17/05/2023

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Pausa para uma série: 'Billy The Kid'

 


A saga de um famoso anti-herói. Criada pelo britânico Michael Hirst, produtor de Vikings e The Tudors, entre outros sucessos, chegou na Paramount Plus, quase desapercebido, uma série que nos leva de volta às disputas e conflitos no epicentro de um tumultuado velho oeste americano nos apresentando um amplo recorte sobre a vida do mais famoso pistoleiro desse período, Billy The Kid. Passeando pela história do marcante do período ligado à expansão americana, nos poucos mas intensos anos que viveu, o anti-herói presenciou a corrupção, terras sem lei, violência, disputas de comerciantes. Conhecido por alguns nomes, figura polêmica de uma época onde o sobreviver era o ganha pão de cada dia, Billy The Kid participou da famosa Guerra do Condado de Lincoln, fato que ficou integralmente para ser conferido nas próximas temporadas. No papel principal, o ótimo Tom Blyth brilha no papel principal.


Na trama, conhecemos os primeiros passos de William H. Bonney (Tom Blyth), depois conhecido como Billy The Kid, Desde o início de vida conturbado, vindo de uma família de imigrantes irlandeses, se muda para o velho oeste norte-americano junto com sua família ao mesmo tempo que uma série de tragédias começam a cercá-lo. Se vendo sozinho em um mundo cruel, onde sobreviver rompe com sua moral quase que instantaneamente. A primeira temporada foca em como ele tornou aos poucos um dos rostos mais procurados pelas autoridades da época.


Princípios que ferem princípios. Uma ampla análise é feita sobre essa figura controversa. O roteiro é bem detalhista, começando pela sua visão inicial do que seria sua vida dali em diante. Sua família foi para os Estados Unidos com o desejo de um tratamento justo para todos, fato que logo se revelara ser um objetivo difícil de se encontrar. As mortes que acompanham sua trajetória parecem o fazer entender a vida de outras formas, onde a justiça tem interpretações variadas o deixando em uma linha tênue sobre o que é ser justo e até mesmo suas interpretações para lealdade. Suas inúmeras fugas de prisões ganham real sentido além das escolhas que faz quando se vê entre traições e lealdades.


Na segunda metade da temporada, acompanhamos a história seguindo rumo ao epicentro dos seus conflitos (e os fatos que o tornaram conhecido), dentro das ações desenfreadas com uma gangue a princípio comandada por um impiedoso e perigoso amigo e o iminente rompimento, fruto de um idealismo conflitante. Aqui apresentam-se mais conflitos que o cerca. A disputa por gados, por meio de fazendeiros poderosos, um mundo onde a manipulação era uma ferramenta na busca por objetivos unilaterais, as concessões de terras espanholas, um clássico jogo pelo poder, em uma terra onde a lei é corruptível. Vivendo intensamente o período do Velho Oeste americano, os caminhos percorridos pelo protagonista segue em paralelo à história norte-americana.


Ao longo dos ótimos oito episódios da primeira temporada, a série criada por Michael Hirst é um retrato marcante de uma época, de atitudes moralmente questionáveis, que ainda tem muito a desenvolver nas próximas temporadas.



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Crítica do filme: 'Já era Hora'


O tempo é o senhor do destino. Com uma proposta interessante de navegar nos caminhos indecifráveis que podem se abrir no destino, o longa-metragem italiano Já era Hora, disponível na Netflix, através de um ótimo protagonista, nos conta uma história cheia de altos e baixos na vida de um advogado atrapalhado, consumido pelo trabalho que vê seu mundo virar de cabeça pra baixo quando percebe estar saltando de forma aleatória para o ano seguinte. Remake da produção australiana Long Story Short, escrito e dirigido por Alessandro Aronadio (Renato Sannio também assina o roteiro), Já era Hora provoca uma vasta reflexão existencial.


Na trama, conhecemos o advogado Dante (Edoardo Leo) que após uma peculiar situação, que tinha tudo para ser constrangedora, acaba conhecendo uma delicada e romântica ilustradora chamada Alice (Barbara Ronchi). Eles logo começam a namorar e a morar juntos. Cheios de planos e aos trancos e barrancos mantendo acesa a paixão no casamento, o casal sofre com a falta de tempo de Dante, um workholic consumido pelas quase inacabáveis horas que se dedica ao trabalho. Certo dia, Dante se vê preso em uma situação angustiante, começa a perceber que está pulando de forma aleatória para o futuro, de ano a ano, o fazendo viver alegrias e tristezas como se fosse um espelho do que, daquela forma que vive o presente, seria seu futuro.


