Pular para o conteúdo principal

E aí, querido cinéfilo?! - Entrevista #526 - Paulo Fernando Mello


O que seria de nós sonhadores sem o cinema? A sétima arte tem poderes mais potentes do que qualquer superman, nos teletransporta para emoções, situações, onde conseguimos lapidar nossa maneira de enxergar o mundo através da ótica exposta de pessoas diferentes. Por isso, para qualquer um que ama cinema, conversar sobre curiosidades, gostos e situações engraçadas/inusitadas são sempre uma delícia, conhecer amigos cinéfilos através da grande rede (principalmente) faz o mundo ter mais sentido e a constatação de que não estamos sozinhos quando pensamos nesse grande amor que temos pelo cinema.

 

Nosso entrevistado de hoje é cinéfilo, de Duque de Caxias (Rio de Janeiro). Paulo Fernando Mello tem 57 anos. Dramaturgo, roteirista, ator e Professor de Língua Portuguesa, e com uma 2ª Licenciatura em Artes cênicas em curso, Paulo Fernando Mello tem várias premiações em festivais de esquetes, obtendo no ano de 2017 o PRÊMIO SATED/RJ BAIXADA de melhor texto inédito. É redator humorístico com passagens pelas seguintes emissoras: TV BANDEIRANTES E REDE RECORD, respectivamente escrevendo para os programas UMA ESCOLINHA MUITO LOUCA E ESCOLINHA DO GUGU. Fez STAND-UP COMEDY ao lado de grandes nomes desse gênero de comédia. Como autor e ator de comédias tem mais de 15 espetáculos no currículo. Como autor destacam-se os espetáculos ME PEGA LADRÃO com Roberto Frota e Nina de Pádua e QUEM É QUEM, encenada por Viviane Araújo e Eri Johnson, com direção do próprio Eri Johnson. Escreveu para o Teatro Institucional (Teatro Empresa) temas para SIPATS de grandes empresas como PETROBRAS, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, CASA DA MOEDA, MARINHA DO BRASIL, ELETRONUCLEAR, entre outras. Uma de suas comédias, TRAGO A PESSOA AMADA EM 3 DIAS, foi encenada em Luanda capital de Angola pelo grupo Xabadá-Uíza Teatro Del- cazenga.

 

1) Na sua cidade, qual sua sala de cinema preferida em relação a programação? Detalhe o porquê da escolha.

Salas de cinema do Shopping, as melhores porque só têm elas, rsrsrsrs. Só passam filmes de grande apelo popular, quando estrangeiros só passam dublados.

 

2) Qual o primeiro filme que você lembra de ter visto e pensado: cinema é um lugar diferente.

No cinema na esquina da minha casa, em Éden, São João de Meriti, Estado do Rio de Janeiro, Baixada Fluminense, década de 70, sempre passava 2 filmes, um pornô outro de Kung-Fu. Mas fiquei encantado mesmo ao ver o filme Batman, aquele da década de 60, do Adam West, colorido ali numa telona. Nossa, pra mim, criança do subúrbio, pobre, televisão preto e branco, aquilo foi incrível, e nunca mais sonhei em preto e branco.

 

3) Qual seu diretor favorito e seu filme favorito dele?

Gosto de tantos, mas me vem à cabeça, assim de imediato, Stephen King, O ILUMINADO.

 

4) Qual seu filme nacional favorito e porquê?

O TAPETE VERMELHO, elenco, leveza, emoção, simplesmente gosto muito. Poderia citar tantos outros, gosto do cinema nacional, mas vem esse de primeira. Se eu parar pra pensar muito no meu favorito só vai me deixar confuso.

 

5) O que é ser cinéfilo para você?

Mas a ver com paixão do que pela quantidade de filmes que se vê, embora uma coisa puxe a outra.

 

6) Você acredita que a maior parte dos cinemas que você conhece possuem programação feitas por pessoas que entendem de cinema?

Não. Pensam no lucro financeiro.

 

7) Algum dia as salas de cinema vão acabar?

Estamos perto disso.

 

8) Indique um filme que você acha que muitos não viram mas é ótimo.

