O isolamento para chegar nas linhas da solidão. Um silêncio profundo no início do longa-metragem Malaika já nos transmitia a ideia de que embarcaríamos em uma jornada de deslocamento, com interpretações e sentimentos voltados ao não-pertencimento. Dirigido por André Morais, a obra aposta suas fichas em um recorte sensorial que contempla incertezas e estímulos perceptivos, mas esquece de um ponto importante: a narrativa, que se arrasta pela fabulação sem sustentar de forma satisfatória seus próprios elementos em cena.
Uma jovem albina chamada Malaika chega à escola para o
primeiro dia de aula em uma zona rural do interior nordestino, onde logo
percebe o ambiente hostil, fruto do bullying de outros alunos. Ela vive com vive
com a mãe Isabel, que trabalha para uma família da região. Aos poucos, vai inicia
um processo de amadurecimento em uma jornada de autodescoberta.
Sempre com a câmera próximas da protagonista, acompanhando
uma movimentação de forma bem próxima, íntima, querendo provocar uma imersão
sensorial – até mesmo transmitir subjetividade, o filme conduz suas reflexões
por um ritmo contemplativo, sensorial em muitos momentos, indo ao encontro da
intensidade dos conflitos que logo se revelam para os personagens.
Contar essa história de uma maneira envolvente era um grande
desafio. A narrativa se torna pouco eficaz para o público por conta de
conflitos mal conduzidos, misturando suas progressões dramáticas às
fragilidades de um roteiro que tem seus méritos, mas não prende a atenção como
poderia.
O filme, que teve sua primeira exibição no Nordeste durante
o Fest Aruanda 2025, onde concorreu na Mostra Competitiva Sob o Céu Nordestino,
parte de um recorte íntimo, de ‘dentro para dentro’ deixando margens para o
espectador refletir sobre questões sociais e familiares.
