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Crítica do filme: '152 AB' [Mostra de Cinema de Fama]


Modelando uma narrativa simples e eficiente sobre as inquietudes urbanas, o curta-metragem 152 AB é um retrato sociológico do cotidiano de muita gente. Por esse gancho, a identificação já fisga rapidamente o público, trazendo paralelos com a realidade. Dirigido pela dupla Daniel Jaber e Jelton Oliveira, esse é um singelo recorte existencial, onde na estrada de desilusões as luzes de esperanças piscam e precisam, de alguma forma, serem aproveitadas.

Dois personagens e suas dificuldades, morando lado a lado, em um lugar onde os sonhos parecem se despedaçar. Ela, com dívidas de aluguel, prestes a ser despejada. Ele, com notícias terríveis e uma saudade de doer o peito. Num rápido encontro, desabafos e espasmos de luz do fim no túnel se mostram presentes.

Um muro dividindo histórias que se complementam. Através dos protagonistas e suas angústias, além os sonhos perdidos – completamente na corda bamba das emoções – a pergunta que logo nos fazemos é: O que fazemos na loucura cotidiana das responsabilidades e dificuldades? Através dos diálogos desses conhecidos de curto tempo, vizinhos que pouco se falavam, as peças de encaixe entre as duas histórias chegam em reflexões profundas sobre a vida.

Através da liberdade criativa e infinidades de possibilidades do cinema, o projeto encontra seu norte com elementos simples. Esse não se arriscar deixa tudo mais ‘pé no chão’, focando em ótimos diálogos e mensagens diretas que modelam o desenvolvimento dos personagens. Mesmo com um excesso de trilha sonora - que acaba escapando da atmosfera de tom sóbrio lapidado por melancolia que conduz a narrativa – 152 AB deixa sua marca, explorando as muitas realidades da grande parcela da população dos centros urbanos.

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