22/04/2023

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Crítica do filme: 'Dissonantes'


Quem vive de passado é museu. Contornando os paralelos entre sonhos e oportunidades na visão de um desajustado que tinha uma banda de rock promissora nos anos 90, o longa-metragem Dissonantes, que teve uma rápida passagem nos cinemas brasileiros (em uma parceria exclusiva com apenas uma rede de salas de cinema), é uma comédia dramática que anda no compasso da melancolia buscando criar suas reflexões nas frustrações dos personagens. O roteiro ainda encontra espaço para uma forte crítica em cima do artista como produto de mercado. A direção do projeto é de Pedro Amorim.


Na trama, conhecemos Paulo (Marcelo Serrado), um homem de meia idade imerso nas desilusões dos sonhos perdidos. Ele tinha uma banda de rock algumas décadas atrás chamada Super Fuzz, na qual era guitarrista e vocalista. O empreendimento musical não foi pra frente e nos dias atuais ele vive em situação difícil: com aluguel atrasado, sem muitas perspectivas de continuar no complicado mercado fonográfico, além de ter que lidar com o sucesso de outros integrantes da banda que encontraram espaço em um reality musical. Para complicar mais ainda sua situação, seu relacionamento de 18 anos com Clara (Maria Manoella) se desfaz, o levando a uma tristeza profunda. Certo dia, ele conhece Loly (Thati Lopes), uma criativa artista que vira um produto da indústria nas mãos de seu antigo parceiro musical. Paulo e Loly percebem que juntos podem encontrar algum sentido para as soluções de seus respectivos conflitos.


A crise de meia idade no compasso da melancolia transforma a narrativa em uma lenta análise sobre o vazio existencial. O protagonista é um acomodado nas suas frustrações, imagina que as coisas vão cair do céu e assim o tempo foi passando. Abandonado aos poucos por todos que eram próximos, seu choque de realidade acaba acontecendo quando conhece Loly, e nas aflições que encontram horizontes em comum. Não há uma óbvia desconstrução do personagem, o que talvez esconda ou mesmo não alcance o clímax para a trama.


Há uma interessante crítica sobre a situação do artista como produto de mercado. Como o filme mostra, alguns produtores investem suas apostas em caminhos que muitas vezes não são os que os detentores do talento querem e nessa gangorra as opções podem ser: fazer sucesso se caracterizando como algo que não queria ou mesmo buscar o cenário independente para brilhar e chegar as grandes audiências. Essas ‘leis do mercado’ podem ser avassaladoras para o artista. Por aqui, os dois personagens atravessam de suas formas embates contra esse mercado.


Dissonantes agora está disponível no streaming da Star Plus e pra você que gosta de assistir a filmes brasileiros que buscam reflexões sobre sonhos e oportunidades, esse pode ser o filme que você está procurando.



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Painel Rio2C 2013: JANTJE FRIESE E BARAN BO ODAR APRESENTAM: DESVENDANDO OS MISTÉRIOS POR TRÁS DE DARK E 1899


Rolou na RIO2C 2023 o aguardado painel com Jantje Friese e Baran Bo Odar, os criadores dos seriados Dark e 1899. A jornada criativa das séries da dupla foi a base do bate-papo que visitava pela primeira vez o Brasil. Antes do bate-papo, que ocorreu em uma sala lotada às 9 da manhã de um dia de semana, passearam por 7 horas pela capital carioca, andaram de metrô, foram nas praias, aproveitaram muito bem a cidade maravilhosa!


Logo no início do papo, começaram dizendo que a maneira como abordam as suas séries tem a haver com mentalidade dos filmes que fizeram, concluindo que aprenderam durante o processo como fazer um seriado. Grande fãs do seriado Lost, falaram para o público que adoram charadas e quebra-cabeças além da ação de pesquisa na internet para buscar códigos, e isso é exatamente o que eles querem com seus projetos: criar uma experiência como essa, que o público pegasse uma caneta e fosse pesquisar, buscar as peças. 

 

A importância do tema ganhou os holofotes. Para a dupla, você precisa definir um. O tema pra eles é como um instrumento musical, você apresenta a história e ele toca o tempo todo. E sobre as séries que criaram, em uma delas, o que os interessava é falar sobre física quântica, sobre a dicotomia entre livre arbítrio e determinismo, personagens presos no loop de causa e efeito. A partir disso juntaram todos os elementos para criar um dos famosos projetos deles. 



 

Mostrando seu lado cinéfilo, Baran Bo Odar, citou Fogo contra Fogo (Heat) como um dos seus filmes preferidos principalmente pelo fato que há um tema circulando durante todo o projeto, no caso um longa-metragem sobre solidão com uma trilha que passeia pelo filme durante as três horas sem deixar de ter a ação, entre outros elementos. Depois citou o longa-metragem brasileiro Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, e o potencial das histórias que conseguem chegar em qualquer lugar do mundo. Mais pra frente no papo, citou também Seven – Os Sete Crimes Capitais, de David Fincher, como um ótimo filme pelo fato de fazer uma crítica à sociedade. Baran disse que comprou o ingresso pra ver o filme, saiu do cinema quando acabou e foi ver de novo! 


A indústria audiovisual e o mercado desse segmento ganhou espaço no bate-papo. Sobre isso, em resumo, bateram na tecla de que a audiência está mudando, de que o público está tendo uma visão diferente do que antigamente. Logo após, emenderam sobre confiança e liberdade criativa, falaram que tiveram grandes executivos da Netflix que os ajudaram a criar os programas sendo uma jornada em conjunto no processo criativo. Mas ponderando que o caminho para chegar nesse ‘construir’, no desenvolvimento, em algum momento pode haver visões diferente sobre os rumos da história. 

