Pular para o conteúdo principal

Precisamos Falar Sobre o Kevin - Crítica do Filme

O novo trabalho de Lynne Ramsay é um daqueles filmes que precisam ser vistos pelos amantes da sétima arte. Um relato aterrorizante sobre o relacionamento entre mãe e filho que deve figurar com algumas menções nas premiações que o sucedem.

Na história, baseada no livro Lionel Shriver, somos apresentados (logo nas primeiras cenas) à Eva Khatchadourian, aparentemente atormentada por algum acontecimento no passado. Se escondendo e muito mal tratada nas ruas por onde passa, têm sua casa toda pintada de vermelho. Conforme os minutos vão passando, começamos a interagir com determinadas fases da vida dessa mulher e aos poucos pelos olhos dessa angustiada personagem descobrimos os acontecimentos que a levaram a tal situação. A cada segundo que passa, o espectador se pergunta: O que aconteceu com a família daquela mulher?

O longa demora um pouco para acontecer, nós cinéfilos, jornalistas e estudantes da sétima arte sabemos que demora em média uns 20 minutos para o filme apresentar sua história e o espectador começar a se envolver com o que ocorre em cena. Esse atraso na relação com público pode incomodar algumas pessoas, então, para essas, peço que aguardem e dêem uma chance a essa trama.

Eva é uma solitária e amargurada mulher, luta para conseguir um emprego e não tem vida social, mora numa casa simples e aparentemente não tem família nem amigos. O motivo de viver assim vem do seu passado, da época em que foi casada com Franklin (interpretado por John C. Reilly) com quem teve duas crianças, um menino e uma menina. O filme foca basicamente no relacionamento de Eva e seu primogênito Kevin (interpretado de maneira espetacular por Ezra Miller e Jasper Newell) . É um relacionamento extremamente desgastante entre mãe e filho, desde a infância. Após tantos episódios de desentendimentos paternais a eminência não era positiva mas o desfecho dessa relação é mais perturbador do que todos imaginávamos.

Tilda Swinton tem uma atuação fabulosa e marcante. Não é de hoje que a vemos interpretar com bastante firmeza personagens carregados de emoções e com altos graus de dificuldade. Com certeza, por mais esse excelente trabalho, seu nome estará na lista das indicadas ao próximo Oscar na categoria Melhor Atriz.

Com ótimas questões levantadas, esse novo longa é mais que um simples drama, é uma chance para mais debates sobre educação entre pais e professores. O quanto de culpa uma mãe tem na educação de um filho? Essa pergunta envolve o público já em seu final e deve ser tema de muitos desses debates que vão haver.

Não deixe de conferir essa fita de quase duas horas que conta com ótimas atuações e uma história que incomoda mas precisa ser vista.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...