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Crítica do filme: 'Caminhos do Crime'

Apresentando algumas perspectivas e adotando um olhar mais profundo e apurado para um protagonista no lado errado da lei, o longa-metragem Caminhos do Crime caminha lentamente rumo a um retrato nu e cru da violência e as formas pelas quais se chega até ela. Dirigido pelo cineasta britânico Bart Layton (do ótimo American Animals ) e baseado no conto Crime 101, presente no livro A Queda, do nova iorquino Don Winslow , este não é um projeto marcado pela ação. Busca, em poucas camadas que se abrem, um equilíbrio com os conflitos emocionais dos personagens - algo que deixa a narrativa cadenciada e com percepções críticas.        Em um presente onde a polícia está pressionada com a onda de crimes por toda Los Angeles, um introspectivo ladrão de joias ( Chris Hemsworth ), está em um momento de rever sua vida e sua profissão. Sem nenhum tipo de violência nos seus trabalhos passados, consegue ser um dos melhores do ramo. Quando um roubo milionário surge como a oportun...
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Crítica do filme: 'Inteligência Humana'

Quem não curte um bom filme de espionagem, não é mesmo? Aquele jogo imprevisível e estratégico de gato e rato, onde a moral e a ética se tornam apenas alguns dos elementos centrais. Para nos levar de volta a esse tema, chegou à Netflix nesse início de abril Inteligência Humana , uma produção sul-coreana que aborda a corrupção e o tráfico humano em uma produção pra lá de eletrizante. Jo ( Zo In-sung ) é um oficial de alta patente da inteligência sul-coreana que vai para Vladivostok investigar algumas pessoas suspeitas de tráfico humano envolvendo integrantes da força policial norte-coreano e a máfia russa. Logo, seu caminho de cruza com Chae Seon-hwa ( Shin Sae-Kyeong ), que vira sua informante. Mas, quando descobrem esse fato, surge na trama Park Geon ( Park Jeong-min ), um oficial norte-coreano que teve uma relação próxima de Chae Seon-hwa no passado. Escrito e dirigido por Ryoo Seung-wan , um cineasta sul-coreano com três décadas de experiência e que, ao lado de Park Chan-wook e...

Pausa para uma série: 'Untold: Chess Mates'

Há alguns anos atrás, uma inesperada polêmica causou um verdadeiro rebuliço no mundo do xadrez. Um jovem - e polêmico - jogador norte-americano em ascensão é acusado de trapaça pelo maior enxadrista da história, após vencê-lo em um torneio de grande visibilidade. Sim, pessoal, isso aconteceu, e o documentário que acaba de chegar à Netflix, Untold: Chess Mates, joga uma luz sobre esse peculiar episódio. Surgido na Índia há muitos séculos atrás e difundido pelo mundo com as regras que conhecemos hoje ao longo do tempo, o xadrez é um dos mais inteligentes jogos de estratégias conhecidos da história humana, com mais de 500 milhões de praticantes pelo mundo. O objetivo é muito simples: derrubar o rei adversário (xeque-mate), em um tabuleiro de 64 casas, utilizando 16 peças, algumas com movimento específico, para cada jogador. Por sua complexidade, é considerado por muitas pessoas um dos jogos mais interessantes que já se viu. No mundo profissional desse esporte - sim, é um esporte! – jo...

Crítica do filme: 'Depois do Fogo'

Há uma máxima na vida de que o ser humano tem uma capacidade - muitas vezes imperceptível - de saber recomeçar. Seguindo essa verdade e rapidamente nos jogando em reflexões sociais dilacerantes, com um tom melancólico agudo ditando o ritmo, Depois do Fogo , interessante filme que chegou à Netflix, expõe as cicatrizes de uma tragédia ao mesmo tempo que apresenta a beleza de um recomeçar. Com uma emoção contida à flor da pele, guiada pela introspecção de seu abalado protagonista, este drama intimista - que rompe camadas ao longo de seus atos - parte de um sonho destruído e de perdas em muitas formas, atravessa o luto até chegar em um dilema paternal repleto de significados. Escrito e dirigido por Max Walker-Silverman , esse é um daqueles filmes que conseguem comover profundamente, movido pela simplicidade de gestos e emoções. Dusty ( Josh O'Connor ) está passando por um caos em sua vida. Após perder tudo o que tinha em um incêndio florestal, ele precisa reunir forças para encarar...