 


Falando sobre a parceira na vida profissional e na pessoal (já que eles são casados na vida real), eles de forma bem-humorada falaram que fazem isso faz 21 anos. Eles se conheceram na faculdade e sempre gostaram dos mesmos filmes e pensam da mesma maneira, isso ajuda muito. Ter o mesmo objetivo em comum e confiar na equipe pra tomar decisões com eles também é fundamental. Pra finalizar esse tema, Bo disse:“A principal dica é nunca falar antes do almoço sobre coisas criativas”, causando risos em todos os presentes.

 

Deu tempo para falar sobre os desafios de rodar 1899, um projeto que foi filmado no estúdio onde gravaram Metrópolis de Fritz Lang. Os criadores falaram que a série quase não foi feita por conta da pandemia, em tempos onde não se podia viajar, mas aí chegou a tecnologia por meio de um telão enorme sem precisar se deslocar. Eles falaram que foram aprendendo aos poucos a mexer na tecnologia que estava disponível ao longo do processo que acabou tendo um tempo de preparação muito longo (1 ano), pois poucas pessoas tinham usado o equipamento. Um fato que ajudou foi que no seriado The Mandalorian, da Disney Plus, foi usada essa mesma tecnologia antes, aí várias dicas foram dadas à toda a equipe.

 


Chegando no final do papo, a pergunta que todos queriam uma resposta: ‘Por que a série 1899 foi cancelada?’, Baran Bo Odar se antecipou e rapidamente soltou: “É uma coisa que precisamos perguntar a Netflix”. Jantje foi mais a fundo: “Muita gente assistiu a série. Mas mudaram a métrica da relação custo da série. 1899 é uma serie muito cara, certamente muita gente viu mas nessa relação métrica o resultado não foi o suficiente.

 

Uma próxima série em parceria da dupla com a Netflix já está sendo preparada, ainda na fase de concepção do projeto. Nos resta é aguardar, para conferir!

 

 

 

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21/04/2023

Crítica do filme: 'Renfield'


Fã do lendário ator britânico Christopher Lee e dono de vários castelos, um dos sonhos do astro Nicolas Cage era interpretar o Conde Drácula. Em 2023, o desejo se torna realidade, e mesmo em um papel coadjuvante (algo raro na sua vasta carreira) ele rouba a cena nesse filme que mistura muita ação, um forte tom cômico e uma ambientação num presente dinâmico trazendo para reflexões dilemas existenciais, até mesmo alguns mandamentos da auto ajuda, sobre o enfrentar as barreiras para ser feliz. Dirigido pelo cineasta norte-americano Chris McKay baseado numa ideia do excelente Robert Kirkman, Renfield - Dando o Sangue Pelo Chefe é assustador e engraçado, um suco de entretenimento!


Na trama, conhecemos o depressivo Renfield (Nicholas Hoult), um ex-advogado que muitos anos atrás se tornou um lacaio, ajudante, do vampiro mais temido do planeta, o Conde Drácula (Nicolas Cage). Durante anos exercendo essa função, e sempre buscando renovar o ‘poder absoluto’ de seu mestre, quando chega nos tempos atuais, já na cidade de Nova Orleans, entra em uma crise existencial e através de um grupo de ajuda começa a rumar para uma estratégia para se livrar dos longos séculos de servidão ao chefe. Ao mesmo tempo, entra em sua vida, a policial incorruptível Rebecca (Awkwafina) por quem logo cultiva grande admiração. Mas nada será fácil para o anti-herói, já que Drácula descobre seu plano e parte para tentar impedí-lo.

Sem ajuda, ninguém atravessa a eternidade. Nômade de muitos anos e preso nas regras de seu mestre, o protagonista, muito bem desenvolvido pelo roteiro, parte da sua jornada em busca da felicidade com dilemas ligados ao ‘enfrentar’, até mesmo se vê perdido em uma linha de moralidade, algo que balança seu pensar e o encontramos assim logo em crise, buscando ajuda, tentando entender o que pode fazer para mudar. O paralelo com o grupo de auto ajuda é cirúrgico, contorna a trama com maestria, com momentos hilários.


O tom cômico, as cenas de ação, as críticas na relação entre chefes e funcionários, o raio-x animado sobre o universo narcisista, o sentido da auto ajuda, e a ambientação num presente dinâmico transformam a narrativa num pot-pourri onde o entretenimento reina. Será comum ver interações do público durante as sessões no cinema com o que acontece em cena. A busca pelo ‘Poder Absoluto’ transformam o coadjuvante Drácula numa figura necessária nas principais sequências, Cage dá um show em cena com sua leitura caricata, cheia de caras e bocas, daquele jeito que somente ele sabe fazer.


Algumas curiosidades cercam esse projeto. Cage é o único ator a interpretar o vampiro mais famoso do entretenimento depois de vencer o Oscar, porém outros vencedores do Oscar já interpretaram esse célebre personagem, como: Jack Palance (Drácula, O Demônio das Trevas) e Gary Oldman (Drácula de Bram Stoker). Nicolas Hoult já havia trabalhado com Cage no início da carreira, 18 anos atrás ele foi o filho do personagem de Cage no drama O Sol de Cada Manhã.


Com muito humor e ação desenfreada, essa abordagem impagável do universo vampiresco vai ficar na memória de muita gente. De forma despretensiosa, conquista o público de várias formas, um filme para chamar os amigos e se divertir na telona mais próxima de sua casa!



