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Crítica do filme: 'Jung_E'


A ética, a distopia e a busca de respostas de uma filha. Novo filme do diretor do adorado Invasão Zumbi, Sang-ho Yeon, Jung_E é uma distopia que desenvolve possibilidades caóticas para o planeta, como se fosse um retorno na nossa história com guerras e conflitos ideológicos, a partir das intensas mudanças climáticas provocadas pelas ações do homem, deixando bem transparente a atemporalidade da natureza humana. Em paralelo a isso, assistimos uma história bem profunda entre mãe e filha. Com ótimas cenas de ação, mesmo com um roteiro um pouco confuso, o projeto busca suas atenções em um olhar sobre os relacionamentos, nas relações interpessoais em tempos onde a clonagem é algo que faz parte do cotidiano.


Na trama, ambientada no ano de 2.194, conhecemos um futuro onde a população da terra é afetada de maneira vital pelo aumento gradativo do nível do mar, oriundo dos desgastes provocados pelas agressivas mudanças climáticas. Obrigados a fugir do planeta, a população criou na órbita entre a lua e a terra algumas estações que foram chamadas de ‘abrigos’.  Mas como a história da humanidade já mostrara em outros tempos, não demorou muito para que conflitos ideológicos provocassem rupturas, assim alguns desses abrigos quiseram se tornar independentes e uma iminente guerra chegou pelo caminho se tornando algo presente já há quatro décadas. Para terminar de vez com essa guerra, há uma esperança na clonagem de uma vitoriosa guerreira que é o último elo familiar de uma das responsáveis pelos testes dessas clonagens.


Essa complexa distopia joga suas linhas narrativas em uma estrada que se mantém em um certo looping mas que de alguma forma não vira algo redundante. É como se a cada sequência uma enorme lupa fosse colocada sobre os personagens. É importante o espectador prestar a atenção logo no início do filme, para ser ambientado sobre o presente cenário onde se jogam as ações, há conceitos mais profundos sobre tecnologia, principalmente o desenvolvimento de inteligência artificial através de dados cerebrais em uma época onde a clonagem vira algo parte do cotidiano. Há também as simulações em um metaverso, uma série de repetições através de protótipos de clonagem onde buscam-se a essência do clonado.


Dentro desse universo tecnológico, há o arco da filha que busca respostas sobre os pensares da mãe que virou uma combatente mercenária para ajudá-la em uma situação no passado. Esse complexa relação se aproxima de conceitos, teorias, que vão da inteligência artificial até as linhas intensas que envolve o que pensamos sobre família. Dentro da narrativa, esse arco é jogado aleatoriamente o que confunde um pouco pois deixa lacunas pelo caminho.


Reflexões sobre a ética também ganham seus espaços por aqui, se incluindo no leque de demonstrações cujo objetivo é pensar sobre a natureza humana. Jung_E busca na sua distopia mostrar que o que vemos na atualidade são peças atemporais.



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