Crítica do filme: 'Terra Firme'

Com a pomposa frase “jamais deixarei uma pessoa no mar” é aberta a discussão sobre o bom longa-metragem italiano Terra Firme. O diretor Emanuele Crialese (Novo Mundo) consegue desenvolver muito bem seus personagens nesse drama que promete agradar a muitos amantes da sétima arte durante suas exibições, a partir da próxima sexta-feira (11), nos nossos cinemas. A direção de arte é impecável e a história comove, um prato cheio para qualquer pessoa que gosta de filmes do velho continente.   

O longa é um sinal de alerta, uma crítica social aos confins da pobreza e consequentemente a fuga ilegal para uma nova terra com oportunidades. Na trama, uma família que vive numa ilha (que não existe nem no Mapa Mundi), enfrenta muita dificuldade quando resolvem ajudar imigrantes ilegais. A ética do mar é muito mais forte, para os envolvidos na trama, que qualquer lei de imigração. O desenvolvimento dos personagens é algo que chama a atenção pela qualidade como é feito, alterando imperfeições e habilidades com muita realidade.

Quem sente mais a situação é o mais jovem na tríade familiar é o protagonista Filippo. Sua trajetória é uma espécie de amadurecimento forçado, explodindo e tentando absorver seu destino, muitas vezes motivado por uma impulsividade fora do comum. A Ingenuidade do personagem Filippo é passada com uma naturalmente impressionante, méritos para o jovem ator Filippo Pucillo (Novo Mundo). Mimmo Cuticchio (Baarìa - A Porta do Vento) e Donatella Finocchiaro (Para Roma, com Amor) com seus personagens carismáticos, completam a família e são preponderantes para o sucesso das subtramas.

Muitas vezes, a dúvida paira na cabeça da voz feminina da família Giulietta (Donatella Finocchiaro), que não sabe se tem que ajudar os imigrantes ou não. A dúvida é repassada ao espectador que acaba a sessão tendo muitos assuntos para conversar na mesa de bar. A personagem é intrigante e desenvolve com fortes argumentos seus pontos de vista, visando principalmente a segurança de sua família.


Ao longo das sequências vemos impressionantes paisagens, deslumbrantes. A câmera detalhista do diretor ajuda a contextualizar o que vemos na telona, fato que enriquece o longa, que foi o indicado da Itália para o Oscar 2012 a melhor filme estrangeiro. À bordo de Santuzza, o barco da família, o espectador tem ótimos 88 minutos de muito drama e dúvidas. Recomendado aos cinéfilos que gostam de cinema europeu.

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