Como fazer o tempo passar devagar? O protagonista embarca em descobertas, dentro de uma espécie de paradigma sobre suas próprias convicções pessoais, Dante se vê com a possibilidade de olhar à frente mas tendo que consertar o que era no seu antigo presente através das situações que se apresentam nesse futuro que chega do nada na sua rotina. Embarcando no faz de conta, o espectador tem a chance de refletir sobre temas que podem envolver um casamento: os conflitos, as crises, a terapia de casal, a gravidez, a traição, as escolhas difíceis, a separação, a paternidade.


Já era Hora com seu ritmo eletrizante, aposta no meio, com seu desfecho indefinido, com seu início baseado no absurdo mundo da hipótese. É um projeto para se fazer pensar sobre a vida, principalmente para pessoas de meia idade, onde as crises nesse momento chave de nossa trajetória nos levam a pensar adiante, em como serão as coisas no futuro a partir das ações no presente.  



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Crítica do filme: 'A Mãe'


As escolhas de uma mãe. Dirigido pela cineasta neo zelandesa Niki Caro, chegou na plataforma da Netflix nesse primeiro semestre de 2023 um filme que aborda as várias camadas emocionais de uma mãe que desde sempre soube que seria algo quase impossível estar perto de sua única filha. Abordando os caminhos tumultuados das escolhas difíceis dentro de uma proposta onde a ação vem em primeiro lugar, A Mãe foge da melancolia com uma forte protagonista que se vê perdida na bolha que criou para se proteger. Pena que a narrativa derrapa quando o drama, um afluente da ação, busca encontrar respostas em uma trama mal explicada ligada ao passado da personagem principal.


Na trama, conhecemos uma ex-militar (Jennifer Lopez), exímia atiradora, que se meteu em várias enrascadas através de conhecidos, se tornando uma impiedosa assassina, vivendo como nômade, fugindo de serviço em serviço. Um dia ela descobre estar grávida e após um acordo com o FBI, resolve se distanciar da filha ainda bebê. O tempo passa, e sua filha Zoe (Lucy Paez), agora uma adolescente vivendo com os pais adotivos, corre perigo de vida, situação que a faz estar novamente no radar de impiedosos bandidos.  


O significado de ser mãe, essa parece ser a grande busca da protagonista, uma mulher que não tem o nome revelado, talvez um simbolismo para refletirmos durante toda a projeção sobre a situação maternal que se encontra. Objetiva, cheia de cartas na manga, parece estar preparada, mais forte, no momento em que se encontra sozinha, distante, como se o envolvimento emocional a deixasse sem norte, com escolhas cada vez mais difíceis para se fazer. Esse conflito contorna o roteiro.


A ação, que acaba sendo o foco das pouco menos de duas horas de duração, chega com força como se o sentido de sobrevivência se juntasse ao objetivo de proteção a alguém que a gente ama. Esse sentimento está na ponta da bola de cada atitude desenfreada, e muitas vezes inconsequente, de uma personagem que não consegue se desprender do seu passado violento, o único mundo em que ela viveu até ali.


A Mãe é um filme violento, em muitos sentidos. Seja nas impiedosas ações da protagonista, seja no sentido de ruptura e busca de reconciliação do sentimento mais forte do universo, o amor de uma mãe.



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15/05/2023

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Crítica do filme: 'Um Filho'


O real sentido do que é ser pai. Abordando uma complicada e cheia de variáveis relação entre pais e filhos, o longa-metragem Um Filho é um impactante drama que em 15 minutos conquista a atenção do espectador embarcando em uma jornada dolorosa cheia de altos e baixos, mentiras, onde a infelicidade, a dor imperceptível se tornam protagonistas. Baseado na peça teatral do próprio diretor Florian Zeller, esse é um filme necessário para todos que gostam de refletir sobre relacionamento entre pais e filhos.


Na trama, ambientado na cidade de Nova York, conhecemos Peter (Hugh Jackman), um homem com enorme sucesso na sua vida profissional, que se tornou pai novamente faz pouco tempo e mantém um relacionamento com nova esposa Beth (Vanessa Kirby). Toda sua rotina muda completamente quando Kate (Laura Dern), sua ex-esposa o avisa que o filho adolescente deles Nicholas (Zen McGrath) está passando por uma fase difícil e precisa do pai. Assim, Nicholas vai morar com o pai e a relação deles irá passar por muitos conflitos, afetando em todas as esferas a vida do pai.


