Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Uma Quase Dupla'


Risos com aproximação de gerações. Depois de Bruna Surfistinha (2011) e Os Homens São de Marte... E é pra Lá que Eu Vou! (2014), o diretor Marcus Baldini volta as telonas, dessa vez para dirigir a mais destacada estrela da comédia televisiva, Tatá Werneck, e um dos principais galãs da Tv, Cauã Raymond, em uma comédia que lembra muito os filmes do comediante canadense Leslie Nielsen. A honestidade do roteiro, sem querer ser nada além do que um bom entretenimento, escrito por Leandro Muniz é necessária para entendermos a mistura de pastelão com suspense e ação que o filme navega ao longo dos quase 100 minutos de projeção. É um projeto, mais um, feito para rir. Funciona em alguns momentos, outros entra no conhecido exagero que enxergamos em outras produções, anos após ano.

Na trama, conhecemos a policial Keyla (Tatá Werneck) que chega do Rio de Janeiro para a cidade de Joinlândia para ajudar a resolver um caso de assassinato, nessa, que até esse momento era uma região pacata, onde quase todos os habitantes se conhecem. Designada para esse provável caso de Serial Killer, precisará unir forças com o subdelegado da região Claudio (Cauã Reymond), um rapaz boa praça que nunca disparou um tiro na vida. Ao longo das investigações, a dupla embarca em uma jornada cheia de situações inusitadas em busca do assassino.

Pensando em tirar o riso do espectador, o uso da improvisação é um recurso eficaz em alguns momentos. Entretanto, os exageros deixam a desejar. O roteiro vai do leme ao pontal, misturando comédia com ação e comédia com suspense. O enredo não é nada original, já vimos filmes parecidos nos últimos anos. O diferencial vem dos atores.Tatá é engraçada, competente, usa sua personagem como um impulso para um stand up . Ela comanda as cenas. Cauã e seu tímido personagem faz um bom contraponto. É interessante ver o ator embarcando em outros gêneros de filmes e querendo cada vez mais fazer cinema.

Uma Quase Dupla chega aos cinemas no dia 19 de julho. Promete tirar muitos risos do público mas não é um filme que será marcante em nossa memória.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...