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Crítica do filme: 'Memoria Impacable' [CineBH 2025]


O CineBH vem trazendo em sua programação deste ano preciosos documentários, alguns sobre assuntos pouco conhecidos. É o caso de Memoria Implacable, co-produção Argentina e Chile que apresenta, por meio de um road movie, a desapropriação de terras e genocídio do povo indígena Mapuche a partir da chegada militar pelos dois lados da Cordilheira dos Andes. Através das descobertas de uma acadêmica descendente Mapuche, percorremos os lugares por onde, entre dores e desamparo, seu povo foi obrigado a passar logo após a expulsão de suas terras.    

A oportunidade de reencontrar as verdades dessa história é o grande objetivo de Margarita, uma ativista que dedicou sua vida a se reconectar com o passado de seus antepassados e entender de vez a história de sua família e seu povo. Guiada por essa missão, ela busca  informações em relatos e registros da brutalidade, buscando por memórias enterradas, esquecidas ou negadas. A cada nova parada, uma nova reflexão se soma ao seu caminho.

A contextualização histórica é apresentada com eficiência, e logo compreendemos a natureza dessa jornada. Os Mapuches habitavam o centro-sul do Chile e sudoeste da Argentina antes de terem seu território invadido por forças chilenas e argentinas, em ambos os lados dos Andes. Um fato que nunca foi reparado, com uma negação histórica que persiste até hoje. Essa negação é algo que pulsa em todo o documentário, despertando questionamentos sobre suas causas.

O grande desafio da narrativa é ilustrar essa história que tem sua força motriz apenas em memórias documentadas. A saída criativa é fascinante: entrevistas e narrações de registros sobre o ocorrido se encontram com uma composição visual deslumbrante, um cenário que se contrapõe as horrores cometidos nesses mesmos lugares. O silêncio também é um elemento que se faz presente, ganhando muitos sentidos dentro de um discurso que nunca perde sua direção.

Um dos objetivos de documentários como este é impedir que fatos sejam esquecidos, além de lançar luz sobre temas distantes para muitos, mas que ajudam a entender absurdos muitos vezes escondidos. Memoria Implacable constrói um retrato doloroso e de impacto, que provoca muitas reflexões.

 

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