Crítica do filme: 'Comer, Rezar, Ladrar'

O vínculo afetivo que temos com os animais pode ser uma das mais belas páginas que compõem a nossa história. Buscando trazer esse tema com delicadeza e humor, chegou à Netflix Comer, Rezar, Ladrar, um longa-metragem alemão que, sem rodeios, nos leva até os caminhos do trauma, da lealdade e do apego. É uma pena que a insistência em levar suas simpáticas reflexões por meio de estereótipos acabe deixando o projeto na corda bamba da inconsistência. Na trama, acompanhamos um grupo de pessoas que buscam um famoso lugar especializado em técnicas de adestramento, com o foco de melhorar a relação dos donos com os seus animais. Assim, conhecemos a política Ursula ( Alexandra Maria Lara ), a atrapalhada Babs ( Anna Herrmann ), o casal Helmut ( Devid Striesow ) e Ziggy ( Doga Gürer ), e também o policial Hakan ( Kerim Waller ). Durante alguns dias, eles vão criar uma forte ligação com seus cachorrinhos, sob o olhar do misterioso Nordon ( Rúrik Gíslason ). Dirigido pelo cineasta alemão Marco Pe...

Critica do filme: 'O Último Gigante'

O cineasta argentino Marcos Carnevale vem, ao longo dos anos, apresentando histórias intimistas que se debruçam sobre conflitos nas diversas formas de laços familiares. Seu novo trabalho, lançado neste primeiro semestre de 2026 na Netflix, O Último Gigante , segue à risca essa temática, trazendo ao público reflexões sobre uma forma de abandono parental - aqui no sentido afetivo - e as diversas leituras para o perdão. Boris ( Matías Mayer ) é um guia turístico no Parque Nacional Iguazú, na Argentina, um lugar que é Patrimônio Cultural da Humanidade e complementar do Parque Nacional do Iguaçu, situado no lado brasileiro. Um dia, ele se depara com a visita de seu pai, Julián ( Oscar Martínez ), um piloto de avião aposentado que nunca esteve presente em sua vida. Quando Boris descobre que Julián está com um câncer terminal, os quase 30 anos de distância precisam, de alguma forma, ser resolvidos em pouco tempo. Cada perspectiva é personificado por um personagem. O lado moral, fruto de ...

Crítica do filme: 'Mike & Nick & Nick & Alice'

Com o objetivo apenas de entreter, sem maiores pretensões, o longa-metragem Mike & Nick & Nick & Alice , novo filme disponível no catálogo da Disney Plus, busca se sustentar em um roteiro que usa da sátira ao universo dos gângsters para apresentar o caos violento e generalizado de uma noite muito doida. É aquele show de mentirinhas que funciona como um passatempo momentâneo – e, provavelmente, esqueceremos rapidamente. Mike ( James Marsden ) é membro de uma organização criminosa e acaba se apaixonando pela esposa do amigo, Alice ( Eiza González ). Esse amigo, Nick ( Vince Vaughn ), é um respeitado gângster que vive um momento intenso após descobrir um objeto capaz de fazê-lo voltar no tempo e confrontar as próprias ações em um dia cheio de revelações - quando Mike é condenado à morte, acusado de ser um informante. Ao longo de uma noite cheia de tiros e sangue, Mike, o Nike do presente, o Nike do futuro e Alice precisarão enfrentar a ira de Sosa ( Keith David ), chefe da o...