Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Juliet, Nua e Crua'


As armadilhas do destino e a quantidade de açúcar que pode ter uma relação. Dirigido pelo cineasta Jesse Peretz (de trabalhos pouco expressivos até então), Juliet, Nua e Crua conta a saga de uma mulher em busca de novos desafios no campo amoroso após perceber que o atual relacionamento que se encontra não está dando o resultado que deseja. Com personagens excêntricos e guiados pelo universo da música de alguma forma, o longa-metragem é uma grande viagem rumo as aberturas das portas que o destino realiza de vez em quando. O filme é protagonizado pela competente atriz Rose Byrne e o astro norte americano Ethan Hawke.

Na trama, conhecemos a pacata Annie (Rose Byrne), que trabalha com exposições em uma pequena cidadezinha inglesa. Annie está presa em uma relacionamento morno com o complicado Duncan (Chris O'Dowd). A vida dos dois é envolvida por conta do verdadeiro vício de Duncan, a idolatria a um cantor chamado Tucker Crowe (Ethan Hawke) que fez muito sucesso anos atrás mas que do nada sumiu do mapa. Certo dia, após querer implicar com Duncan por conta de um fórum ministrado por Duncan na web, o verdadeiro Tucker Crowe entra em contato com Annie e assim começa-se uma jornada surpreendente rumo ao desconhecido, para todos os envolvidos.

Baseado no livro homônimo do famoso escritor britânico Nick Hornby (Alta Fidelidade), o roteiro adaptado busca na simplicidade explorar a excentricidade. Há uma desconstrução evidente da personagem Annie, nosso guia nessa jornada de descobertas, o que deixa o filme bastante interessante. A relação ídolo x fã , entre Duncan e Tucker também é pra lá de reflexiva, principalmente quando percebemos que o fã interpretou de maneira errada e durante muitos anos tudo que o ex-astro da música buscava dizer com suas canções. Quando o passado de Tucker é um pouco além da superfície mostrado, percebemos um fechamento de um ciclo e um pouco de compreensão maior de como ele se tornou uma pessoa ressentida e principalmente o porquê de sua tão profunda solidão.  Esses três personagens sofrem com obsessões, uma certa depressão escondida e buscam explicações para seguir em frente.

Nem toda comédia romântica precisa terminar com um final óbvio, esse é um dos grandes méritos desse singelo projeto, que passou voando pelo circuito exibidor brasileiro (talvez por conta da data e da maneira precipitada que fora lançado, sem divulgação quase nenhuma).

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...