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Crítica do filme: 'Quem vai ficar com Mário?'


Não importa o rótulo e sim o conteúdo. Chega aos cinemas nessa semana, o novo projeto de um dos cineastas mais cinéfilos da indústria brasileira, Hsu Chien. Quem vai ficar com Mário? é um longa-metragem, com roteiro baseado no filme italiano Mine Vaganti, que busca no humor reflexões profundas sobre as escolhas de um jovem que mentiu a vida toda para sua família e agora resolve sair do armário. Há críticas bem sutis às piadas machistas, a forma como alguns olham para mulheres no comando de decisões empresariais, aos julgamentos familiares que podem existir. O protagonista busca em suas novas ações corajosas a liberdade de que nunca teve além de seguir acreditando na sua própria verdade. Mesmo com ótimas mensagens que chegam fáceis ao espectador, os arcos intermediários perdem força quando buscam o equilíbrio entre o drama e a comédia (o primeiro funciona melhor), o roteiro parece fora de rumo em muitos desses momentos. Mesmo com alguns calcanhares de aquiles, o filme busca a diversão sendo reflexivo.  


Na trama, conhecemos Mário (Daniel Rocha) um jovem que mora no Rio de Janeiro e tem o sonho de ser autor, largou a faculdade de administração, mentindo durante muito tempo para sua família. Certo dia, perto de uma data festiva da famosa empresa cervejeira da família, ele resolve viajar até a cidadezinha onde nasceu, no interior do sul do país, na serra gaúcha, e contar para seu pai, seu irmão Vicente (Rômulo Arantes Neto) e toda sua família que mora faz quatro anos com um diretor de teatro chamado Fernando (Felipe Abib). Só que seu irmão com uma notícia surpreendente acaba fazendo com que Mário tenha que recalcular seu objetivo.


Como refazer a história de um lugar ao qual pertence? Será que o mundo não está pronto para essa liberdade? Na mala cheia de felicidades, repleta de momentos que o encorajam a contar para sua família que é gay estão as dúvidas em relação aos julgamentos que pode sofrer. Esse conflito emocional se junta a um outro momento inesperado com uma revelação de seu irmão e com a chegada de uma consultora empresarial gerando uma grande confusão na cabeça do atrapalhado personagem que sempre parece depender dos outros para chegar a alguma conclusão sobre a vida, para ter coragem e ser feliz. Na visão de Mário, nada é simples na vida mas as dificuldades que aparecem muitas vezes são provocadas pelas atitudes individuais dentro de achismos do próprio.


Repleto de piadas, algumas que funcionam, outras não, Quem vai ficar com Mário? tem um bonito valor sobre a arte, uma espécie de homenagem, seja nas referências ao pôster de Crepúsculo dos Deuses na parede do quarto de Mário, seja nas representações artísticas dos amigos que o acompanham, nos movimentos das danças, na pura e singela liberdade em ser feliz, nas mensagens que busca transmitir. Diferente de algumas outras comédias brasileiras que vemos todo ano entrando e saindo dos cinemas, esse projeto cumpre seus objetivos com a própria busca em ser original.

 

 

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