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Crítica do filme: 'O Segredo de Marrowbone'


A luta da mente contra o trauma. Lançado em 2017, reunindo rostos da nova geração no seu elenco, o suspense O Segredo de Marrowbone explora o fato traumático, o transtorno dissociativo de identidade, a percepção do que é ou não realidade, nos colocando diante de um labirinto emocional muito bem conduzido pela narrativa. Escrito e dirigido pelo cineasta espanhol Sergio G. Sánchez, debutando na função de diretor, inclusive indicado ao Prêmio Goya em 2018 por esse trabalho, o projeto consegue se manter constante na sua linha de tensão onde caminhamos por descobertas, levando a um desfecho onde se revelam as últimas peças de um quebra-cabeça engenhoso.

Na trama, ambientada no final da década de 60, mais precisamente quando o homem foi à lua, conhecemos quatro irmãos, Jack (George MacKay), Billy (Charlie Heaton), Jane (Mia Goth) e Sam (Matthew Stagg), que após o falecimento da mãe, vivem isolados em uma enorme casa longe dos grandes centros. Há algum segredo entre eles e aos poucos vamos entendendo melhor essa história após uma série de situações.

O que é o sobrenatural por aqui? Existe algo sobrenatural por aqui? Sobre o que exatamente é essa história? O roteiro, na sua busca de esconder os segredos, nos leva para uma análise ampla do trauma e suas consequências pelo olhar de irmãos que andam numa estrada de agonia e tensão constante. O medo é um elemento forte, muitas vezes implícito, que só vamos entender o seu real sentido quando chegamos no clímax do arco dramático do irmão protagonista, Jack. É preciso prestar a atenção para entender tudo no fim.

Depois de contribuir com outro cineasta espanhol, o J.A. Bayona, nos roteiros dos ótimos O Impossível e O Orfanato, Sergio G. Sánchez se mantém no suspense, na reflexão sobre a agonia e a consequência, aqui tendo como referência uma casa com dolorosas lembranças, o ponto que interliga seus personagens. O trabalho de direção de arte, fotografia, são interessantes. As emoções e seus conflitos muitas vezes são transmitidas em imagens que por exemplo usam a luz natural, sendo a única utilizada nas cenas dentro do casarão onde se passa a maior parte do filme.

O Segredo de Marrowbone não é aquele tipo de filme que vão ter muitas interpretações, o final é bem objetivo e explica as lacunas em aberto. Há a possibilidade do espectador embarcar em uma análise mais profunda pela mente humana em cima de um inconsciente que domina as ações.



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