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Crítica do filme: 'Sem Perdão' (Shot Caller)


O caminho sem volta, o eterno dilema entre a responsabilidade e suas consequências. Novo no excelente catálogo do Netflix, o drama Sem Perdão, que absurdamente não passou na janela cinema aqui no Brasil, é um daqueles preciosos achados. Dirigido cineasta californiano Ric Roman Waugh (do interessante O Acordo (2013)), o longa-metragem é pura adrenalina, com cenas intensas e muito bem captadas. As atuações são excelentes, principalmente do protagonista, o Jaime Lannister do aclamado seriado da HBO Game of Thrones, o ator dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau.

Na trama, conhecemos o consultor de imóveis Jacob (Nikolaj Coster-Waldau) que após uma noite de comemoração com sua esposa e um casal de amigos acaba avançando o sinal vermelho, causando um acidente com mortes. Chegando na prisão de segurança máxima, percebe que precisa se impor para sobreviver nesse ambiente hostil. Assim, aos poucos, acaba se transformando no violento Money, um dos cabeças de um grupo violento.

O drama vivido pelo protagonista é intenso e bastante complexo. Antes um homem de bem, com princípios e muito ético, comete um erro que muda toda sua vida, o afastando do convívio dos que ama e aos poucos modelando sua personalidade. Um lado obscuro é a luz no fim do túnel desse sofrido personagem, que usa e abusa de sua racionalidade até nos momentos que encostam em um futuro final feliz. A viagem sem volta é constatada pelas reações do personagem, uma atuação espetacular de Nikolaj Coster-Waldau, seu grande trabalho no cinema até então.

Essa mudança de personalidade é a grande chave do filme para o sucesso de sua trama. Percebemos em uma narrativa com idas e vindas na trajetória de Money, como tudo foi acontecendo de uma hora para outra em sua vida. A força que possui vem de sua família, mesmo estando longe, pois sabe que para protegê-los terá que executar ações que vão contra a sua vontade. Na busca por proteção na prisão, a consequência é um inferno nunca camuflado de paraíso.

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