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Crítica do filme: 'Doce e Sangrento'


Inspirado na HQ Marcas da Violência, escrita por John Wagner e ilustrada por Vince Locke que também já foi base de um filme homônimo nas mãos de David Cronemberg, o longa-metragem indiano Doce e Sangrento, com suas coreografias impecáveis e empolgantes cenas de ação nos levam para o conflito humano da ação e reação tendo a força do trauma como um elemento que se desenvolve quando as verdades aparecem. Dirigido e escrito pelo cineasta indiano de 37 anos, o Lokesh Kanagaraj, e lançado na Netflix no finalzinho de 2023, é puro suco de entretenimento do cada vez melhor cinema indiano.

Na trama, conhecemos a história de Parthiban (Joseph Vijay), um homem querido por todos, carinhoso, pai de família, dono de um café que mora numa confortável casa desde que se mudou para uma cidade na Caxemira onde reside faz duas décadas. Vivendo em paz seus dias, sempre está disposto a ajudar sua comunidade. Certo dia, após alguns criminosos entrarem em seu bar e tacarem o terror, o protagonista consegue combatê-los virando logo uma celebridade local. Até que logo depois a notícia chega até uma perigosa gangue que alega que Parthiban na verdade é um ex-membro deles. A partir daí, algumas verdades começam a aparecer.

Com suas quase três horas de duração, o projeto busca sua própria identidade dentro de uma história já conhecida, adaptando suas imagens e movimentos num ritmo deveras acelerado, jogando nossos olhares para uma região ao norte da Índia, mostrando na linha do tempo de seu arco dramático a desconstrução de seu personagem principal. A direção de Kanagaraj cuida de cada detalhe dentro de profundos conflitos emocionais, contornando sentidos do que é o entendimento do personagem sobre família.

Chama a atenção também o malabarismo e coreografia, dentro da ação enérgica, com gângsteres, criminosos inescrupulosos, hienas raivosas, para encontrar os sentidos do errar e aprender. A violência é um elemento forte encontrado por aqui, fator esse onde se encontram todas as curvas do roteiro navegando pelas inconsequência para encostar no conjunto de ideias de seu discurso. Além de tudo, paralelos com o homem e o animal são vistos pelas entrelinhas completando lacunas ao longo da trajetória do enigmático protagonista.



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