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Crítica do filme: 'Dormir de Olhos Abertos'


Exibido no Festival de Berlim no ano passado, Dormir de Olhos Abertos é um fascinante retrato sociológico e, na mesma proporção, desafiador. Trazendo um olhar de fora para realidades sociais e culturais de nosso país, o intrigante longa-metragem, em seu ritmo lento, constrói paralelos de emoções por meio de uma melancolia que atinge os destinos que se cruzam.

Dirigido pela cineasta alemã Nele Wohlatz, ao longo de 90 minutos, acompanhamos uma turista estrangeira que vem passar férias no nordeste brasileiro, mais precisamente na cidade de Recife. Sua jornada logo se cruza com a de um vendedor de guarda-chuvas desiludido. Ao longo do tempo, a protagonista encontra também outros personagens que a ajudam a tentar compreender melhor esse lugar.

Saindo totalmente da curva de qualquer concepção habitual, a arriscada narrativa pulsa através de um meticuloso olhar silencioso, dos detalhes nas entrelinhas e dos sentimentos que logo se tornam conflitantes para uma estrangeira oriental em sua estrada de entendimento deste novo lugar na América do Sul – que, na verdade, poderia ser em qualquer outro continente.

A partir de uma busca desencontrada, o roteiro se afunila em camadas densas, culminando em um recorte sociológico eficaz, embora algumas peças se percam e se encontrem, gerando uma inquietude difícil de definir. É preciso de paciência por parte do público: o filme se revela aos poucos e, quando menos se espera, um leque de reflexões cai no colo do espectador.

Se você curte filmes fora da caixa - onde as conexões não surgem sem um olhar mais profundo - esta produção é um prato cheio. Estreia dia 11 de setembro nos cinemas brasileiros.

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