Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Com amor, Simon'


Em busca de uma grande história de amor. Baseado no livro Simon vs. The Homo Sapiens Agenda, de Becky Albertalli, Com amor, Simon chegou aos cinemas brasileiros esse ano sem muito burburinho. Com um elenco com nomes conhecidos do público jovem, a trama fala sobre preconceitos, o alucinante mundo das redes sociais e sua influência no dia a dia dos jovens de todo mundo, além de falar sobre o primeiro amor de maneira emblemática com o protagonista na luta sobre suas escolhas. O filme, antes de mais nada, é uma grande crítica social ao universo digital dos jovens de hoje em dia, ensina lições profundas sobre a amizade e as liberdades de escolhas.  

Na trama, conhecemos o tímido Simon (Nick Robinson), um jovem que passa desapercebido em seu colégio, a não ser quando está com seu grupo de amigos. Ele é homossexual mas nunca contou a ninguém. Até que um dia, toma coragem de se expor, após descobrir em um blog um outro menino na mesma situação. Mesmo querendo esconder o bate papo com esse misterioso jovem, acaba sendo chantageado quando seu e-mail é lido por um outro jovem. A partir daí, Simon terá que tomar atitudes corajosas para ir em busca de sua felicidade.

Dirigido pelo nova iorquino Greg Berlanti e com as filmagens sendo realizada na cidade de Atlanta, o longa busca na delicadeza e excelente ritmo explorar toda a aventura do protagonista rumo a sua saída do armário. Os coadjuvantes são ótimos e preenchem lacunas sobre todo o aprendizado que Simon absorve através das situações que vive no seu cotidiano. Em camadas não muito profundas, como no arco com sua família e principalmente sua relação com o pai machão, o roteiro dita um ritmo agradável com ótimas tiradas e cenas que caem para a comédia.

O arco da escola é o mais explorado, nas dúvidas e incertezas sobre como reagirão ao saberem que ele é gay, Simon toma decisões equivocadas, não compreendidas pelos amigos mais de perto. Mas como todo filme, ou quase todo, tem uma redenção, a história caminha para um clímax logo em seu final ao sabermos quem é o misterioso jovem com quem o protagonista conversa todos os dias via e-mail. As entrelinhas do filme ensinam muito sobre muitos jovens ao redor do mundo, seus conflitos e segredos.

Com tantos pontos positivos, Com amor, Simon consegue provar que um livro pode virar um bom filme.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...