Crítica do filme: 'A Taxi Driver'

Bastará nunca sermos injustos para estarmos sempre inocentes? Dirigido pelo sul coreano Hun Jang, A Taxi Driver é antes de tudo uma grande aula de história em forma de cinema, onde descobrimos mais detalhes de um grande massacre ocorrido na Coreia do Sul, o papel da imprensa, e a relação de uma população corajosa que lutava por melhores condições dentro de um regime ditatorial que escondia do mundo as verdades que só as pessoas daquela região sabiam. Mesclando cenas intensas de violência com uma delicadeza e um certo sarcasmo, A Taxi Driver nos leva em uma jornada fabulosa sobre a força do ser humano e o autoconhecimento de seu papel como cidadão.

Indicado da Coreia do Sul para concorrer a uma das cinco vagas de Melhor filme Estrangeiro no próximo Oscar, A Taxi Driver conta a história de um pão duro mas carismático motorista chamado Kim (Kang-ho Song) que enfrenta as dificuldades do dia a dia como taxista na maior cidade da Coreia do Sul, Seul. Certo dia, após um almoço com seu amigo vizinho e também taxista, escuta um papo que um jornalista estrangeiro está pagando uma bela quantia em dinheiro para que alguém o leve de Seul até a cidade de Gwangju. Assim, Kim usa de suas habilidades para conseguir ser o motorista dessa corrida, conhecendo o jornalista alemão Peter (Thomas Kretschmann). Juntos vão viver dias intensos e mostrarão ao mundo um dos maiores massacres que o mundo oriental já viu em toda sua história.

Os primeiros arcos escondem um pouco a intensidade dos atos futuros. O roteiro foca na visão do taxista, detalha muito bem suas principais características, sua relação de carinho com a filha e explora a superfície da perda da esposa. De origem humilde, não tem ideia dos horrores sobre um conflito entre a população e o exército está acontecendo em uma cidade relativamente próxima de Seul. Tudo muda em sua vida quando conhece o jornalista Peter, uma relação de amizade vai sendo criada aos poucos unida pela força que precisam ter para sobreviver a caçada que é imposta por autoridades a todos que queiram divulgar as verdades que acontecem nas ruas de Gwangju. Kim vai descobrindo seu papel na história aos poucos, quando é confrontado com as verdades cruéis em sua frente, toma partido da informação se tornando um coadjuvante de grande valia para a cobertura de Peter.


O papel da imprensa, os limites e suas facetas são explorados de maneira objetiva, mostrando a censura do governo coreano da época ao que de fato ocorria pelas ruas sangrentas de  Gwangju, levando as televisões locais mentiras após mentiras sobre as origens do conflito. A câmera de Peter é uma das poucas chances daquela população que praticamente foi trancafiada em sua região, cercada pelo exército que não deixavam ninguém entrar ou sair da cidade. Já no desfecho, vemos relatos do Peter da vida real, já que essa obra é baseada em fatos reais. A emoção toma conta quando ouvimos Peter falar sobre seu amigo Kim, um homem simples e corajoso que ajudou o mundo a conhecer as verdades de uma ditadura.


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