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18/04/2023

Crítica do filme: 'Ninguém é de Ninguém'


O antes influencia o depois. Baseado no livro homônimo de 378 páginas, lançado 23 anos atrás, pela escritora espiritualista paulista Zíbia Gasparetto, Ninguém é de Ninguém molda seus olhares e reflexões para um dos mais delicados estados emocionais do ser humano, o ciúmes. Caminhando por estradas dolorosas das reações complexas que se estabelecem nas desconfianças para com o outro, o roteiro busca ampliar seu campo de desenvolvimento através dos conflitos de seus personagens mas acaba se perdendo no momento em que a técnica é aplicada na narrativa. Subtramas rasas geram certo desequilíbrio, como se peças faltassem para um entendimento mais amplo do complicado caminho do abstrato proposto. Por outro lado, a mensagem consegue chegar ao campo de reflexão, até mesmo com várias interpretações sobre quais lições a história busca passar, principalmente sobre a explicação estar em acontecimentos de vidas passadas.


Na trama, conhecemos Gabriela (Carol Castro, em destacada atuação) e Roberto (Danton Mello), um casal que passa por uma séries de instabilidades na relação após o segundo caminhar por diversos obstáculos e seu empreendimento afundar, ao mesmo tempo que Gabriela, uma advogada em ascensão na empresa onde trabalha, começa a colher os frutos de sua dedicação. A situação piora quando Roberto começa a desconfiar da fidelidade da esposa com o dono da empresa onde ela trabalha, o Dr. Renato (Rocco Pitanga). Esse último também passa por situações complexas no relacionamento com a socialite Gioconda (Paloma Bernardi), também com a motivação do ciúmes no epicentro dos problemas. Ao longo do filme vamos vendo que esses destinos de alguma forma já estavam entrelaçados.


O relacionamento abusivo no centro da questão. Tendo como foco o ciúmes, a desconfiança, numa estrada com um forte viés espiritual, somos levados a abrir a porta da casa de duas famílias que passam por situações dolorosas, amarguradas, que geram inconsequências para todos os lados. Nesse olhar íntimo para casamentos na iminência do naufrágio, o desenvolvimento do roteiro gira em torno desses conflitos dos personagens e num segundo momento no resgate de acontecimentos em vidas passadas com imersões sobrenaturais. Nesse último ponto a história se perde chegando em uma conclusão interpretativa onde nada-se para o oceano do perdão, do arrependimento, de forma simplista, sem profundidade.


Esse é o segundo lançamento recente de um filme baseado em um livro de Zíbia Gasparetto, no final do ano passado chegou aos cinemas Nada é Por Acaso. Dirigido por Wagner de Assis, cineasta que já dirigiu filmes Kardec e Nosso Lar, dois filmes também com essa pegada espírita, Ninguém é de Ninguém, de forma atabalhoada, consegue chegar em seu objetivo, sua mensagem, muito ligada à uma emblemática questão existencial ligada ao indivíduo possuir somente a si e as várias formas de entender a vida dessa forma.



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16/04/2023

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Pausa para uma série: 'Desejo Obsessivo'


O estopim oriundo da obsessão e do desejo. Minissérie caliente que busca uma reflexão no campo emocional de um absurdo e obsessivo relacionamento em paralelo ao rompimento da linha tênue entre o controle e o descontrole, Desejo Obsessivo navega a um passo da tragédia.  Reunindo um protagonista com uma vida perfeita que encontra uma singular mulher, o roteiro levanta questões sobre desejo, a obsessão, onde os deslizes se tornam iminentes e a irrelevância de qualquer outro vira algo frequente. Esse embarque no desequilíbrio é o ponto de interseção que costura o roteiro para as ações e consequências dos personagens.  


Na trama, conhecemos William (Richard Armitage), um cirurgião brilhante, de fala mansa, casado com uma advogada, com dois filhos que o idolatram, que vive seus dias com um enorme recente sucesso na carreira, fato que o leva a uma provável carreira política. Tudo ia na mais perfeita harmonia e equilíbrio na sua vida até que se vê envolvido, encantado, seduzido, obcecado, pela futura noiva do próprio filho, a enigmática Anna (Charlie Murphy). A partir do momento que ele se deixa levar por essa história, a vida apresentará duros golpes em seu caminho.


A verdade tem mil faces. A relação que se estabelece é por onde buscamos decifrar os momentos dos personagens. A dominação, controle psicológico, o proibido, a necessidade da submissão do outro nos jogos sexuais impostos, são alguns dos elementos que se tornam pólvoras para inconsequências. O controle e a submissão, aqui ligados ao desejo, moldam os calientes momentos como se a cada novo encontro um tijolo fosse colocado na bolha criada nesse tabuleiro de sedução. Será algum tipo de amor? Será a necessidade de preenchimento de um vazio ligado a desejos? Percorrendo milhas e milhas distante da linha que divide razão e a inconsequência somos testemunhas de atos impensáveis, onde há a troca do equilíbrio (razão) pelo descontrole (emoção).


A subtrama da família e toda exposição perante à situação não consegue ser tão profunda, ficando em total segundo plano. Esse poderia ser um elemento mais bem aproveitado. A deslealdade na relação com filho é o que deixa marcas no desequilíbrio do protagonista, mesmo esse dominado pela obsessão onde qualquer um que não seja Anna sejam jogados para escanteio. Na construção para a estrada da obsessão aqui nesse projeto, logo percebemos ser uma rua de mão dupla, onde um personagem se joga nesse oceano de inconsequências e o outro busca soluções para sair dessa bolha angustiante que já lhe trouxe tragédias no passado.


Mas afinal, quem tem mais culpa no cartório? Nessa minissérie de 4 capítulos disponível na Netflix, o lidar com a consequência dos próprios atos é a reta final de uma trama que busca ser envolvente e caliente, explorando os caminhos interpretativos do desequilíbrio.  


