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Crítica do filme: 'Uma Segunda Chance'

A escritora norte-americana Colleen Hoover caiu no gosto dos leitores mundo afora, tanto que algumas de suas obras já ganharam adaptações cinematográficas ou estão prestes a virar filme. Um desses casos é Uma Segunda Chance , que chegou recentemente aos cinemas brasileiros e apresenta um drama que percorre o caminho da melancolia para, entre outros temas, abordar um assunto bastante debatido: a ressocialização. Dirigido pela cineasta britânica Vanessa Caswill , o filme busca, de forma madura e dentro de um modelo narrativo convencional, expressar reflexões por meio dos sentimentos dolorosos de culpa sob a perspectiva da protagonista. Assim, chegamos às dinâmicas familiares, as dificuldades do perdoar, o amor de mãe e a luta pela dignidade após um momento de reclusão. Há um leque de assuntos interessantes que engrandece o longa-metragem. Kenna ( Maika Monroe ) era uma jovem quando conheceu Scotty ( Rudy Pankow ). Eles começam a namorar e, tempos depois, ela fica grávida. Um dia, s...
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Crítica do filme: 'Lindas e Letais'

É curioso como algumas produções insistem em pegar a mentirinha e transformá-la em algo mirabolante – e isso pode não dar certo, ou não. Chegou recentemente ao Prime Video Lindas e Letais , um filme onde a ação e o terror se intercalam por meio da violência extrema, através de jovens bailarinas que se veem em uma situação de risco, longe de casa. Dirigido por Vicky Jewson , com roteiro assinado por Kate Freund , este projeto é bem fácil de se definir. Com um efeito dominó de situações absurdas e adepto das soluções mais fáceis para os conflitos mais difíceis, o longa-metragem busca empolgar com as cenas de ação bem dirigidas e tentativas de chegar num clima de tensão constante - mas esbarra em soluções pouco convincentes. Nesse terror marcado por excessos, o que se destacada é o sempre frustrante comodismo da conveniência. Bones ( Maddie Ziegler ), Princes ( Lana Condor ), Grace ( Avantika ), Chloe ( Millicent Simmonds ) e Zoe ( Iris Apatow ) formam um grupo de jovens bailarinas qu...

Crítica do filme: 'Agente Zeta'

Jason Bourne, Jack Ryan, Ethan Hunt e, o mais famosos de todos, James Bond , são alguns dos nomes que logo chegam pelas nossas memórias quando pensamos em espionagem no cinema. Personagens que marcaram época e levaram milhares de pessoas aos cinemas, envolvidos por um tema fascinante para o público: o jogo de espiões. Em 2026, o mundo da espionagem ganhou mais uma homenagem no audiovisual, desta vez em um eficiente filme espanhol que apresenta, de forma explosiva e com ritmo frenético, uma trama que envolve segredos familiares e ações que interligam as forças de inteligência de dois países completamente diferentes. Zeta , dirigido por Dani de la Torre, é filme repleto de reviravoltas que, por meio de um espelho geopolítico - passando até pelo Rio de Janeiro -, consegue transmitir o eterno embate sobre controles da narrativa quando nações entram em choque por ações que geram consequências. O longa-metragem, estrelado pelo astro do cinema espanhol Mario Casas , alcançou o Top 1 do Pr...

Crítica do filme: 'Oi, Sumido!'

Trazendo para o epicentro do debate a instabilidade emocional de uma protagonista imprevisível, que nos conduz até uma trama que, a princípio, parecia ser apenas mais uma história de amor, mas logo se transforma em um leve suspense, o longa-metragem Oi, Sumido! busca transformar a tensão dosada em uma proposta instigante para refletirmos sobre a dependência emocional e o comportamento humano. Neste suspense psicológico escrito e dirigido por Sophie Brooks - Molly Gordon , a protagonista, também assinando o roteiro - há um achado interessante no equilíbrio entre a psique humana ligada ao amor obsessivo e uma série de situações conflitantes, que vão abrindo camadas sobre as formas como o ser humano lida com os conflitos que surgem pelo caminho. Iris ( Molly Gordon ) está nas nuvens com o andamento de seu relacionamento com Isaac ( Logan Lerman ). Ainda nos primeiros encontros, eles resolvem ir até um lugar isolado e muito bonito para passar o fim de semana. No entanto, durante uma ...

Crítica do filme: 'Matar. Vingar. Repetir.'

De vez em quando um projeto cinematográfico se joga na coragem da engenhosidade – mesmo que isso possa soar confuso em muitos momentos. Liguei na HBO MAX esses dias para assistir um filme sem nem ler a sinopse e me deparei com uma ficção científica que direciona seu olhar para o trauma entrelaçado no multiverso. Mais algum filme da Marvel? Não! Estou falando de Matar. Vingar. Repetir. Escrito e dirigido por Kevin McManus e Matthew McManus, esse violento longa-metragem destrincha a busca pelo equilíbrio da dor por meio de uma vingança implacável que rompe a barreira do espaço-tempo. Esse sentimento mundano e conflitante - a raiva que corrói -, inserido nas infinitas possibilidades da física teórica, são ingredientes que impulsionam uma narrativa bem construída, mas que deixa algumas pontas soltas. Irene ( Michaela McManus ) é uma mulher marcada pela perda traumática da filha, assassinada cruelmente por um serial killer. Com a vida destruída, ela passa a viajar por universos paralel...

Pausa para uma série: 'Naquela Noite'

Chegou ao Top 10 da Netflix uma série que, à princípio, chama bastante atenção pela sinopse: três irmãs, um crime, em um ambiente paradisíaco. Reunindo essas e outras questões, a minissérie espanhola Naquela Noite nos conduz até o antes, o agora e o depois do desenrolar de um assassinato, nos levando, aos poucos, a conhecer de perto uma família marcada por traumas e tragédias. Com um episódio piloto bem morno – tornando-se mais envolvente a partir do segundo -, o seriado criado por Jason George e distribuído em seis episódios, busca em uma estrutura de narrativa contemporânea, sem tanta lineariedade e com vários pontos de vistas, apresentar um amplo contexto em relação ao desenvolvimento de suas protagonistas. Para isso, utiliza uma linha do tempo extensa e narrações em off guiando pelos pensamentos de determinados momentos, compondo as ações e consequências. Paula ( Claudia Salas ), Cris ( Paula Usero ) Elena ( Clara Galle ) são três irmãs muito unidas que, em um determinado ano...

Crítica do filme: 'Um Zé Ninguém contra Putin'

Repleto de ironia e deboches certeiros expondo aos quatro cantos do mundo o autoritarismo e os absurdos do governo de Vladimir Putin, em Um Zé Ninguém contra Putin , documentário vencedor do BAFTA e indicado ao Oscar 2026, acompanhamos, por meio de uma montagem bem executada e de um personagem em dilemas, armado com uma câmera na mão, os absurdos cometidos quando uma escola passa a servir como alvo propagandístico do governo. Pavel Talankin era apenas um simpático profissional do ensino que trabalhava, como coordenador de eventos, na escola onde estudou. Nascido e criado em Karabash, uma região industrial na Rússia conhecida pela mineração, com menos de 20.000 habitantes – onde praticamente todos se conhecem -, esse professor acabaria tomando uma atitude corajosa: expor a interferência ligada à militarização no sistema de ensino de seu país logo após o início da Guerra da Ucrânia, mesmo que isso significasse ter que fugir de seu próprio lar pra sempre. A narrativa vai se construin...