quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Crítica do filme: 'Lore'


Dirigido pela cineasta australiana Cate Shortland (Somersault), o drama sobre a segunda guerra mundial Lore é uma troca de perspectiva sobre a ótica do Holocausto. A família dos vilões desses tempos violentos e desumanos também sofrem e isso é mostrado friamente, com muitos detalhes, neste excelente trabalho. A atriz Saskia Rosendahl dá um verdadeiro show na pele da protagonista que dá título à trama, com apenas quatro trabalhos no mundo do cinema, a artista alemã de 20 anos será um rosto freqüente no cinema europeu nos próximos anos, podem anotar!

Lore é baseado na obra The Dark Room, de Rachel Seiffert e conta a história de uma irmã que leva seus irmãos em uma viagem os expondo a verdade das crenças ensinadas por seus pais. Durante o caminho, um encontro com um refugiado misterioso, faz a protagonista aprender a confiar em alguém que toda a vida foi ensinada a desprezar. Ao mesmo tempo, vai descobrindo a verdade sobre a família e o regime onde foi educada. Segura e com novas convicções para seu futuro ruma para um destino cheio de surpresas.

O roteiro é muito bem escrito por Robin Mukherjee. Consegue recriar o cenário imaginado de tristeza, dor e sofrimento que a história pede. A emoção é constante, dosada na medida certa para comover, gerar indignações e argumentações – essas últimas no pós-filme. Não chega a ser uma lição de vida mas demonstra que a vida é uma grande caixa de surpresas e o futuro é um lugar indeterminado.


A co-produção Alemanha-Austrália consegue se diferenciar dos outros inúmeros filmes que abordam esse mesmo assunto. Neste drama, somos surpreendidos por uma visão diferente dos fatos, mais ou menos como ocorre no comovente O Menino do Pijama Listrado (2008). As descobertas dos irmãos sobre todas as atrocidades feitas durante anos por pessoas perto deles desconstroem e transformam todos esses personagens. O público é guiado brilhantemente pelas ótimas sequências captadas por Cate Shortland. A grande lição que fica da história é triste mas não deixa de ser uma verdade global: ame o impossível, porque é o único que te não pode decepcionar. 

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