   

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15/04/2023

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Pausa para uma série: 'Ringo: Glória e Morte'


Dinheiro e medo, nós nunca teremos. Inspirada em fatos reais e com pouca divulgação em sua chegada ao catálogo da Star Plus, a produção argentina Ringo: Glória e Morte nos leva ao ano de 1976 onde um famoso pugilista argentino perderia sua vida de forma trágica num lugar onde estava em busca da volta aos tempos de glória. Ao longo de sete episódios, essa minissérie busca trazer um profundo recorte da vida de um ídolo do boxe argentino, uma figura que chegou até mesmo a lutar de igual para igual contra o mais famoso pugilista da história, Muhammad Ali.


Na trama, com começo já na parte de total declínio na carreira do boxeador argentino Oscar "Ringo" Bonavena (Jerónimo Bosia) acompanhamos suas inúmeras tentativas de conseguir uma revanche contra o super campeão Muhammad Ali, fato que nunca iria acontecer. Um ping pong temporal entre Estados Unidos e Argentina nos mostra o início da sua carreira, ascensão meteórica e com algumas polêmicas, passando por importantes lutas na carreira contra o já mencionado Ali e também Joe Frazier, chegando até seu assassinato repleto de circunstâncias misteriosas até hoje. Um fato curioso é que seu apelido, Ringo, foi dado por causa da semelhança com o cabelo do mundialmente famoso baterista dos Beatles, Ringo Starr.


Em duas linhas temporais que buscam um entendimento por completo nos principais recortes da vida desse polêmico lutador, o roteiro abre espaço para duas subtramas que se sustentam durante toda a narrativa. Os conflitos intensos com a família, que fica cada vez mais distante nas suas tentativas de alcançar a fama fora da Argentina é um do alicerces para o desequilíbrio emocional que passa o lutador, sem saber lidar com essa questão, colocando a carreira na frente de todos. Há também uma subtrama sobre um casal de empresários cafetões que estavam em tentativas de transformar Reno, em Nevada, no polo das grandes lutas do boxe, um esporte que sempre foi muito rentável para os produtores desses eventos, personagens que seriam peças chaves para o desfecho trágico do protagonista.


Filmado todo em Buenos Aires, o projeto, com muita competência, também explora os bastidores do auge desse atleta que tinha uma enorme necessidade (marcada pelo ego) de se promover no pré luta. Há flashbacks importantes, incluindo a passagem de Ringo nos Jogos Pan-americanos em São Paulo no início da década de 60. Também há passagens no início da sua carreira quando chegou a ser punido por ter mordido o peito de outro atleta durante um combate, além é claro, talvez do seu maior feito como atleta, sua luta contra Ali que bateu recorde de audiência na televisão argentina, só sendo superada anos mais tarde pela seleção argentina de futebol em uma edição da copa do mundo.


Ringo: Glória e Morte está disponível na Star Plus. Pra quem curte histórias do esporte, você precisa conhecer essa minissérie.



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Crítica do filme: 'Amém: Perguntando ao Papa'


A fraternidade é inegociável. O que você perguntaria ao líder da igreja católica se tivesse a oportunidade de estar frente a frente com ele? No documentário da Star Plus, Amém: Perguntando ao Papa, jovens entre 20 e 25 anos, católicos e não católicos, com experiências de vida diversas, praticantes da língua espanhola, tem a chance de conversar com uma das pessoas mais influentes do mundo em um bate-papo franco, honesto, sem deixar de navegar em temas conflitantes, polêmicos. Longe dos muros do Vaticano, já que o papo ocorreu em um bairro de Roma chamado Pigneto em junho do ano passado, a roda de conversa vai da questão da migração, passando pelo aborto, pela identidade de gênero e orientação sexual, até os abusos na igreja, entre outros temas.


Quem julga é incoerente. Ao longo de pouco mais de uma hora, em relatos, muitas vezes emocionantes, os jovens vindos de países como: Espanha, Senegal, EUA, Perú, Colômbia, Argentina, abrem o coração ao Papa buscando uma fonte de reflexão sobre angústias que sentem em relação a muitos temas. A maior autoridade católica, conhecido por seu bom humor, aborda no início do papo a diminuição dos adeptos católicos em todo mundo, algo que pode estar ligado ao passado da igreja no epicentro de colonizadores, além do fato da igreja católica durante muito tempo não assumir tudo o que houve nesse tempo. Depois, emenda sobre a imigração, principalmente nas fronteiras europeias, com duras críticas em cima de uma ação política imatura adotada por muitos países (que ele não citou) quando se pensa sobre o tema.


A formação religiosa, em alguns casos, é baseada em abuso psicológico? Entrando nessa tensa questão vemos o relato de uma jovem, ex-freira, que não se sentia mais feliz no convento e abandonou tudo e foi viver a vida longe das rédeas da igreja. Hoje inclusive namora uma outra mulher. E em falar em abuso, os padres abusadores ganham os holofotes via um depoimento emocionado de um jovem que foi abusado por um desses integrantes da Igreja Católica e sua indignação pela forma como a igreja lidou com a questão.


A sexualidade, o sexo, a identidade de gênero, o aborto, são temas que os jovens mais interagem com Francisco, principalmente esse último onde percebemos uma choque de experiências de vida em um embate entre uma feminista declarada e uma fiel fervorosa. Dentro da proposta desse encontro, com o objetivo de aprendizado mútuo, existem momentos um pouco mais tensos, onde os pontos de vistas se encontram em extremos difíceis de se encontrarem mas com um certo respeito, afinal, todos nós somos filhos de Deus.


