmo Vasconcelos) que sofre por um amor louco e obsessivo pela sua compositora preferida, Laura Martin (Ana Paula Serpa). Essa relação circula em joguinhos sexuais intensos, diálogos picantes e um triângulo amoroso que é surpreendentemente imposto pela mulher do músico, passiva por si só, que engole seco todos os absurdos que o marido lhe faz passar por conta da amante.

Na história com aroma melancólico do homem que busca na dor um reencontro, a personagem mais bem definida é a mulher traída, interpretada pela veterana Claudia Alencar. Fria e com muito rancor guardado, enlouquece em muitas sequências já no desfecho da história buscando desesperante reconquistar a atenção do marido.

Entre um som de piano e outro, o Beethoven brasileiro, que usa botas de gaúcho e boinas de Da Vinci,  pensa em Laura o tempo todo, até nas suas necessidades sexuais individuais. Laura e sua boquinha suja, cheia de palavrões, envolve o protagonista de maneira fantasiosa deixando a dúvida se realmente existe ou se é fruto da cabeça do brilhante, rico e famoso Maestro.

O roteiro é muito complicado, confunde a todos. A plateia manifesta gargalhadas quando a intenção era provocar o drama. Essa troca de reações são características do esquisito molde do roteiro, praticamente ficamos que nem cego em tiroteio. Entre o Réquiem e o repouso, o segundo pode ser feito confortavelmente na sala de cinema. 
terça-feira, 14 de maio de 2013

Crítica do filme: 'O Reino Escondido'


Dirigido por Chris Wedge (que dirigiu A Era do Gelo ao lado do cineasta brasileiro Carlos Saldanha) O Reino Escondido possui uma técnica de apuração apurada, personagens que beiram a um certo carisma comedido porém deveras excêntricos. O foco da trama de divide em questões próprias para a criançada e questões que só os adultos entenderão. Os dois tipos de interação passam pelo pai malucão da personagem principal que possui barulhos de morcegos em seu Ipod.

Na trama, conhecemos uma jovem que resolve passar um tempo na casa de seu pai, um aficionado por plantas e pela natureza. Certo dia, após quase ir embora, descobre um reino encantado e protegido por corajosas criaturinhas denominadas homens folhas. Assim, uma aventura começa com o objetivo de proteger o reino dos seres mágicos.

A trilha sonora se destaca, belíssimas canções. Entre as muito bem produzidas cenas a história volta e meia é esquecida mas o ritmo acelerado, principalmente nas cenas de ação deixam o público com atenção redobrada nos acontecimentos projetados na telona. A história não tem força para conquistar o público por completo.

O Reino Escondido é uma aventura madura em alguns momentos e imatura em outros. É uma gangorra de maturidade que deixa o público até certo ponto decepcionado. Talvez, esse motivo venha em nosso raciocínio quando pensamos que o filme tem a pretensão de ser para todas as idades. O pecado passa perto daí, quando nas cenas para as crianças não envolvem os adultos e a recíproca é mais que verdadeira.

A lesma e o caracol são ótimos personagens. Dão um show de carisma dentro dos inúmeros diálogos engraçados que estão metidos. O cachorrinho da protagonista, Ozzy, tem apenas três patinhas e um poder impressionante de conquistar o público. Vale a pena conferir o roqueiro Steven Tyler dublando um dos personagens, impossível não saber que é ele, sua voz é muito diferenciada.

O filme fala sobre esperança mas não consegue atrair atenção e todos para esse objetivo. Na falta de opção para levar a criançada aos cinemas, esse filme não deixa de ser uma opção. A premissa é interessante, dias após o dia das mães, quem salva todo mundo é o paizão atrapalhado. 

Crítica do filme: 'Faroeste Caboclo'


Com apenas uma letra gigante de uma música emblemática do genial Renato Russo, o diretor René Sampaio topou o desafio de transformar a canção em filme, o resultado disso é o interessante Faroeste Caboclo, um filme sobre um homem que nasceu com muitas contas para acertar. Desde a infância pobre vemos a esperança no olhar do protagonista, interpretado de maneira espetacular pelo ator Fabiano Boliveira. Com direito a flasbacks, muito bem inseridos na trama, sobre a infância de João de Santo Cristo somos guiados ao mundo das drogas e do preconceito além da paixão, criando uma espécie de Romeu e Julieta de Brasília.

