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Crítica do filme: 'Frank'



A solidão é o preço que temos de pagar por termos nascido neste período moderno, tão cheio de liberdade, de independência e do nosso próprio egoísmo. Uma das sensações do Festival de Sundance deste ano, onde recebeu diversos elogios de crítica e público, Frank, é um projeto corajoso que fala sobre as peculiaridades das pessoas e a eterna fábula contemporânea do achar o seu lugar no mundo. Dirigido pelo cineasta irlandês Lenny Abrahamson, esse drama conta com uma atuação inspirada do excelente ator Michael Fassbender  que interpreta cerca de 80% das cenas usando uma enorme cabeça feita de papel machê.

Na trama, conhecemos Jon Burroughs (Domhnall Gleeson), um jovem que está desiludido com a vida que leva. Sua rotina absurdamente chata no seu trabalho de escritório, sem um grande amor e com um sonho escondido de ser um grande músico de uma banda de sucesso. Tudo muda quando encontra um grupo de músicos da banda Soronprfbs que o convidam para gravar o novo cd deles na Irlanda. Assim, entre um tweet e outro, Jon embarca em uma viagem de descobertas em busca de encontrar definitivamente seu lugar no mundo.

O filme se aproxima do ótimo Quase Famosos de Cameron Crowe quando analisamos a partir das novas experiências de um amante do universo musical que por mais que respire música, nunca esteve de fato nos bastidores ou no palco de um grande evento. Essa mescla entre sonhos e desejos são incorporados no ótimo roteiro de Jon Ronson e Peter Straughan de forma inteligente, leve e divertida. A narrativa é lenta, induzida e também regida pelos objetivos conflituosos entre Jon e seus novos amigos. O protagonista tenta de todas as formas pertencer a esse novo mundo que acabara de conhecer e muitas vezes se precipita nesse desejo. 

Os personagens são ótimos, nada caricatos. E o interessante é que existe um grande conflito em cada um deles e o filme tem o mérito de explorar com eficácia isso ao longo dos 100 minutos de fita. Nos casos mais complexos, chegamos em Frank (Michael Fassbender), o líder da banda, um pós jovem músico brilhante que talvez para se esconder da realidade assustadora que enxerga vive dias e noites com uma enorme cabeça feita de papel machê. Toda essa peculiaridade em volta do líder da banda, tornam Frank um personagem enigmático, único, cheio de imperfeições explícitas muito bem modeladas pelo excelente Michael Fassbender.

O filme estreou no badalado Festival de Sundance deste ano e o mais legal nessa exibição foi que o público ganhou máscaras semelhantes à usada por Frank no filme o que tornou essa première ainda mais especial. Será que acontecerá isso no Brasil também? Seria o máximo! No mais, o que falar de um filme que fala sobre sonhos, música e conta com uma direção e atuações excelentes? Não percam, a arte do sonhar está dentro de todos nós! Viva Frank! Viva o cinema!

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