Assisti há pouco o filme ENCAIXE PERFEITO, é indonésio, disponível na NETFLIX. História romântica "clichezaça", mas com uma fotografia lindíssima, bem desenvolvida, a cultura local dá todo charme, elenco lindinho, muito fofo. Vale a pena conferir.

 

9) Você acha que as salas de cinema deveriam reabrir antes de termos uma vacina contra a covid-19?

Ainda não. Tá complicada a coisa.

 

10) Como você enxerga a qualidade do cinema brasileiro atualmente?

Sou suspeito. Amo cinema Nacional, e pode incluir aqui as Pornochanchadas, Mazzaropi, Os Trapalhões. E, notoriamente, deu um salto pra melhor, consideravelmente.

 

11) Diga o artista brasileiro que você não perde um filme.

No momento, Selton Mello. Não faz coisa ruim.

 

12) Defina cinema com uma frase:

Paixão. Porque só a realidade não basta.

 

13) Conte uma história inusitada que você presenciou numa sala de cinema:

Ah, quando o Homem de Ferro morreu em VINGADORES ULTIMATO. A galera vaiou, xingou, muitos jovens chorando. Foi interessante aquele momento.

 

14) Defina 'Cinderela Baiana' em poucas palavras...

Rsrsrsrsrsr... Bem, polemizando, 1, 2, 3, já! Cult. Tem o Lázaro Ramos em início de carreira.

 

15) Muitos diretores de cinema não são cinéfilos. Você acha que para dirigir um filme um cineasta precisa ser cinéfilo?

Claro que não. O principal é que saiba contar histórias. Já dizia Glauber Rocha, "Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça".

 

16) Qual o pior filme que você viu na vida?

Ihhhh, são tantos. Me vem à cabeça um pornô com uma determinada "celebridade", ela não estava nada à vontade naquelas cenas de sexo, deixava a gente constrangido também, mas, registro aqui O FILHO DO MÁSKARA.

 

17) Qual seu documentário preferido?

Gosto muito dos documentários do Cláudio Manoel, ex Casseta e Planeta. Destaque para Simonal e Chacrinha.

 

18) Você já bateu palmas para um filme ao final de uma sessão?

Acho que já, tipo aqueles que a "cavalaria chega no final" pra salvar a mocinha, a cidade, o mundo, essas coisas...rsrsrs 

 

 

19) Qual o melhor filme com Nicolas Cage que você viu?

No momento, não consigo pensar em outro que não seja A OUTRA FACE.

 

20) Qual site de cinema você mais lê pela internet?

Omelete e Adoro Cinema.

 

21) Qual streaming disponível no Brasil você mais assiste filmes?

NETFLIX e HBOMAX.

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'Vípuxovuko – Aldeia' [Fest Aruanda 2025]

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda , com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra. Selecionado para a mostra competitiva de curtas-metragens nacionais do Fest Aruanda 2025, a obra avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.    A cultura indígena ganha registros através da fé, da cultura, da tradição e da preservação desses povos originários, que em muitos casos estão sempre na luta pela continuid...

Crítica do filme: 'Apocalipse Segundo Baby' [Festival É Tudo Verdade 2026]

Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Se você ouvir esse nome por aí, talvez não sabia de quem se trata. No entanto, se falarmos Baby do Brasil – ou mesmo Baby Consuelo, como foi conhecida boa parte de sua carreira - as lembranças logo chegam. 18 anos depois do início do projeto, o documentário Apocalipse Segundo Baby, chegou às telonas brasileiras antes da sua estreia em circuito, através do Festival É Tudo Verdade. Com roteiro e direção de Rafael Saar , a obra toma um rumo corajoso desde seu início, fugindo de referências documentais conhecidas para se chegar em uma narrativa intensa, cheia de imagens e movimentos. Essa busca pela originalidade, na tentativa de traduzir o abstrato de uma personalidade plural, marcada por autorreflexões de Baby, segue apenas por essa perspectiva, com a ajuda de registros de apresentações marcantes. De Niterói a Salvador, passando por uma experiência marcante em Santiago de Compostela - ex-integrante do grupo Novos Baianos, que alcançou o sucesso a...

Crítica do filme: 'Zico, o Samurai de Quintino'

Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol - ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional. Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino , com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer , o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.    O documentário segue por um modelo narrativo convencional, sem se arriscar, com entrevistas e...