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Crítica do filme: 'A Família Perfeita'


A descida do salto alto rumo às descobertas da vida. Chegou nesse primeiro semestre de 2022 no catálogo da Netflix, a comédia espanhola, protagonizada pela atriz Belén Rueda, A Família Perfeita. Repleto de resoluções simplistas, o longa-metragem dirigido pela cineasta Arantxa Echevarría é um show de mesmices dentro de uma fórmula de bolo sonolenta que busca refletir sobre o recorte de uma passagem, uma transformação da vida cotidiana. Entre os pontos positivos, temos a trilha sonora, com pelo menos duas canções brasileiras muito conhecidas por nossos ouvidos, uma delas no abre alas inclusive.


Na trama, conhecemos Lucía (Belén Rueda), uma mulher com a vida equilibrada, rica que mora como o marido, o astrônomo Ernesto (Gonzalo de Castro) em um luxuoso apartamento na capital espanhola. Um dos seus grandes sonhos é que seu filho Pablo (Gonzalo Ramos) case com uma mulher que lhe agrade. Só que quando ele lhe apresenta a pretendente, Sara (Carolina Yuste), ela não gosta mas isso acaba ficando em segundo plano pois Lucía acaba se apaixonando pelo pai de Sara, Miguel (Jose Coronado). A partir dessa inusitada situação Lucía, a grande protagonista dessa história, acaba embarcando em uma jornada de auto descoberta.


O paradoxo das auto descobertas aqui cabe como uma luva. A transformação de Lucía é o ponto de análise mais evidente na fita, principalmente quando buscamos a fundo os seus porquês. Dedicada ao marido e à criação do único filho, abdicou de uma carreira promissora em um colégio. Após uma traição (de sua parte), sua vida se transforma e passa a enxergar o mundo ao seu redor de maneira mais ampla como se precisasse descer do salto para entender como realmente é importante a dar valor para todas as batalhas do cotidiano.


Parece que estamos assistindo dois filmes em um só. Como se fosse que nem aquele LP antigo, com dois lados mas dentro de uma mesma trajetória. Num primeiro momento vemos os desenrolar de uma família e os conflitos que se seguem após a sogra conhecer a futura nora, sempre alinhado ao humor. Num segundo momento, a busca por uma parte dramática mais profunda é instaurada mesmo que não consiga fugir da superfície. O roteiro, assinado pela produtora e roteirista Olatz Arroyo, camufla a mais impactante trajetória dessa história que chega junto da principal mensagem do filme, que o desabrochar pra vida/felicidade não tem idade.



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