quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Crítica do filme: 'Joe' (Festival do RJ 2013)



Depois de fazer os cinéfilos sofrerem por mais de uma década – com personagens horrorosos e atuações pífias – Nicolas Cage volta a uma grande atuação no intrigante, nu e cru filme de David Gordon Green (Prince Avalanche), Joe. O roteiro é primoroso, assinado por Gary Hawkins baseado na obra de Larry Brown, gera reflexões da plateia e não deixa de ser uma crítica a diversas questões ambientais.

A trama é toda voltada à Joe (Cage), um típico rebelde sem causa que gota de falar olhando nos olhos e não admite mentiras. Dirigindo sua velha caminhonete azul, vestindo sua camisa da banda de rock Pantera e sempre com seu cigarrinho a tira colo, se vê envolvido com a história de um novo morador da cidade com quem cria uma relação de pai e filho. A partir dessa amizade, o passado de Joe e o presente do novo amigo misturam-se de maneira explosiva, levando o protagonista ao limite da dor e raiva. Culminando em uma vingança para lá de sangrenta.

O diálogo impactante entre pai mal educado  e filho bem educado, logo na primeira cena do filme, já demonstrava que a história – no mínimo – seria interessante. O longa-metragem de quase duas horas é extremamente violento, quae um soco no estômago, possui cenas fortes – lembram da sequência do extintor do filme Irreversível? Ou da cena do cachorro do longa Tiranossauro? Joe possui sequências tão fortes e parecidas quanto.

Costumes locais como a caça e os trabalhos de meio período para madeireiras são apresentadas ao público em forma de crítica a certos costumes locais que não são de aprovação do senso comum. O retrato da típica cidadezinha do interior dos Estados Unidos é tão fiel  que existem ate aqueles policiais que só dificultam a vida dos moradores com atitudes imorais e constrangedoras.

O personagem principal é um homem bondoso mas que não consegue abandonar sua raiva com a vida que o cerca. No começo, fica com receio de se aproximar do novo amigo – mesmo vendo a violência que o mesmo sofria. Cage vai com seu personagem até o limite, aproxima Joe ao máximo da realidade. Sem dúvidas, a melhor atuação do sobrinho do cineasta Copolla – pelo menos – dos últimos 10 anos.

O espectador interage com o filme a cada segundo: fica com raiva dos vilões, torce para que os mocinhos vençam a batalha contra o mal e ainda é surpreendido pela volta de um ganhador do Oscar ao seu verdadeiro e merecedor lugar , os aplausos dos cinéfilos. Não deixe de conferir esse excelente trabalho!


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