quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Crítica do filme: 'Era uma vez eu, Verônica'


É possível viver uma vida em conflito? Dirigido pelo elogiado diretor Marcelo Gomes, Era uma vez eu, verônica é um longa que possui pensamentos fortes, impactantes. A cena inicial é profunda, nua e exposta, ligando-se aos instintos e aos êxtases daquele momento. Paciente de si mesmo, a personagem principal vai se tornando complexa, sem dependência ao romance; sexo vira só sexo. O filme a toda hora parece que vai cair em um vazio existencial, mas consegue, seja em um bom diálogo ou em uma frase que faz muito sentido, suprir e apresentar razões para todos os conflitos que vemos e sentimos.


Na trama, acompanhamos a trajetória de uma residente em psiquiatria que possui pensamentos longe de padronização, Doutora Verônica - sotaque gostoso. Vive com seu pai, um idoso com sérios problemas de saúde, e enfrenta muitas situações de conflito por conta de sua insegurança sobre as decisões que tomou em sua vida. De arco e jaleco, Verônica é uma profissional no hospital, faz sucesso com seus pacientes, que consegue encontrar um porto seguro nas firmes palavras da jovem doutora. Em relação a sua vida particular, as relações sexuais são intensas, frases como: "Beijo de língua não é beijo, é sexo" circulam pela projeção, expondo os mais intensos pensamentos de Verônica.  A personagem está em crise,  anda pela cidade, observa e se vê em dúvidas sobre a vida e com medo do futuro, como qualquer um.
Louvável a entrega da protagonista Hermila Guedes (do excelente O Céu de Suely). Suas expressões e a transmissão das emoções para o público são os pontos altos dessa ótima atuação. O filme é todo de sua personagem, seu dia a dia é ouvir os problemas dos outros e tentar uma solução para os seus próprios. Mas quem a escuta? Como fica refém de si mesmo, somos jogados na história por um ritmo que é ditado por pausas existenciais, ressaltando de uma outra forma a essência daqueles bons diálogos. Depois de alguns acontecimentos, há uma transformação da personagem, rumando para uma tentativa de viver um amor e a confiança no novo trabalho.
"Tá tudo padronizado em nosso coração". A trilha sonora é cirurgicamente bem entrosada com a erupção de sentidos que observamos. Não é um filme fácil de digerir. A liberdade dos corpos nos apresenta a importância dos sentidos para a protagonista. Como é algo muito particular, o público pode sentir dificuldade de entender algumas passagens - porém, não pode deixar de conferir esse ótimo filme nacional. Bravo!

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