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Crítica do filme: 'Um Amigo na Noite' [Mostra de Cinema de Fama]


Um transeunte perdido no seu pensamento que vaga pelas ruas em busca de alguma luz para seus problemas. Num primeiro momento, essa definição é a mais certeira quando pensamos no curta-metragem Um Amigo na Noite. Indo de encontro a um problema social bastante comum – as aflições do cotidiano – o projeto mineiro dirigido por Vinicius di Castro busca ir nas raízes de seu discurso com pontos interessantes, e outros nem tanto assim.

Um trabalhador brasileiro - aqui esgotado pela sua rotina num escritório de advocacia – resolve abandonar o comodismo de seu veículo e partir a pé rumo a qualquer lugar que não seja dentro da bolha que virou seus dias. Pelas ruas de uma grande cidade brasileira, vagando pela noite, em certo momento se depara com um cãozinho querendo sua atenção, um fato com consequências, que irá fazê-lo refletir sobre seu papel no mundo.

Uma batida nas teclas – de forma incessante - abre alas de um filme que busca o refletir de um estado de solidão, um paralelo com infelicidade que muitas vezes não se mostra, só se sente. Os tons carregados de amargura se projetam em uma fotografia com ambientes escuros, trazendo o clima para uma tensão. A fuga do concreto e as novas interpretações da observação do cotidiano viram alicerces de uma narrativa que tenta a todo instante alcançar camadas mais profundas através de um homem sem direção, caminhando despretensiosamente rumo ao inesperado.

Quando o projeto sugere e ataca o debate que propõe se mostra interessante, quando tenta definir ou mesmo encontrar sentido para a situação que se encontra o protagonista - pulando as entrelinhas - o filme força situações existenciais. Esse último ponto, grande calcanhar de aquiles da produção, nos coloca de frente com a pretensão de definições sobre estado de espírito, quase um precipício criativo de uma história com paralelos com muitas realidades. 

 


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