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Crítica do filme: 'A Mulher da Fila'


Apresentando um recorte sobre a relação de fora para dentro - focado nos familiares de condenados por delitos que cumprem pena em regime fechado em uma prisão da Argentina - o longa-metragem argentino A Mulher da Fila costura sua ficção a partir de uma base inspirada em fatos reais, ocorridos há duas décadas, sobre uma mulher que viu seu mundo desabar com a prisão do filho mais velho e precisou se adaptar à situação.   

Em uma narrativa densa, que explora questões sociais e também morais em um núcleo familiar marcado por perdas, o projeto confronta a dor e o choque emocional para uma desconstrução, sendo pouco efetivo na amplitude que propunha a perspectiva do discurso. Não há camadas para o reeducar e o reinserir; prefere-se o olhar para a decepção, além de um contexto amoroso que, no desfecho, percebemos ser o principal objetivo da trama.   

Andrea (Natalia Oreiro) é uma mulher batalhadora e viúva, uma mãe carinhosa que vive em um bairro de classe média com os três filhos. Um dia, é surpreendida com a prisão do filho mais velho, Gustavo (Federico Heinrich). Tendo que se adaptar a essa situação, ela passa a visitá-lo sempre que pode na prisão, onde acaba conhecendo outras mulheres em situação semelhante e também um outro detento, Alejo (Alberto Ammann), de quem se aproxima cada dia mais.

As burocracias do sistema judiciário, aqui com o olhar para as leis argentinas, ganham um bom espaço, principalmente quando pensamos no processo e sua efetividade. Sem adoção do jurisdiquês e com o olhar quase sempre na protagonista, caminhamos por dilemas de uma mãe que precisa acessar a ruptura dos seus valores chegando até uma crítica institucional – mesmo em camadas superficiais. Vale dizer que esse olhar também é expandido com breves retratos de outras mulheres que frequentam a mesma fila.

Uma questão que pode gerar debates é a romantização de uma situação – neste caso, o crime cometido pelo filho - algo que pode chegar na conclusão de muitas pessoas. Há uma linha tênue entre o emocionalmente envolvente e o moralmente questionável: o roteiro adiciona ficção a um fato que pode deixar essa linha balançada. Na vida real, o filho de Andrea foi totalmente inocentado, sem nenhuma participação no crime do qual foi acusado, diferente do que acontece no filme. Esse detalhe abre margens para algumas interpretações.    

Dirigido por Benjamín Ávila, A Mulher da Fila conta com uma atuação visceral da atriz uruguaia Natalia Oreiro. Disponível na Netflix, o filme busca nas dores de uma forte protagonista apresentar a resiliência materna e as novas forma de enxergar o mundo ao seu redor, a partir de um choque de realidade.

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