Há um momento com espaço para reflexões sobre os avanços das interações digitais, nessa linha principalmente ligados à comunicação, com a chegada das redes sociais. Nesse momento, Papa Francisco é confrontado até mesmo sobre o Tinder e o que achava do aplicativo. Esse ponto sobre redes sociais e a questão da moralidade, mais especificamente sobre as escolhas quando se usam esses dispositivos ganham luz no debate.


O papa é pop! Com 86 anos, já com a mobilidade reduzida, Papa Francisco, sucedeu o Papa Bento XVI cerca de 10 anos atrás. Amém: Perguntando ao Papa é a constatação do valor de um homem que provocou uma verdadeira mudança em relação a tabus que circulavam ao redor da Igreja católica, que com a cabeça mais aberta do que a de seus antecessores, participa de diálogos frequentes, sempre com respeito ao próximo, aberto a ouvir a todos provocando reflexões e mudanças.



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Crítica do filme: 'Fome de Sucesso'


Quando a oportunidade bate à sua porta. Oferecendo para o público um forte olhar para os extremos sociais, e suas desigualdades, do vigésimo país mais populoso do mundo, Fome de Sucesso explora os detalhes, deixa pistas sobre seu foco nas entrelinhas, usando do choque de algumas cenas para reter a atenção e gerar o refletir sobre diversas questões que vão desde o rompimento de qualquer linha tênue entre exigência e assédio moral até a questões existenciais ligadas ao equilíbrio emocional. Dirigido por Sitisiri Mongkolsiri, com roteiro assinado por Kongdej Jaturanrasamee o projeto ainda conta com uma desconstrução profunda de sua protagonista que se vê em constantes dilemas dentro do exigente universo gastronômico. Pra quem curte sociologia esse filme é um prato cheio!


Na trama, rodada toda na capital tailandesa, Bangkok, conhecemos Aoy (Chutimon Chuengcharoensukying), uma jovem que é o coração de um humilde restaurante pertencente à sua família situado em um bairro humilde na capital tailandesa. Especialista em Pad See Ews (um tipo de macarrão frito), ela abdicou dos estudos para se dedicar integralmente ao empreendimento se vendo em muitos momentos sem grandes perspectivas na vida. Certo dia, recebe um convite para uma grande oportunidade na equipe do renomado e exigente Chef Paul (Nopachai Chaiyanam), um especialista em alta gastronomia, famoso por todo país. A partir disso, rompe com sua antiga vida e parte para a descoberta de um novo olhar sobre tudo aquilo que achava que conhecia.


O instigante roteiro de Jaturanrasamee nos leva para uma jornada por um dos novos países que compõe os novos tigres asiáticos, a Tailândia. Por isso é importante mencionar que esse país é um dos que, por meio de um processo constante de industrialização, mais cresceram economicamente a partir da década de 90 naquela região. Fato que provocou um abismo social pois os ricos fora ficando cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. De uma ponta a outra, as duas faces do extremo da pirâmide social são pontos de reflexão constante na obra e fazem parte da construção dos ótimos personagens. Diferenças no padrão de vida, nas condições de acesso à direitos, com tempo para criticar até mesmo a caça ilegal de animais, a narrativa não abdica do seu poder de chocar para refletir.


Usando de forma habilidosa o universo gastronômico como paralelo para enxergar fatos sociais, o filme navega no embate de valores e caráter entre uma jovem aprendiz e um sumo sacerdote da alta gastronomia. Em busca do corte perfeito, do controle do fogo, encostando na inveja, no ego, na pressão, na perfeição, nas experiências exclusivas de milionários e jovens mimados, nos detalhes, rompendo todas as linhas do assédio moral, o mentor causa o choque de realidade na protagonista que entra em uma intensa e exaustiva busca para expressar sua identidade e aqui o filme deixa a pergunta: pra chegar à perfeição é preciso se desnudar dos valores que construiu até ali? Nesse ponto, já dentro de reflexo de tudo aquilo que abomina, no parapeito de sua pior versão, há uma forte desconstrução da protagonista associada também à solidão de quando se chega ao topo.


Jogando um forte olhar crítico para um país que vem passando por enormes transformações pelo menos a uns 30 anos, o filme acerta no seu objetivo que é o de trazer para debate um problema universal: a busca pelo equilíbrio em um mundo desigual que pode corromper valores.



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14/04/2023

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Painel Rio2C 2013: PRIMETIME GLOBO. DO PLIM AO PLAY: VAMOS JUNTOS FAZER ACONTECER?


Um dos mais surpreendentes painéis da Rio 2C 2023, foi sem dúvidas, o aguardado leque de novidades da Globoplay. Buscando ser mais ágil, ser mais eficiente, tendo como essência o compromisso com Brasil, com cerca de 5 bilhões de reais de investimento em Talentos, direitos e produções de conteúdo nos últimos anos, se relacionando com 150 produtores e seus produtos, a equipe da Globo / Globoplay anunciou histórias que ganharão espaço em 2023, 2024 e 2025 em suas grades de programações.


Vários artistas da ainda poderosa emissora apareceram no painel. Nomes, como: Adriana Esteves, Eduardo Sterblitch, Rafael Portugal, Pedro Bial, Fátima Bernardes, Silvio Guindane, Luis Miranda, Tony Ramos, até a Ivete Sangalo tava por lá!


