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Crítica do filme: 'Cidade dos Anjos'


Um clássico revisitado sob as linhas do melodrama. Duas décadas e meia atrás o cineasta Brad Silberling recebeu a tarefa de recriar a essência de uma história marcada pelo cineasta Wim Wenders num clássico da década de 80 adaptando para os moldes do cinema hollywoodiano onde a filosofia marcante da obra original é quase jogada pra escanteio e onde o melodrama domina as ações. Como protagonistas, dois rostos conhecidos de uma década de 90 vitoriosa do cinema norte-americano e seus filmes de romance: Nicolas Cage e Meg Ryan. Mas o grande destaque de Cidade dos Anjos é sua trilha sonora, indicada ao Grammy no ano de 1999.


Na trama, conhecemos um anjo chamado Seth (Nicolas Cage), uma alma imortal que tem a missão de olhar pelas pessoas em aflição em uma Los Angeles da atualidade. Quando ele começa a se aproximar da história da médica Maggie (Meg Ryan), uma intensa paixão logo toma conta dele fazendo com que o mesmo opte pela mortalidade mesmo sabendo os riscos desse desejo.


Esse enlatado norte-americano não envelhece tão mal quando revemos. A história original, vista em Asas do Desejo, é algo muito mais profundo, ligando pontos de filosofia e metáforas dentro de um contexto de uma Berlim ainda com o famoso muro intacto. O refletir sobre a existência era algo rico em caminhos para nosso refletir. Nessa adaptação norte-americana, as estradas são moldadas pelas resoluções simples de uma história de amor que flerta com a tragédia dentro de uma iminência nada feliz.


Não consigo ver você. Mas sei que você está aí. A narrativa desse remake leva o espectador rapidamente ao clímax do discurso proposto gerando perguntas implícitas nas ações dos personagens: o que você faria no lugar do anjo Seth? Se jogaria na imortalidade, mesmo sabendo de todos os problemas de nós meros mortais? Se apaixonar é mesmo uma razão de existência, nada fica 100% completo sem o amor? A condução disso em forma de narrativa escorrega nos clichês mas tem lá sua importância através do existencialismo, uma característica muito forte dessa história.


A trilha sonora é o ponto mais impactante dentro da narrativa. Realmente uma seleção que vale a pena ter no seu player musical, indicada ao Grammy e ao Globo de Ouro. Nomes como: Alanis Morissete, Jimi Hendrix, Eric Clapton, Goo Goo Dolls e U2 brindam o espectador com canções maravilhosas. Sobre esse fato duas curiosidades:


A primeira é que a banda Goo Goo Dolls conseguiu chegar ao estrelato com a canção ‘Iris’, um dos maiores sucessos dos anos 90 e até hoje muito associada ao filme. A segunda curiosidade gira em torno do U2, única banda que esteve presente na trilha do filme que é a continuação da versão original (Tão Longe, Tão Perto), com a canção ‘Stay Faraway, So Close!’. Em Cidade dos Anjos eles entregam a belíssima ‘If God Will Send His Angels’.


Com direito a uma aparição surpresa como ator do cineasta Michael Mann em uma das cenas, Cidade dos Anjos é um daqueles filmes que a maioria dos cinéfilos para pra ver quando está passando. Foi um dos grandes sucessos da carreira de Nicolas Cage e Meg Ryan, conseguindo alcançar a poderosa marca de 200 milhões de dólares em bilheterias de todo o mundo e somente no Brasil levou mais de 1 milhão de pessoas as cinemas (num ano que teve sucessos como Titanic e Armageddon).


Para quem quiser conferir, o filme está disponível na HBO Max.



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