domingo, 7 de outubro de 2012

Crítica do filme: 'Robot and Frank'


O rabugento canhoto avesso à tecnologia que luta pelo Don Quixote de cada dia


Em seu primeiro longa metragem, o cineasta Jake Schreier leva para a telona uma história futurística que tenta prender a atenção do público pela relação entre um senhor rabugento e um robô, estamos falando do novo “Robot and Frank”. A falta de ritmo atrapalha a condução da fita. O público percebe e não consegue ficar entretido com tudo o que vê em cena. É apenas um filme quase mediano com uma ótima atuação.

Na trama, em um futuro próximo, conhecemos Frank (Frank Langella) um ladrão aposentado que mora sozinho em uma casa, um pouco afastado do centro da cidade. Um dos últimos homens da velha guarda, em um mundo recheado de ações tecnológicas, Frank mantém uma relação fria e distante com seus dois únicos filhos (interpretados pelos atores James Marsden e Liv Tyler). Certo dia, um de seus filhos resolve fazer uma visita e traz consigo um robô de última geração para ajudar o pai nas tarefas de casa e em qualquer outra coisa que ele precisar. A desconfiança inicial logo vira laço de amizade, que é fortemente estabelecido, tornando o robô um grande parceiro de Frank, até mesmo parceiro de crime.

As reflexões do personagem principal tentam criar um certo vínculo com o espectador. A atuação de Langella é belíssima. Divorciado a 30 anos, Frank é um homem de outro tempo que sofre de problemas de memória (talvez Mal de Alzheimer) e de uma profunda depressão ranzinza. Altamente rabugento, só o vemos feliz (a princípio) quando vai até a biblioteca da cidade onde mora. A tecnologia nova: carros, meios de comunicação, modernização da biblioteca e outras, mexem muito com a vida que Frank gostava de levar. O personagem é o único que consegue se transformar ao longo dos 90 minutos de fita e chamar a atenção do espectador de alguma maneira.

Mesmo com uma excelente atuação, o filme, que é uma mistura de “A.I – Inteligência Artifical” e “Como se Fosse a Primeira Vez” ), não consegue se sustentar. Personagens vem e vão mas não adicionam nada à trama. A única coadjuvante que poderia ajudar a melhorar a história, a bibliotecária (papel de Susan Sarandon) desaparece do filme de repente. Uma grande surpresa no final quase salva o roteiro e deixa o filme pelo menos mais agradável.

Não crie expectativas e talvez goste. Deixou muito a desejar, menos Frank, que dá um show. Porém, show de um homem só é raro ter sucesso no mundo do cinema. 

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