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Crítica do filme: 'As Trambiqueiras'


A linha tênue entre a satisfação e a fraude não violenta. Mesclando a questão dos sonhos com pitadas bem generosas de humor, o longa-metragem As Trambiqueiras nos mostra uma fraude, um crime não violento, motivado pela obsessão por cupons de desconto. Parece inusitado (e realmente é!) mas a partir dessa premissa, navegamos por uma densa camada existencial, onde conflitos se chocam com a oportunidade mesmo que isso seja fora da lei. Uma ótima surpresa no catálogo da Amazon Prime Video. Escrito e dirigido pela dupla Aron Gaudet e Gita Pullapilly.


Na trama, conhecemos a ex-atleta olímpica da marcha atlética Connie (Kristen Bell), uma mulher perto dos 40 anos, que após anos se dedicando a um esporte que poucos ligam, virou uma dona de casa. Ela é muito infeliz no casamento com o marido Rick (Joel McHale), um homem grosseiro que viaja pelos Estados Unidos pelo seu trabalho na receita federal. Connie só tem uma grande amiga, Jojo (Kirby Howell-Baptiste). Ambas são viciadas em conseguir cupons de desconto e essa satisfação que sentem acaba virando uma ideia de empresa quando elas descobrem brechas em vendas desses cupons de forma online, porém totalmente ilegal. Ganhando milhões, elas começam a criar suspeitas no analista de cupons Ken (Paul Walter Hauser) que se junta ao agente federal dos correios Simon (Vince Vaughn) para tentar parar a dupla de amigas.


Em quase duas horas de duração, vamos acompanhando a saga dessas amigas que motivadas pelo vício nos cupons acabam se deixando levar para o mundo do crime. A maneira como é contada a história é muito interessante, o humor chega nos conflitos que elas ultrapassam quando não entendem absolutamente nada da fraude que estão executando. A personagem Connie é muito bem desenvolvida, vemos as camadas profundas de seu relacionamento depressivo com o marido e quando há uma chance de mudar esse cotidiano ela ultrapassa qualquer linha que precisa. Já Jojo tem o foco instaurado em sua obsessão de ser famosa, com seus vídeos e interações pela internet. Ken é outra variável importante para a trama, recluso, em uma função peculiar na empresa que trabalha encontra oportunidade de crescer como pessoa na busca pelos motivos da fraude, na caça às criminosas.  


Repleto de cenas engraçadas dentro de um melancólico retrato existencial em uma terra de oportunidades, As Trambiqueiras cumpre seu papel de divertir e refletir.

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