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Julia

Até onde você iria para proteger seu filho? O filme de Erick Zonca, ‘Julia’, analisa essa questão de maneira invertida e coloca uma mulher, longe de ser a mulher mais perfeita do mundo, em uma situação onde sentimentos inexistentes nascem da maneira mais humana que existe, através do amor. A irresponsabilidade dos atos a levam num caminho árduo, tendo que superar obstáculos que ela mesma criou.

Julia é uma mulher amargurada pela vida. Busca compensação se divertindo, indo sempre muito arrumada aos bares populares e dormindo com homens que mal conhece. Vive a vida de maneira inconsequente, nutrindo cada dia que passa seu vício pelo álcool. Sem família e demitida do emprego, tem em seu único porto seguro a amizade com Mitc (Saul Rubinek), um homem também machucado por traumas que a bebida fez com seu passado. Aconselhada por esse amigo, Julia vai ao encontro dos Alcoólicos Anônimos e lá conhece uma jovem mexicana que a envolve numa história de seqüestro, roubo e muito drama, à procura de uma criança.

O longa consegue prender o espectador, mudando de foco a cada instante, provocando a análise dos diferentes prismas de um seqüestro. O comportamento da personagem principal (que dá nome a fita) é bastante polêmico e totalmente à margem de conseqüências. De Drama, a produção vira Thriller e, nesse ritmo alucinante imposto, o espectador não tira os olhos da telona. Com mais de duas horas e vinte de duração, algumas vezes vemos cenas desnecessárias, mas nada que incomode muito o público.

O grande destaque é para mais uma brilhante atuação da atriz Tilda Swinton. Impressionante o alcance emocional que consegue chegar com seus personagens, intensa e eletrizante nessa produção. Vale a pena ver todos os filmes dessa exuberante artista.

Altamente recomendado aos cinéfilos que gostam de filmes com muitas surpresas.


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