10/02/2021

Crítica do filme: 'Notre Dame'


As facetas do amor em conflito com as escolhas. Em menos de 90 minutos de projeção, o longa-metragem francês Notre Dame consegue de forma metafórica, avançando a mente de uma jovem arquiteta, mãe e sonhadora criar um grande raio-x sobre reflexões que temos ao longo de nossas vidas quando nos sentimos em uma sinuca de bico. Dirigido pela atriz e cineasta Valérie Donzelli (do ótimo A Guerra Está Declarada e que inclusive é a protagonista do projeto), o filme navega por um melodrama ligado ao universo fantasioso dos desejos. Se torna interessante quando o espectador percebe as ótimas analogias sociais embutidas na agitada vida da personagem principal.


Na trama, conhecemos a arquiteta Maud (Valérie Donzelli), mãe de dois filhos no início da adolescência que é separada (ou não) do ex-marido, o faz nada Martial (Thomas Scimeca). Quando, de maneira bastante inusitada, acaba ganhando um concurso para renovação estética do pátio diante da catedral de Notre-Dame sua vida vira uma loucura maior ainda e precisará lidar com um gigante orçamento, as intervenções de seu chefe, o reaparecimento de um antigo amor do passado, uma gravidez inesperada e escolhas que precisarão serem tomadas.


O primeiro arco é quase alucinante, uma série de informações saltam aos nossos olhos, posicionados na forma de analogias sobre o dia a dia corrido de uma mulher forte, batalhadora e guerreira mas que sofre demais com sua situação de idas e vindas com o ex-marido. Criativa, usa da força de seus sonhos para se imaginar, e de fato tentar conseguir almejar seus desejos no campo profissional e também no amoroso. O foco é todo em Maud, através de suas escolhas vamos percorrendo um ótimo recorte atual sobre a força feminina em uma sociedade ainda muito machista.


Notre Dame usa das metáforas e analogias para mostrar a desconstrução e logo depois a construção de uma personagem, sempre à frente do seu tempo mas que tropeça nas suas próprias incertezas. A proximidade com a realidade, se formos pensar em muitas forças femininas que temos pelo mundo, é algo que chega rápido e se conecta com o espectador. Os sonhadores entenderão muito bem o que alguns acharão um eterno labirinto de emoções.