Selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, onde ganhou exibição na praça mais conhecida da cidade mineira, o curta-metragem Eu Volto pra te Buscar nos leva a uma imersão em um cotidiano difícil, de poucas oportunidades, através dos sonhos de uma juventude que logo se depara com o choque da realidade.
Escrito e dirigido por Roger
Bravo, esse é um filme que cria uma identificação imediata por meio de metáforas
cotidianas, que logo chega nos embates das emoções. Sustentado pelos entrelaços
entre o descobrir das primeiras idades e o amadurecimento diante da realidade
que se apresenta, as linhas do roteiro desfilam seu discurso de forma
contundente, sabendo exatamente o que quer dizer - e com impacto.
Morador da Zona Leste de São Paulo, Murilo relembra uma
inesquecível amizade que virou luto, o choque com a violência, o primeiro
contato com a arte como forma de expressão e um amadurecimento precoce, imerso
numa realidade com seus desafios, refletindo, já mais maduro, sobre os muitos
muros que existem.
Nesse interessantíssimo filme, percebe-se que as cores
vibrantes dão ar aos sonhos, funcionando como um recurso narrativo bem executado,
traduzindo emoções intensas, evocando sonhos e memórias. O processo criativo
também chama a atenção, convidando o público, no último ato, a compreender o
que assistimos sob a perspectiva do crescimento emocional.
Brincando com a linguagem ao reunir técnicas de animações 2D
e 3D com o live-action, a obra explora muitos horizontes e perspectivas para
jogar luz para a narrativa. Em 14 minutos de projeção, passamos pela cultura do
grafite e do hip-hop, a violência policial, a dor da perda, as inspirações, a desconfiança
e as amizades, questionando a todo instante sobre os que querem ser, os que
parecem ser e os que são.