Entre alguns dos destaques de tudo que foi anunciado, destacamos a série da Globoplay Rensga Hits que vai passar na Tv Globo esse ano ainda. Uma nova série de tribunal que será exibida na Globoplay chamada Veronika, protagonizada por Roberta Rodrigues e dirigida por Silvio Guindane, tem lançamento marcado para 2025. A série documental, Xuxa, o Documentário, com cinco episódios, sobre a vida e carreira de Xuxa, dirigida por Pedro Bial, chegará à plataforma de streaming da Globo em julho desse ano. O remake da novela Renascer também foi anunciado, além de uma série sobre Raul Seixas e outra sobre o sociólogo Betinho. O aguardado seriado Os Outros que mostrará dentro de uma linha tensa uma briga entre vizinhos de um condomínio na Barra da Tijuca é uma das apostas, o projeto terá Eduardo Sterblitch como vilão, ou um dos.


Alguns dados interessantes foram mencionados por diretores da emissora. 42 documentários originais foram lançados pelo Globoplay desde o lançamento da plataforma e houve um investimento em mais 15 podcasts produzido pela globo (e deve ter mais nos próximos anos!).


Seguindo na linha do ‘Nosso Cliffhanger tem mais gancho’ e ‘Nosso remake tem nostalgia’, a globo/globoplay vai chegar mais forte nos próximos anos no cada vez mais disputado mercado audiovisual.

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Painel Rio2C 2023: PRIMETIME NETFLIX DEU MATCH: NETFLIX, BRASIL E MAIS DE UMA DÉCADA DE HISTÓRIAS


Um dos mais aguardados painéis da Rio 2C 2023 foi o da Netflix e olha...valeu a pena aguardar quase uma hora na fila! Tendo a vice-presidente de Conteúdo para o Brasil da empresa de streaming, a italiana Elisabetta Zenatti, como apresentadora e palestrante, a Netflix deu uma aula ao público sobre seus processos de aquisição, investimentos e acompanhamento das produções que estão ligadas ao nosso país.


No telão, foram exibidas as inúmeras produções nacionais, entre filmes e series que estão ou vão estar na plataforma em breve. Em 2022, foi o ano onde mais o público assistiu produtos nacionais na Netflix, que vendo esse crescimento, já investiu cerca de 1 bilhão de reais nas produções brasileiras. Os desafios, o futuro, grande parte do bate-papo girou em torno desses temas.


Os bastidores de várias etapas de negociações com a Netflix foram trazidos ao público. As questões da originalidade da obra, qual o formato do projeto, modelos de negócios, licenciamentos, o estímulo pelo episódio piloto, a troca com outros países para trazerem melhores práticas para o dia a dia das produções por aqui foram detalhadas por gerentes e diretores do canal. Ah, um fato muito legal é que a grande maioria de quem comanda a maioria desses processos na poderosa empresa são mulheres!


Alguns sucessos brasileiros que alcançaram o Top 10 Global da Netflix ganharam os holofotes com um bate-papo super interessante. Nesse momento estavam no palco, Julia Rezende diretora da minissérie Todo Dia a Mesma Noite, Juliana Vicente diretora do documentário Racionais: Das Ruas de São Paulo pro Mundo e Diego Freitas diretor do longa-metragem Depois do Universo. Também foi exibido um teaser exclusivo do longa-metragem O Lado Bom de ser Traída, protagonizado por Giovanna Lancellotti e Leandro Lima, que em breve vai estrear na plataforma.


Representantes de outras futuras atrações também estiveram por lá como: o cineasta Heitor Dhalia e sua nova série DNA do Crime. Também apareceram Juliana Paes e Vladimir Brichta para o anúncio da primeira novela da plataforma: Pedaço de Mim.


Com mais de 10 anos de histórias, em parceria com o Brasil, a Netflix vai continuar olhando para o horizonte desse espaço digital que dominou o mundo, os streamings, um lugar que sempre haverá espaço para evolução.

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Painel: ‘TRUE CRIME: ATRAÇÃO FATAL’ na Rio2C 2023


Um bate-papo super interessante aconteceu no Brainspace da Rio2c 2023! O nome do painel foi ‘TRUE CRIME: ATRAÇÃO FATAL’, e ao longo de uma hora de papo as ótimas Mabê, Carol Moreira e Paula Febbe conversaram com uma sala lotada de curiosos sobre assuntos que giraram em torno dessa temática que está inserida em vários projetos audiovisuais recentes.


Mabê e Carol são as apresentadoras do Modus Operandi, um podcast de crimes reais. Já com três anos de projeto, elas contaram um pouco sobre a experiência delas realizando esse podcast que já teve ouvintes que iniciaram na carreira de perito criminal após acompanhar o conteúdo delas. Muito legal, né? Realmente é um projeto que pode trazer um grande impacto na vida das pessoas. Carol, que é uma youtuber de sucesso falando sobre conteúdo audiovisual no seu canal, chegou ao true crime pelos filmes e series. Ela inclusive leu o livro Estação Carandiru (de Drauzio Varella) ainda jovem e ficou impactada pelas histórias.


Um pouco da história do início do boom desse tema nos projetos audiovisuais foi bastante debatido. A partir de 2015 e 2016, criou-se um enorme consumo por historias true crime. Antigamente era mais sensacionalista a linha que produziam esse tipo de conteúdo, mas com a chegada dos streamings e também de mais qualidade nesses conteúdos, vindo de vários países, o interesse aumentou mas a curiosidade sobre o tema é algo que sempre existiu. Ultimamente, a maioria dos projetos tem seu foco maior na perspectiva da vítima e não tanto dos que praticam os crimes. Tem a parte da psicologia da pessoa, tem também a investigação, o csi, tribunal, várias partes que compõem um crime. 

 

Ah, já ia esquecendo! Também foi falado no debate de projetos que fizeram muito sucesso, como a minissérie sobre a Boate Kiss, Todo o Dia a Mesma Noite e a importância no foco nas negligências.

