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Crítica do filme: 'Sentimental'


A fuga da mesmice. Escrito e dirigido pelo cineasta espanhol Cesc Gay (do excelente Truman), a comédia espanhola Sentimental nos coloca em encontro a um casal que durante uma noite de vinhos e sarcasmos redescobre alguns novos sentidos para saírem da monotonia. Com diálogos fervorosos que misturam o constrangimento com uma visão simplista sobre a vida, vamos nos divertindo ao longo dos 82 minutos de projeção. O elenco é ótimo, com nomes como: Belen Cuesta e Javier Cámara.


Na trama, conhecemos o casal Ana (Griselda Siciliani) e Julio (Javier Cámara) que moram faz anos no mesmo apartamento. A primeira é uma mulher cheia de desilusões no casamento que vive em uma rotina maçante sem grandes prazeres. O segundo é um introspectivo professor de música, frustrado por não conseguir seguir na carreira de músico. Certo dia, Ana resolve chamar os novos vizinhos para uma noite de confraternização, mesmo sabendo que Julio não queria vê-los muito por conta de problemas em outras noites onde os novos vizinhos faziam muitos barulhos. Assim, chega ao apartamento a psicóloga Laura (Belén Cuesta) e o bombeiro Salva (Alberto San Juan), e nessa reunião muitas coisas serão ditas e refletidas.


O foco aqui é a desconstrução dos personagens, o conflito que nos guia para as mudanças. Isso é muito bem feito pelo roteiro assinado pelo próprio diretor. Por meio de ótimos diálogos vamos entendendo o tamanho do abismo de um relacionamento que esfriou ao longo do tempo, onde as conversas já não traziam soluções, talvez até mesmo um caminho sem volta rumo ao divórcio. O choque com o sexo, pelo menos na imaginação a partir da ativa vida dos novos vizinho acaba sendo o ponto de interseção para desabafos e a opção de novas escolhas para reativar um casamento adormecido que caiu na rotina da monotonia.


Em poucos minutos de projeção, (parece até que estamos em uma teatro onde ótimos artistas estão na nossa frente, em um cenário) o espectador é magnetizado por essa profunda história que de maneira leve e irreverente nos leva a pensar sobre um recorte da vida à dois.



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