Na trama, ambientada em Brasília anos atrás, conhecemos João de Santo Cristo, um homem com um passado pobre, talentoso carpinteiro mas com poucas oportunidades na vida. Certo dia, resolve ir ao encontro de um primo estrangeiro que mora no coração do Estado onde vive. Juntos, começam a entrar no tráfico de drogas, já existente na região. Quando tudo se encaminhava da maneira como João queria, uma das entregas de drogas dá errado e João, fugindo da polícia corrupta, entra pela janela de uma jovem que vai mudar sua vida. Entre festas e tiroteios (sim, com direito a Winchester 22), o amor proibido se encaminha para um desfecho trágico por conta da batalha entre o carismático protagonista e Jeremias, um traficante de renome do local.

O retrato que fizeram sobre a infância de João de Santo Cristo chama a atenção. Educado por sua mãe e seu pai, inclusive dizendo que não queriam que o filho fosse ladrão e sim uma pessoa com atitudes positivas, corretas. O que fica implícito é que João ao partir de casa e descobrir um novo mundo acaba fugindo de seu destino de bom rapaz. Nesse momento de rupturas, outro personagem importante, Pablo (e seus palavrões com sotaque latino), interpretado pelo ótimo ator argentino César Troncoso (Infância Clandestina), chega à história e o filme cresce em emoção.

A personagem Maria Lúcia, interpretada pela atriz Isis Valverde (em seu primeiro trabalho no cinema), fica isolada em certa hora. Não vemos objetivos, nem entendemos as atitudes melancólicas. Isso atrapalha um pouco o andamento da história, devido à importância que essa personagem possui. O forçado primeiro encontro com João acaba gerando uma Síndrome de Estocolmo. A maconheira, filha de senador (interpretado pelo ator e diretor Marcos Paulo), estudante de arquitetura, é, infelizmente, um calcanhar de aquiles dentro da trama.

Jeremias, outra peça fundamental no quebra cabeça musical criado por Renato Russo, é interpretado bem exageradamente pelo bom ator Felipe Abib (180 Graus). Com direito a muita euforia sem fundamento, a ‘peitinhos’ (cumprimento típico adolescente carioca dos nossos tempos, não daqueles) e muita liberdade que acaba virando descontrole na hora da interpretação o personagem só é sustentado pelas boas cenas com João de Santo Cristo.

O exercício lógico seria escutar a famosa canção, fechar os olhos e imaginar a realidade dessa saga. Faroeste Caboclo é uma grande história, tinha que virar filme. Muitos vão amar, alguns não vão gostar. A coragem do diretor René Sampaio de reproduzir essa canção famosa é um mérito e um dos motivos que você leitor precisa conferir esse filme nos cinemas. Aposto que até Tarantino está louco para conferir, o longa tem a cara dele.  Escute a música e vá aos cinemas!
segunda-feira, 13 de maio de 2013

Crítica do filme: 'Uma Ladra sem Limites'


Dirigida por Seth Gordon, que dirigiu o divertido Quero Matar Meu Chefe, volta as telonas com o bem abaixo da média Uma Ladra sem Limites. O filme é uma imperfeição completa. Roteiro, direção, elenco nada se encaixa. Entre os protagonistas, é difícil saber quem está pior, Jason Bateman (Relação Explosiva) ou Melissa McCarthy (Missã: Madrinha de Casamento). É uma típica comédia Hollywoodiana que mais parece um show de horrores.

Na trama, escrita por Steve Conrad e Steve Conrad (À Procura da Felicidade) e Craig Mazin (Se Beber, Não Case! Parte 2), acompanhamos a vida de um homem, pai de família, que possui um nome unissex, Sandy. Por conta disso, descobre que teve a identidade roubada por uma pessoa longe de onde mora. A partir daí, começa-se uma viagem muito louca que envolve uma trambiqueira, um caçador de recompensas e muitas confusões.

As histórias que correm em paralelo, as chamadas subtramas, são muito mal exploradas, deixando o espectador sem entender o sentido de muitos desses personagens para com a história. Mandar alguém não ver o filme beira ao absurdo mas tem cada caso que precisamos nos esforçar. O ingresso, aqui no Brasil, é muito caro e o espectador merece no mínimo ver alguma qualidade naqueles minutinhos que está sentado na sala escura. Essa nova comédia pastelão é um típico filme do Adam Sandler (Cada um tem a Gêmea que merece), sem ser representado pelo famoso comediante. É um tremendo festival ‘nada com nada’.

Uma Ladra sem Limites, que teve um orçamento de U$$ 35 milhões, é um dos piores filmes do ano, sem dúvidas. Tudo consegue ser executado da pior maneira possível. É um festival de piadas sem graças, cenas que servem somente para encher linguiça, uma resumo de um cinema de mal gosto que só serve pra vender a pipoca.