 

Em resumo, o bate-papo gerou várias reflexões, principalmente a de que o ‘True Crime’ é um campo muito amplo, que pode falar também sobre os nossos medos. 

 

 

 

 

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TEMPO REI – UMA CONVERSA SOBRE TRÊS DÉCADAS DE PARCERIA ENTRE CONSPIRAÇÃO E GILBERTO GIL


Um dos mais importantes painéis do palco Global Stage da Rio 2C 2023, misturou música e cinema em um bate-papo entre o cineasta Andrucha Waddington e Gilberto Gil numa conversa aberta sobre o país e como é fazer cinema com amigos no Brasil. Ao todo foram 18 projetos em parceria entre Gil e a produtora do qual Andrucha é sócio, a Conspiração Filmes, cada um diferente do outro, contando histórias do Brasil em três décadas, onde o país passou por muitas coisas. Ao longo da conversa descontraída, foram exibidos no telão trechos da maioria desses esses projetos em parceria Desde “Tempo Rei” em 1996 até a série documental “Viajando com os Gil”.


Gil se mostrou um grande cinéfilo e com lindas memórias ligadas ao cinema! Comentou das primeiras lembranças numa sala de cinema: as chanchadas, Oscarito, Grande Otelo, as sessões no cine gloria, também no cine jandaia. Depois chegou nos filmes de com Cecil B. DeMille, como Os 10 Mandamentos, passou a gostar dos filmes italianos, espanhóis, os projetos de Antonioni, Fellini, Rosselini. Esse interesse por cinema se intensificou quando conheceu Caetano Veloso que o mostrou todo o alcance do cinema.

 

Perguntado sobre: ‘qual seu filme preferido?’ Gil não pensou duas vezes: o escolhido foi 'The Apartment' (Se meu Apartamento Falasse), de Billy Wilder.


Andrucha por sua vez comentou suas primeiras referências na sétima arte: Vidas Secas de Nelson Pereira dos Santos, seus inúmeros filmes vistos no Estação Botafogo, longas do cineasta espanhol Luis Buñuel. Ele sempre buscou cultura cinematográfica nos filmes vistos e nos papos com os amigos. 


Nessa conversa, que podemos chamar de uma pequena celebração do renascimento da cultura após anos onde o cinema foi jogado para escanteio, os convidados falaram sobre a lei rouanet, um objeto de constante revisões ao longo do tempo, e os streamings, que na época de Gil como ministro da cultura ainda não havia a noção da complexidade desses agentes impactantes na indústria audiovisual.


De resumo, a constatação: É fundamental a importância do audiovisual forte na cultura, pois por esse caminho consegue-se ler como está um país. 

 

 

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11/04/2023

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Critica do filme: 'Air: A História por trás do Logo'


As verdades por trás do sucesso. Recriando os caminhos que ficaram famosos de um case de sucesso do sempre em evolução marketing esportivo ligados à atletas de alto rendimento, chegou aos cinemas dias atrás o novo trabalho de Ben Affleck atrás das câmeras (e também na frente), Air: A História por trás do Logo. Mostrando um recorte dinâmico da tacada mais precisa da toda poderosa empresa de calçados, roupas e assessórios, a Nike, o projeto nos leva até o ano de 1984 onde um brilhante jovem jogador de basquete (que se tornaria uma lenda) chamado Michael Jordan é disputado por poderosas empresas. O grande astro do basquete não esteve diretamente envolvido no projeto, porém Affleck o consultou algumas vezes.


Na trama, voltamos aos anos 80, para Beaverton, no estado de Oregon, nos Estados Unidos, onde fica uma empresa mundialmente famosa, a Nike, que na época disputava o mercado dentro do universo esportivo com a alemã Adidas e uma outra norte-americana, a Converse. Nesse cenário, conhecemos Sonny (Matt Damon), um funcionário da Nike obcecado por basquete que fazia parte da equipe de marketing, mais precisamente do departamento de basquete, da empresa, ao lado do amigo Rob (Jason Bateman). Certo dia, Sonny resolve executar uma tacada corajosa para ter o conhecido talento do basquete universitário da época, Michael Jordan, como atleta da Nike, através de uma linha de calçados exclusiva que viria a ser conhecida como Air Jordan. Só que o caminho até esse objetivo não será fácil e ele precisará convencer o dono da Empresa, Phil Knight (Ben Affleck) e a mãe de atleta, Deloris (Viola Davis).


Filmado na região de Los Angeles, na Califórnia, Air: A História por trás do Logo, com muita precisão, nos coloca dentro de uma época de mudanças com a quinquagésima eleição presidencial no maior país do mundo, do lançamento do Macintosh pela Apple e ano onde o case de maior impacto no universo do marketing esportivo norte-americano se consolidou por meio de uma junção de diversas variáveis que vão desde a visão de um funcionário, as negociações com a família do atleta e a ruptura nos vínculos contratuais da época entre atletas e marcas com a maior valorização para o atleta através da percentagem de vendas, fato que mudou os contratos de muitos nos anos seguintes e seguem até os dias atuais.


Com um foco maior em Sonny, a narrativa traça os recortes dos seus inúmeros personagens através dos conflitos que estão, dentro de uma mesma interseção, envolvendo a situação sem deixar de chegar em uma inteligente contextualização. O vencedor do Oscar Ben Affleck vem se tornando a cada novo filme, um diretor mais maduro nas suas escolhas e quem ganha com isso é o espectador.