Uma mãe desgastada na relação com o filho, um pai tentando se reaproximar, um filho na solidão de seus quase imperceptíveis conflitos. Nesse triângulo familiar, vamos entendendo alguns porquês jogados em lembranças, em um passado marcado pela ruptura. Atingido profundamente com a separação dos pais, deslocado perto das pessoas da mesma idade, Nicholas não consegue se encontrar, seja com no elo com a mãe, seja na tentativa de reestruturar laços com o pai que atualmente está dedicado a formação da nova família. Os conflitos vistos são inúmeros, há dor, incapacidade de rápidas resoluções, diálogos repleto de desespero. Será que a culpa pela fase difícil que o filho passa reflete nas inconsequências de seus pais?


Assim, chegamos na visão de Peter sobre tudo que acontece nas pouco mais de duas horas de projeção. O roteiro gira muito em torno desse pai que busca a todo instante respostas nas lembranças para seu conturbado presente, não sabendo lidar com os problemas do filho, o fazendo recriar momentos na relação com o próprio pai, Anthony (Anthony Hopkins), um homem que se dedicou ao trabalho e deixou a família em segundo plano. Seu maior conflito passa pelo fato de não querer repetir a relação que tinha com seu pai mas a vida é repleta de variáveis incontroláveis, fato que causa tamanho desespero, afetando seu relacionamento com Beth, seu trabalho.


As decisões difíceis que os pais enfrentam, o olhar incerto para o futuro, a visão da psiquiatria, também ganham espaço. A depressão aguda é um mal que assola famílias por todo o mundo, a discussão sobre o tema nesse projeto é um importante alerta que gera reflexões.

 


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10/05/2023

Crítica do filme: 'O Quinto Set'


As dores das oportunidades perdidas. Abordando os dilemas profissionais e pessoais de um esportista em busca de qualquer tipo de redenção em uma carreira com mais baixos que altos, O Quinto Set se estrutura também como um forte drama familiar. Escrito e dirigido por Quentin Reynaud, o longa-metragem francês constrói um impactante retrato de um homem em meio a um momento de desequilíbrio nas suas dores existenciais.


Na trama, conhecemos Thomas Edison (Alex Lutz), um tenista perto dos 40 anos em fim de carreira, decadente na profissão, que sofre pelas oportunidades perdidas, de não ter conseguido o sucesso esperado na carreira. Com 18 anos como profissional, completa a renda mensal de sua família dando aulas particulares no clube de sua mãe Judith (Kristin Scott Thomas). Certo dia consegue a última oportunidade da carreira, disputar as classificatórias para o único Grand Slam jogado no saibro, o torneio francês Roland Garros. Ao mesmo tempo que vai avançando nesse pré-torneio, chegam em sua frente conflitos com a mãe e a esposa, a ex-tenista Eve (Ana Girardot).


Disponível no catálogo da Netflix, esse interessante drama nos apresenta um olhar para outras possibilidades na vida de um homem em conflito, que não consegue se desprender de traumas em momentos chaves da sua trajetória profissional. Com dores constantes no joelho e críticas públicas da própria mãe, pra completar uma trinca de problemas a história se estende para os dramas com a esposa, que abandonou o esporte para cuidar do filho do casal e que se vê em segundo plano. A maneira como ele reage a esse turbilhão de situações se entrelaçam na chama acesa de seus sonhos. Ele se nega a desistir, mas qual o limite? Vale a pena colocar muita coisa a perder?


Lançado em 2021 nos cinemas franceses e desembarcando recentemente no catálogo da Netflix aqui no Brasil, O Quinto Set se consolida como um interessante retrato de uma vida dedicada ao esporte e todas as dores e conflitos provocados pelas insatisfações, de não conseguir dar aquele passo rumo ao sucesso.



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Crítica do filme: ' Batem à Porta'


O jogo de argumentações que envolve o fim do mundo. Novo trabalho do cineasta indiano M. Night Shyamalan, Batem à Porta envolve o espectador em uma longa batalha de argumentos, tendo como plano de fundo um sinistro clima de tensão, aos olhos de uma família que se vê presa por um grupo de pessoas que dizem saber como terminar com o fim do mundo. Baseado no livro The Cabin at the End of the World do escritor norte-americano Paul G. Tremblay, o projeto bate na tecla do achismo, entrando em conflito com crenças ou mesmo a forma como os personagens entendem o mundo até ali.


Na trama, conhecemos o casal Eric (Jonathan Groff) e Andrew (Ben Aldridge), que junto com a filha adotada Wen (Kristen Cui), estão indo para férias em uma casa isolada, próxima de um lago, uma espécie de cabana na floresta. Tudo ia bem por lá, até a chegada de um grupo de quatro estanhos, liderado por Leonard (Dave Bautista), que faz a família de refém com o propósito de que eles os ajudem a acabar com o apocalipse. Assim, em forte clima tenso, um jogo de argumentações que envolve o fim do mundo se torna o epicentro dessa história, onde decisões dolorosas se tornam iminentes.


