segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Crítica do filme: 'Augustine'

Escrito e dirigido pelo jovem talento francês Alice Winocour, Augustine tinha tudo para ser somente um filme angustiante, próprio para quem tem estômago forte. Mesmo abusando de extremismo, em cenas complexas, a estreante em longa metragem consegue o mérito de explorar as melhores características da sua dupla de protagonista - o experiente Vincent Lindon (A Criança da Meia-Noite) e a quase desconhecida Soko (As Melhores Amigas, 2006) – transformando este trabalho em um fenomenal retrato da medicina experimental.

Ambientado no final do século XIX, Augustine mostra a vida e os difíceis estudos do professor Charcot (Lindon), que trabalha no prestigiado Hospital Pitié-Salpêtriere. Dedicando a vida a resolver os problemas duvidosos da medicina, acompanhamos seu mais novo estudo, a histeria. Entre muitos testes e experimentos, a jovem Augustine (Soko), torna-se sua cobaia favorita e o professor passa de objeto de estudo para objeto do seu desejo.

As impactantes sequências ocorridas durante os experimentos executados pelo protagonista chocam parte do público. As mãos seguras da diretora conseguem capturar todas as emoções e reações dos envolvidos nessas cenas, fazendo o contraponto entre tensão e realidade. A sensibilidade encontrada pela diretora, em meio aos angustiantes episódios de experimentos é a chave do sucesso desse belo trabalho.

Os protagonistas, em seus respectivos papéis complicados, valorizam o roteiro até a última linha. A relação apresentada e que muda a todo instante – entre médico e paciente – joga o espectador em um interessante jogo com ar misterioso deixando o desfecho em aberto, o que faz o público ficar com os olhos atentos para não perder nenhum detalhe. Uma das grandes características das produções francesas é essa: prender a atenção do espectador com histórias ricas em emoção.


Não precisa ter sangue frio, nem estômago de aço. Há sofrimento e cenas difíceis mas como abordado nos parágrafos anteriores o filme é muito mais que isso. A elegância da dor de maneira raramente vista no cinema transforma essa produção num prato cheio para todo tipo de cinéfilo. Bravo!

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