Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'O Chefe'


As verdades quando são descobertas se desenrolam com mais naturalidade do que quando são apenas ditas pelos outros. Debutando em longas após uma série de curtas-metragens, o cineasta espanhol Sergio Barrejón traz para a tela do streaming Netflix a comédia O Chefe. O projeto é uma sucessão de mudanças na vida de um empresário importante que vão desde sua separação, o inusitado encontro com uma colombiana, até os novos rumos de sua complicada empresa. Escondido no catálogo, o filme passa na média mesmo não conseguindo ir além de uma superfície tapada por clichês mas com a vantagem de ter muito carisma nas atuações de seu elenco.

Na trama, conhecemos o endinheirado e CEO de uma empresa que ele mesmo criou, César (o ótimo Luis Callejo), um homem que atravessa uma fase difícil na vida com a eminente separação de seu casamento de anos, o distanciamento de seu único filho, e a surpreendente notícia de que alguém de sua própria empresa o está roubado faz anos. Munido de uma personalidade explosiva, que aflora na semana que vai definir de vez os rumos de sua vida dali pra frente, em uma noite trabalhando até tarde no escritório acaba conhecendo Ariana (Juana Acosta), uma faxineira colombiana que acaba criando um laço de amizade com o protagonista.

Uma coisa que sempre é importante em um filme e tentamos argumentar por aqui: o ritmo. Esse filme tem ritmo mesmo que não consiga romper as complexas barreiras da superfície quando pensamos em emoções e formas de lidar com as consequências preenchidas pelos atos que acompanhamos ao longo dos modestos 90 minutos de projeção. O filme é todo implementado na ótica de Cesar e sua conturbada visão do mundo, o desconstruir ao longo do filme desse personagem é um dos pontos positivos desse longa que pode não ser nem de longe a melhor comédia disponível na Netflix mas cumpre seu objetivo de tentar ser uma narrativa que busca ser envolvente, mesmo com defeitos.

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...