Um delírio coletivo? Visões aleatórias? Caos emocional? A tensão não se desprende da trama, queremos saber as prováveis, ou até mesmo improváveis, respostas conforme vamos conhecendo mais dos personagens. Flashbacks nos mostram determinados momentos na vida do casal, das escolhas que os levaram até ali. Aos poucos é construído uma longa batalha de argumentos tendo como plano de fundo um sinistro clima de tensão onde a verdade se torna uma variável que muda conforme o tempo passa. Há a necessidade de reflexões em todas as linhas do roteiro, principalmente para se chegar no interpretativo desfecho com uma opinião sobre que seria de fato essa história.


Tudo é apenas uma coincidência? Como linkar o caos do cotidiano como parte de uma narrativa? Buscando referências também em crises sociais e até mesmo existenciais, o filme navega na tensão para apresentar uma trama repleta situações extremas, estresse constante, cenas de violência. Joga fora a melancolia é estabelece de forma objetiva seu principal foco mostrar que é um filme sobre escolhas.



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Crítica do filme: 'Acima de qualquer Suspeita' (Revisão)


Os deslizes das emoções. Campeão de bilheteria na década de 90, Acima de Qualquer Suspeita é um clássico filme de tribunal, repleto de variáveis que instigam o espectador a enxergar sob diversos pontos de vista uma mesma situação. Trazendo para o público os desenrolares de uma investigação de assassinato que explora os caminhos da ética, da política, do casamento, somos testemunhas de reviravoltas chocantes. O projeto é dirigido por Alan J. Pakula com roteiro baseado no best seller homônimo de Scott Turow.


Na trama, conhecemos Rusty Sabich (Harrison Ford), um prestigiado promotor de um grande centro dos Estados Unidos que vê sua vida dar um verdadeiro nó quando é acusado de matar a ex-amante, a também promotora Carolyn (Greta Scacchi). Esse fato praticamente despedaça seu casamento com a matemática Barbara (Bonnie Bedelia), o faz se afastar do seu emprego, além de ter que provar sua inocência custe o que custar. Ao longo dos intensos 127 minutos de projeção, também por meio de flashbacks, vamos entendendo melhor a relação do promotor com a vítima.


Um bode expiatório ou tem culpa no cartório? Ou as duas coisas? A análise minuciosa em relação ao protagonista nos leva a enxergar todas as variáveis dessa complexa trama que envolve personagens com motivações das mais diversas. Tem o lado político, já que o chefe de Rusty está à beira de uma reeleição e o caso de assassinato cai como uma bomba. Tem o lado do romance intenso do protagonista em um passado recente, uma mulher cheia de mistérios, envolvente que se afasta dele quando consegue subir na carreira. Por fim, pra completar esse triângulo de situações, a enorme crise conjugal ganha espaço na trama, os conflitos emocionais envolvidos são profundos, cheio de memórias angustiantes, conflitantes, que levam o relacionamento de Rusty e sua esposa à beira do precipício.


O interessante do roteiro é que tudo se torna possível dentro da história, será Rusty inocente ou culpado? Como a sociedade lida com o pré-julgamento? Essa última pergunta, até bastante atual em meio ao caos do mundo em meio ao cancelamento virtual constante que acontece diariamente muitas vezes sem nem apurarem os fatos, caindo em fake News ou mesmo narrativas contaminadas por algum lado.


Acima de Qualquer Suspeita usa como escudo a ética para se aprofundar sobre a moral, em uma história que só é revelada suas verdades nos minutos finais. E que final!



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Pausa para uma série: 'Rabbit Hole: Jogo de Mentiras'


Nem tudo é o que parece ser. Chegou no catálogo da Paramount Plus um seriado cheio de reviravoltas, idas e vindas por meio de diferentes pontos de vistas, que exploram as possibilidades da espionagem industrial através das ações de um protagonista desconfiado com tudo e todos, que tem uma empresa que resolve situações, cria vantagens, das mais diversas, para quem o contrata, mas se vê constantemente perdido pelas falhas de um enorme plano que envolve questões democráticas e que podem afetar o planeta das informações. Criada pela dupla Glenn Ficarra e John Requa, Rabbit Hole: Jogo de Mentiras, não entrega muito nessa primeira temporada, deixando as principais respostas para as próximas etapas.


Na trama, conhecemos John Weir (Kiefer Sutherland), um dos criadores de uma empresa de sucesso que resolve questões ligadas à espionagem para empresas e pessoas que os contrata. Em um novo e audacioso plano, a conclusão não sai como esperado e ele se vê envolvido em uma trama cheio de caminhos dentro da narrativa que tinha criado. Lutando contra seu complicado passado, memórias doloridas, e perdas no presente, ele precisará se juntar a um grupo de novas pessoas para enfim colocar o trem de volta aos trilhos e sair vencedor em uma batalha que gira em torno da informação.


