Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'A Fuga da Mulher Gorila'


Vencedor de dois prêmios na Mostra Tiradentes de anos atrás, A Fuga da Mulher Gorila basicamente se constrói de maneira bastante trivial em volta da saga de artistas, uma trupe nômade pelas estradas, que circulam em volta do que acreditam, do prazer que sentem em representar e mexer com as emoções. Road movie musical? Filme experimental? Frases soltadas deixam lacunas sem respostas e ao mesmo tempo, também, entram em complexa reflexão sobre hábitos sempre em volta do tempo, quase uma brincadeira com o incompreendido. Parece uma grande loucura, como se fosse um cinema feito de maneira pra fazer sentido aos seus realizadores mas o espectador precisa exercitar o prazer de refletir, sempre há de se encontrar razões dentro de emoções que parecem tão particulares.

Na curiosa trama, duas mulheres, irmãs, que se movimentam em uma Kombi preparada como um camaleão para ser suporte em apresentações circenses. Entre uma cidadezinha e outra, vivem como nômades, entre uma apresentação e outra. A grande atração da dupla é a ser humana que vira gorila por conta de um efeito visto muitas vezes em circos por aí. Será essa a vida de muitos artistas aqui na realidade? O projeto foi rodado pelas estradas, com baixo orçamento, em pouco mais de uma semana, no ano de 2008.

Espírito nômade On! Pelas estradas da vida vamos tentando acompanhar os conceitos alicerces dos realizadores. Há cenas incompreensíveis, mas o provocar as vezes também é não dizer. Cinema é corpo, movimento, é reflexão dentro de contextos mas nem sempre tudo isso se transforma em informação clara e objetiva do que realmente querem dizer. Vale a mais fácil das afirmações que tiramos, o filme é sobre uma trupe artística com grande valor dado à arte que acreditam, até certo ponto sua essência simplifica em muitos sentidos o que enxergamos sobre a nossa cultura e sua tentativa em ser original.

A Fuga da Mulher Gorila / The Escape of the Monkey Woman - Teaser from Duas Mariola Filmes on Vimeo.

Postagens mais visitadas deste blog

Jantar para Idiotas

Depois de ler a sinopse eu ja sabia que não iria gostar mas como todo cinéfilo é teimoso... fui assistir a esssa produção em uma noite que estava sem sono. Resumindo, foi muito difícil chegar ate o final. Paul Rudd não consegue sair desses papeizinhos de homem de 30 anos com alguma crise; seja ela no casamento, na desilusão de não ter amigos, ou conhecendo alguma garota dos seus sonhos. Dessa vez, ele é um empregado de uma grande empresa e para se enturmar com a gerência tem que arranjar um idiota(isso mesmo, pasmem) para levar em um jantar onde há uma zoação generalizada em cima dessas pobres almas. Nem comentarei o papel ridículo de Steve Carell nesse filme. Eu fiquei imaginando como Hollywood ainda pode bancar idéias desse tipo. Tanto roteiro bom engavetado e uma porcaria dessas é lançada, vendendo uma idéia besta como essa. Isso só serve para aumentar bullying(Alô Serginho Groisman!) nas escolas entre outras coisas, que não são os mais corretos, em uma sociedade robótica onde o cin...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...