Por meio de imagens marcantes e de uma narração potente, o curta-metragem Faísca, selecionado para a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes é um filme que gera impacto logo nos primeiros minutos. A obra nos leva para conhecer a aldeia marrecas, ligada a um povo indígena, a partir do notório desaparecimento de animais conhecidos da região. Pelas terras avermelhadas desse lugar, a narrativa nos guia para um tour que atravessa gerações de mulheres imersas em uma cultura rica, que precisa vencer os obstáculos que se impõem.
Pelos desabafos e paralelos entre o desaparecimento de onças
através e histórias familiares dessa comunidade do povo Kariri, em Quiatius,
distrito de Lavras da Mangabeira, no Ceará, percorremos reflexões que envolvem
ensinamentos familiares, degradação ambiental e o vínculo afetivo de
pertencimento. Nessa espécie de filme-denúncia, a conexão dessas muitas
realidades constrói paralelos poderosos como uma força resistente contra a ação
nociva e desenfreada do homem.
O título, Faísca,
ganha inúmeros significados. Atravessa os rituais dos ancestrais, a vivência na
caatinga, a sabedoria transmitida de mãe para filha, os aprendizados e a
validação da palavra identidade, além da força que surge para enfrentar a
pressão de empreendimentos em território indígena. Dessa ideia, nasce um desabafo
potente, que ganha forma poética pela condução objetiva e simbólica da
narrativa.
Dirigido por Barbara
Matias Kariri, Faísca já havia sido exibido no Festival de Brasília do ano
passado e, nesse início de 2026 ganhou espaço na programação da Mostra Praça,
em Tiradentes. Um lugar onde as mensagens da obra ganharam mais força, em um encontro
coletivo sob o céu mineiro.