O roteiro busca ser engenhoso, modifica peças de lugar frequentemente através das peculiaridades do seu confuso protagonista, usa do flashback para ampliar o entendimento na parte psicológica dos personagens. As perguntas começam aqui. Será que é tudo parte de um plano dele? Qual o plano? Será que está sendo enganado? Engana-se quem acha que encontrará respostas nessa primeira temporada, na verdade muitas perguntas são introduzidas pelas entrelinhas, inclusive.


Por falar do lado psicológico de John Weir, essa é a parte mais interessante para se seguir  observando. A mente e suas complexidades viram elementos importantes nessa história, o começo do visualizar outros cenários, até o real entendimento dos traumas de um passado que não esquece, até mesmo suas aflições do que pode ser real ou não são ingredientes que tornam esse protagonista enigmático.


A subtrama policial, com o foco na detetive que os investiga, é o ponto fraco dessa primeira parte da história, parece distante adicionado apenas o óbvio dentro de um limitado ponto de vista de quem, assim como nós espectadores, não está entendendo os principais porquês que atravessam essa mirabolante história.


Pelas ruas de uma grande cidade norte-americana, ou mesmo escondidos em lugares remotos,  vamos acompanhando os passos do novo grupo formado por Weir em busca de respostas, onde a busca pelo controle da informação é o início de um caminho com muitas motivações e possibilidades.



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Crítica do filme: 'O Despertar de Aurora'


Como ter esperança em um mundo tão cruel? Exibido no Festival É Tudo Verdade 2023, O longa-metragem O Despertar de Aurora nos leva a uma viagem impressionante, e que de fato aconteceu, aos olhos de uma jovem que viu seu mundo se despedaçar se tornando sobrevivente do genocídio armênio. Dirigido pela cineasta Inna Sahakyan, esse projeto armênio é uma história repleta de momentos tensos, quase inacreditáveis, que nos leva de um massacre até Hollywood, adotando a técnica de animação em conjunto com depoimentos de sua protagonista e ainda partes recuperadas de um filme realizado na época do cinema mudo sobre a protagonista.


Na trama, voltamos em uma extensa linha temporal, até a Primavera de 1925 onde conhecemos Aurora, uma jovem até então com 14 anos que travou uma enorme luta para fugir dos horrores do genocídio armênio e anos depois conseguiu chegar em Nova York onde conheceu as várias facetas da fama em meio a uma Hollywood na era do cinema mudo. Contando sua história ao mundo, no forte mercado de cinema, interpretou a si mesma no filme Auction of Souls (Leilão de Almas, 1919), um filme que se perdeu com o tempo, caindo no esquecimento.


Para entender melhor essa história, é preciso se basear nos relatos históricos, dos porquês de algumas questões. Durante o período de início da Primeira Guerra Mundial, o antigo Império Otomano (que se desmembrou e hoje é a atual Turquia) iniciou um extermínio contra os Armênios por conta de posições política de parte desse povo na primeira grande guerra. Tal fato gerou a morte de milhares de pessoas. Um fato que chama a atenção, é que hoje, passados dezenas de anos, os turcos ainda não reconhecem o genocídio. O Brasil, inclusive oficialmente não reconhece. Os EUA reconheceram formalmente em 2021.


Dentro desse contexto, conhecemos Aurora que tinha uma família feliz, que encenavam peças teatrais no quintal de casa mas vê uma reviravolta na sua trajetória com a primeira guerra se aproximando. Em apenas dois meses, perdeu quase toda sua família e precisou entrar em modo de sobrevivência, passando por terríveis situações e humilhações, até enfim conseguir fugir e chegar aos Estados Unidos, com o objetivo de contar ao mundo o que estava acontecendo naquela parte conflituosa da Europa.


Nesse segundo momento da trajetória de Aurora, ela se depara com uma Hollywood quase nos anos 20, que queria transformar sua história em filme, fato que aconteceu com o lançamento de Auction os Souls. Num primeiro momento, se vê fascinada por esse novo mundo mas logo conforme o passado a alcançava, sua história comoveu ate Charles Chaplin, se vê em um novo conflito, dessa vez na figura da ganância de alguns integrantes da principal indústria cinematográfica do mundo.


O Despertar de Aurora apresenta essa história que beira ao inacreditável, de uma jovem lutando contra a probabilidade, fugindo da escravidão, da matança, e se tornando uma eterna sobrevivente.  



