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Crítica do filme: 'Crime na Rodovia Paraíso'


Os horrores de um crime imperdoável. Escrito e dirigido pela cineasta Anna Gutto, em seu primeiro longa-metragem, Crime na Rodovia Paraíso busca refletir sobre um tema impactante, o tráfico de pessoas, através do olhar de uma batalhadora caminhoneira que se vê sem saída, envolvida em um esquema. Mas o que deveria ser um filme impactante, se torna superficial, com uma narrativa com falhas, sonolenta, presa numa relação pouco aprofundada entre dois irmãos. Lançado em julho do ano passado nos Estados Unidos e disponível atualmente no catálogo da Prime Video, o filme tem no elenco Juliette Binoche e Morgan Freeman.


Na trama, conhecemos Sally (Juliette Binoche), uma mulher solitária que viaja com cargas por todo os Estados Unidos com seu caminhão. Seu irmão Dennis (Frank Grillo) está preso, e de dentro da prisão coloca Sally para ajudá-lo com alguns favores para sair das enrascadas que se mete atrás das grades. Num último movimento para ajudá-lo, já que Dennis está perto de sair da prisão, Sally se depara com uma situação impactante. Ela precisa transportar ilegalmente algo que não sabe o que é para um determinado homem. Quando descobre que se trata de uma jovem, ela resolve ajudar a garota percorrendo estradas perigosas, bandidos e o olhar da polícia, na figura de Gerick (Morgan Freeman), um consultor com mais de 50 anos de experiência, que começa a fechar o cerco contra ela.


O olhar fixo na protagonista limita a percepção como um todo de um problema global. Sally é uma trabalhadora que não consegue se desprender da relação conflituosa que tem com o irmão, faz as entregas que ele pede, cega de que está ajudando. A troca de perspectiva e a tentativa de entendimento da situação grave em que se meteu é um ponto de virada no seu olhar, só que a forma como a história é contada a partir dessa desconstrução acaba deixando lacunas pelo caminho. Quando há espaço para uma reflexão sobre a situação terrível que vive a jovem sequestrada, a narrativa entra na óbvia associação aos traumas que vive na sua vida sem esperanças, quando se depara com a relação de outras famílias um olhar diz mais que mil palavras. O papel da polícia caminha no superficial, contorna a trama dentro da já batida obviedade, não se aprofunda em instante algum.


O grande mérito do projeto é buscar alguma reflexão para um assunto pesado, terrível. Um atentado aos direitos humanos, um crime ultra violento que causa sequelas inimagináveis, a privação de vidas, um negócio completamente ilegal, desumano, que movimenta bilhões de dólares para inescrupulosos bandidos. O tráfico de pessoas, infelizmente é uma realidade. É função do cinema colocar para reflexão, as vezes até mesmo como papel de denúncia, assuntos doloridos de nossa sociedade.





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