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06/04/2023

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Crítica do filme: 'O Exorcista do Papa'


Um homem e sua história contra o mal. Inspirado em memórias do padre Gabriele Amorth, ex-exorcista chefe do vaticano, o novo longa-metragem estrelado pelo ganhador do Oscar Russell Crowe, O Exorcista do Papa, explora o propósito de uma vida com uma narrativa que se coloca em cima do duelo na própria igreja católica no que considera ou não um exorcismo, além de trazer ao público um peculiar caso de seus milhares de esconjuros. Passando também por interpretações de supostos segredos da vaticano, o longa-metragem dirigido pelo cineasta australiano Julius Avery desenvolve bem seu protagonista mas com um roteiro que parece andar em círculos.


Na trama, conhecemos o padre exorcista Gabriele Amorth (Russell Crowe), um ex-jornalista e advogado que foi um combatente de um grupo que lutava contra os fascistas em pleno território italiano durante a Segunda Guerra Mundial. Mão direita do Papa (Franco Nero) para esses casos extremos, Gabriele, à bordo de sua estilosa lambreta, é designado para resolver uma possível possessão de um menino estrangeiro, que chegou à Europa com a mãe e a irmã pois a família herdou do falecido pai um enorme castelo bastante conhecido pelas altas autoridades do vaticano. Contando com a ajuda de uma padre da região, Esquibel (Daniel Zovatto), Gabriele fará de tudo para conseguir êxito em mais esse terrível caso.


Se o mal não existe, qual o papel da igreja? Responsável por expulsar espíritos malignos dos outros, o exorcista tem a função, muitas vezes não reconhecida, por isso embates dentro da própria igreja católica, sobre o que é ou não exorcismo, são chamas que se acendem em alguns momentos da trama mesmo com resoluções simplistas. Pecados e traumas do passado são argumentos que pesam nas validações de Gabriele que acredita que um trauma pode ser uma conexão. Primeira vez estrelando um filme de terror na vasta carreira, e desfilando seu italiano fluente, o neozelandês Russell Crowe é o protagonista dessa história que busca a tensão a todo instante. Seu personagem é um intrigante e até mesmo debochado homem que precisa também enfrentar seus pecados do passado.


Ideia x realidade. A narrativa derrapa no desenvolvimento da história quando busca acelerar para seu clímax deixando inúmeras pontas soltas principalmente sobre a ligação do castelo onde a família vai morar e segredos escondidos ali pelo próprio vaticano. A teoria da conspiração que se propõe a desvendar, cai por terra com explicações rasas. O roteiro anda em círculos, parece emitir a mesma mensagem várias vezes, deixando apenas o choque das cenas de possessão criarem uma atmosfera de tensão.


Sinal aberto para uma franquia? Com um final aberto, o projeto se posiciona como o início de possíveis sequências mas isso, sabemos, precisa-se saber o resultado de bilheteria.



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Pausa para uma série: 'O Consultor'


As formas de interpretar a ética e a moral. Baseado na obra homônima do escritor norte-americano Bentley Little, o curioso seriado O Consultor aborda as linhas tênues na relação entre chefe e funcionários passando por dilemas morais e éticos numa visão maquiavélica do mundo trabalhista. Ao longo de oito episódios nesse primeira temporada, a narrativa se perde em alguns momentos ao buscar contextualizar os porquês dos absurdos e não conseguir sair de uma superficialidade quando insiste em focar na vida pessoal dos seus personagens principais. No papel principal, um dos atores preferidos de Quentin Tarantino, duas vezes vencedor do Oscar, o austríaco Christoph Waltz.


Na trama, conhecemos alguns funcionários de uma empresa de jogos que certo dia presenciam a trágica saída de seu chefe e a chegada de um misterioso consultor chamado Regus Patoff (Christoph Waltz) que de maneira nada ortodoxa muda completamente as regras do cotidiano do lugar. Assim, conhecemos mais a fundo a trajetória dos amigos Elaine (Brittany O'Grady) e Craig (Nat Wolff), dois funcionários dessa empresa que passará por mudanças profundas na sua gestão.


O que você faria para crescer na empresa? Há limites éticos e morais? Essas são algumas das perguntas que volta e meia aparecem em nosso refletir quando pensamos em O Consultor. Fator preponderante para se construir o caráter de qualquer civilização, a ética e a moral são valores que nesse seriado são colocados à prova em meio a hipocrisia das relações interpessoais propostas. As dinâmicas impostas pelo novo chefe, colocam em xeque o caráter dos funcionários do lugar, alterando a rotina e a vida de todos que estão por ali. De forma atabalhoada e usando o chocar como recurso, a narrativa busca ser surpreendente deixando margem para reflexões dentro de seu contexto. Em princípios básicos, um consultor tem a habilidade de influenciar pessoais, organizar processos e assim ser uma peça importante no reestabelecimento de sucesso de uma empresa. O sentido de consultor aqui passa por atos questionáveis e as interpretações acabam sendo diversas.


O quanto você depende do seu trabalho? Num mundo competitivo como o de hoje, a maneira como você se encaixa no cotidiano agitado pode indicar seu futuro a curto, médio e longo prazo. O Consultor busca também focos em alguns funcionários, dois deles sendo mais precisos, e suas complicadas relações pessoais e em relação ao ganha pão. Elaine é uma batalhadora, que mora sozinha e se vê em um momento de dedicação total ao crescimento na empresa. Já Craig é um programador que está em uma fase de desilusão na profissão e vê seu relacionamento com a namorada ir se evaporando aos poucos talvez mesmo até pela falta de ambição que ele demonstra.


Lançado em fevereiro desse ano na Prime Video, o projeto pode ser interpretado como uma peculiar sátira sobre o mundo empresarial contemporâneo ou até mesmo uma história que não tem pé nem cabeça.



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