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09/05/2023

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Crítica do filme: 'O Homem Cordial'



O passado que tentam apagar. Como justificar? Trazendo para reflexões questões sobre injustiças sociais, preconceitos, o cancelamento pelas redes sociais, em uma noite atrás de respostas pelas ruas de São Paulo, acompanhamos um homem que após um vídeo viralizar, acaba condenado por parte da opinião pública em uma situação envolvendo a morte de um policial. Dirigido por Iberê Carvalho e com roteiro do mesmo junto do uruguaio Pablo Stoll (cineasta que dirigiu e roteirizou o aclamado filme Whisky), O Homem Cordial mostra toda a angústia de uma noite de descobertas.


Na trama, conhecemos Aurélio (Paulo Miklos), o vocalista e rosto mais conhecido de uma banda de rock que recentemente voltou aos palcos desde o final dos anos 90. Durante um show, um vídeo viraliza, transformando Aurélio em um condenado por parte da opinião pública em uma situação envolvendo um polícia. Logo o protagonista sente a forte repercussão do caso e também a covardia do julgamento público. Assim, ele embarca em uma noite de descobertas, tensão, busca por respostas, onde vai entender mais de perto o caos social que passam imperceptíveis aos seus olhos.


O protagonista passa por um processo de transformação na sua ótica em relação a sociedade em que está inserido. Algumas lacunas são preenchidas pela obviedade, não são ditas, nem mostradas, o espectador constrói sua visão na maneira dele pensar: antes um roqueiro cheio de atitude cantando em alto e bom som suas versões sobre a limitada visão que tinha sobre os problemas sociais. Tudo isso muda com a situação que passa, percebe que o buraco é muito mais embaixo.


Angustiante. Essa é uma palavra que caminha nas linhas do roteiro. Dentro de um recorte profundo sobre as diferentes formas de olhar ao próximo, muitos temas circulam nos menos de 90 minutos de projeção. A violência policial, o pré-julgamento, a obsessão pela comunicação superficial dos fatos que se transformavam em fake news nas mãos de quem usufrui da gangorra do narcisismo descarado. Em plena luz do dia, ou numa noite qualquer, alguns desses angustiantes temas circulam por situações em vários lugares de nosso país.


Premiado em Gramado e Marsele, O Homem Cordial é um retrato de nosso olhar desigual, de nossas imperfeições como sociedade trazendo aos olhos do público um debates importantes.



 

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08/05/2023

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Crítica do filme: 'The Doors' (Revisão)


O meteoro The Doors. No início da década de 90, chegava aos cinemas de todo o planeta um longa-metragem pulsante que retrataria a história de uma das bandas mais influentes da década de 60 com um enorme foco no seu líder, o compositor e vocalista Jim Morrison, um astro do rock que viveu menos de 30 anos mas marcou sua história na indústria fonográfica, lembrado até hoje, com hits que ultrapassaram gerações. Dirigido por Oliver Stone, o filme marcou a carreira do ator Val Kilmer.


Na trama, ambientada na década de 60, conhecemos Jim Morrison (Val Kilmer) na fase adolescente quase adulta como estudante de cinema, leitor assíduo, que passava seus dias caminhando por Venice Beach na Califórnia até desenvolver uma ideia voltada à música, junto com amigos formou uma das bandas de maiores sucessos da história do Rock and Roll, o The Doors. O filme segue a trajetória de Jim desde os primeiros acordes de ‘Light my Fire’ (um dos primeiros grandes sucessos da banda) até o declínio na carreira profissional e pessoal, se entregando por completo aos seus problemas com seus vícios até seu falecimento, aos 27 anos na França.


Com vários movimentos da cultura pop surgindo a cada nascer do sol, o The Doors nasceu de forma meteórica e quase inusitada, atravessando a ponte do amadorismo até chegar a carreira profissional. Incendiando aos noites por onde passava, a banda comandada por Jim Morrison, em poucos meses, após as primeiras reuniões, já tocavam pela cidade e logo foram conquistando seu espaço na disputada cena musical da época. O trabalho de Stone busca detalhar os momentos importantes da trajetória da banda mas com um foco quase que total na figura de seu grande protagonista.


Nesse projeto acompanhamos o recorte da vida de Jim Morrison a partir de sua passagem, nos tempos de estudante de cinema, na prestigiada UCLA (onde se formou no ano de 1965), do reencontro com o ex-amigo de faculdade Ray Manzarek que após a leitura de um poema, resolveram criar a famosa banda, o longa0metragem também mostra o conturbado relacionamento com a namorada Pamela (Meg Ryan), além de expor os problemas gravíssimos com o excesso de drogas e álcool, esse último ponto o levou ao descontrole e seu iminente fim veio aos 27 anos, quando morava na França. Ele foi enterrado no Cemitério Père Lachaise em Paris.


Um dos pontos altos do polêmico projeto gira em torno da atuação impactante de Val Kilmer como Jim Morrison, realmente um dos pontos altos da carreira do ator que ficou conhecido pelo papel durante toda sua carreira. Para quem curte saber mais sobre o início, meio e fim de figuras conhecidas e impactantes no cenário musical, esse filme é imperdível!



 

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04/05/2023

Crítica do filme: 'Guardiões da Galáxia - Vol. 3'


Quando a emoção atinge níveis constantes, estando em todo o lugar. Escrito e dirigido por James Gunn, o grupo de super heróis mais carismáticos das galáxias chega com altas cargas de tensão e emoção para uma última dança, um último objetivo juntos, em uma trama que explora as origens de uma das mais importantes peças de um tabuleiro carismático que soube conquistar o público desde o primeiro filme. Ao longo das quase duas horas e meia de projeção, percorremos juntos com os heróis, em meio a dilemas e lembranças dolorosas, uma aventura que vai ficar nas memórias de muitos. A sempre poderosa trilha sonora costura a narrativa de maneira empolgante. O roteiro, mesmo batendo em teclas batidas, consegue sopros de genialidade tocando o coração de todos. Vai ser muito difícil se despedir desses personagens.


Na trama, voltamos a encontrar os mais desajustados heróis do Universo Cinematográfico da Marvel que buscam criar raízes em ‘Lugar Nenhum’, um lugar onde estavam descansando de batalhas, um porto seguro longe dos agitos de outrora. Só que tudo isso muda quando Rocket (Bradley Cooper) é atingindo gravemente por uma ação impensada de Adam Warlock (Will Poulter) e seu grupo, fazendo com que Peter Quill (Chris Pratt), ainda abalado pela perda de seu grande amor, e cia embarquem em uma missão para encontrar a solução para tirar o grande amigo dessa enrascada. Passeando por novos lugares, até mesmo uma ‘contra terra’, o grupo aos poucos percebe que essa pode ser a última aventura deles como um time.


Começo, meio e fim. Lançado seis anos depois do segundo filme (um hiato considerável), o trigésimo segundo filme do rentável e aclamado Universo Cinematográfico da Marvel, foca sua narrativa nas lembranças dolorosas, não só de Rocket mas de todos os guardiões ao mesmo tempo que novas descobertas deixam o grupo em dilemas existenciais. O valor da amizade, as estradas sempre com obstáculos das segundas chances, o campo de reflexão nesse projeto alcança vários caminhos como se cada personagem conseguisse contribuir com a explosão de emoção que vemos em cada cena.


Eu gostaria de ser especial. Que diabos estou fazendo aqui? Eu não pertenço a este lugar. A peça mais importante e que percorre toda essa jornada são as indagações sobre pertencer a um lugar. Conhecendo mais profundamente o passado de Rocket (impossível não se emocionar) percebemos que não só ele mas todos os outros integrantes, de alguma forma, estão em dilemas sobre tudo que viveram até ali e quais seriam os próximos passos de suas trajetórias.


Com direito a alusão à Arca de Noé, um confronto em um planeta que é um espelho peculiar da terra, os paralelos da necessidade de alcançar a perfeição (aqui muito na visão do vilão, o Alto Evolucionário), Guardiões da Galáxia - Vol. 3 é recheado de cenas de ação sem perder seu clássico humor regado nas canções (agora atualizadas) que dizem muito sobre as linhas do roteiro. Esse, pode ser considerado um dos melhores filmes de toda UCM, com toda certeza. Pulsante, emocionante, inesquecível.



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Crítica do filme: 'A Primeira Morte de Joana'


As primeiras descobertas da vida. Sob o olhar delicado da juventude e todo o leque de variáveis que formam uma trajetória, o longa-metragem A Primeira Morte de Joana, vencedor de alguns prêmios nos mais de 35 festivais onde fora exibido, busca nos seus menos de 90 minutos refletir sobre vários temas que vão desde a descoberta da sexualidade até enormes questionamentos a partir do falecimento de uma parente, uma tia-avó artesã da qual era próxima. Dirigido por Cristiane Oliveira, a trama navega no pensar espontâneo, baseada na visão que a protagonista possui até ali do mundo que gira ao seu redor.


Na trama, conhecemos Joana (Letícia Kacperski), uma jovem, filha de pais separados, descendente de alemães que mora em uma casa na beira da estrada, numa pequena cidade, onde todos se conhecem. Após o falecimento da sua tia-avó, algo desperta nela, fazendo com que se coloque em enfrentamentos nos longos debates que tem com a sua família. Ao mesmo tempo, sua amiga Carolina (Isabela Bressane) se envolve em um boato que a faz refletir sobre sexualidade.


Ambientada no final do verão de 2007, no sul do país, em uma comunidade descendente de alemães. O projeto possui um ritmo lento, busca a atenção nos detalhes sob a ótica de uma adolescente que se vê renascer através de um novo olhar que a domina através de enfrentamentos que aparecem por seu caminho. Sua jornada começa com o entendimento do luto, onde curiosidades sobre tia-avó artesã da qual era próxima a faz conhecer melhor sua família e alguns pequenos segredos que se escondem num alicerce conservador que domina o tom dos moradores do lugar. Em um lugar de ventos constantes, logo se vê em confronto com o que pensam sobre a amiga Carolina, o que a faz renascer e amadurecer sobre o ainda prematuro conhecimento da sexualidade.


Esse interessante longa-metragem de Cristiane Oliveira, leva o espectador a uma caminhada enriquecedora, principalmente para aqueles que possuem um olhar atento para refletir sobre o amadurecimento e quem ainda consegue se emocionar com a simplicidade do afeto.



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01/05/2023

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Pausa para uma série: 'A Diplomata'


Os caminhos para o centro do poder. Criada pela norte-americana Debora Cahn, o novo seriado que desembarcou na Netflix nesse primeiro semestre de 2023 aborda as intrigas, os jogos políticos, os conflituosos momentos de um casamento em crise, tudo isso na visão de uma mulher, especialista em situações de risco, que vê no centro dos bastidores do poder ao aceitar ser embaixadora norte-americana em uma grande nação europeia. O roteiro funciona de forma maravilhosa, desfilando críticas de formas diretas e outras de formas sutis e fazendo refletir sobre todos esses conflitos que a protagonista enfrenta pelo caminho. Na pele dessa protagonista, a maravilhosa atriz Keri Russell que mais uma vez nos brinda com seu talento na arte de interpretar.


Na trama, conhecemos Kate Wyler (Keri Russell), uma diplomata que as véspera de viajar para o oriente médio recebe o convite para ser a nova embaixadora dos Estados Unidos na Inglaterra, logo após um incidente com um navio britânico ser foco de tensões geopolíticas. Pega de surpresa, ela logo aceita o convite e junto com ela embarca para a terra da rainha seu marido Hal (Rufus Sewell), um famoso diplomata que dessa vez precisa ficar nos bastidores mesmo seu ego não deixando muitas vezes isso acontecer. Além de tudo, o casamento entre os dois está no pico de uma crise praticamente irreversível. Assim, tendo que lidar com um jogo político ardiloso e cheio de variáveis, Kate se vê em enormes conflitos pois ainda por cima precisa resolver sua situação com o marido.


O liquidificador de conflitos por aqui é muito bem explorado na narrativa. As subtramas, além de caminharem de forma que encostam na trama principal, nos levam a campos de visões diferentes sobre uma mesma situação, fruto dos ótimos personagens que percorrem os oito intensos episódios dessa primeira temporada. O bla bla blá político aqui é substituído por inteligentes diálogos que não deixam a trama ficar maçante. O ritmo é intenso, são muitas informações a todo instante. Praticamente percorremos o novo cotidiano da protagonista, uma mulher inteligente, que precisa se adequar as cerimônias mas sem deixar de perder sua forte personalidade.


Um dos pontos que mais se tornam interessantes é o fato do casamento em crise, algo escondido mas que logo se revela. A partir da apresentação dos ótimos personagens vamos entendendo alguns porquês, torcemos para que eles fiquem juntos mas isso pode mudar na próxima cena. As reviravoltas por aqui são impressionantes. Com um final super aberto, com uma chocante revelação nos últimos minutos do último episódio, A Diplomata já ganhou uma segunda temporada. Vale a pena conferir!



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29/04/2023

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Pausa para uma série: 'Treta'


A raiva é um estado transitório da consciência? Uma das gratas surpresas no universo das séries que chegaram aos streamings em 2023, sem dúvidas, é o projeto criado pelo sul-coreano Lee Sung Jin, Treta. Com uma trama sólida e com camadas e mais camadas que giram em torno da história principal, o seriado reflete sobre por duas pessoas ligadas por uma inusitada situação que se veem presos numa crise existencial onde o limite para ações e consequências extrapolam qualquer normalidade. O projeto tem uma curiosidade bem legal, alguns dos chamativos títulos de episódios são citações de mentes famosas, como uma do escritor tcheco Franz Kafka e outra da poeta norte-americana Sylvia Plath.


Na trama, conhecemos Danny (Steven Yeun), um empreiteiro, com problemas, que vem de uma decepção com um empreendimento familiar passando por um presente confuso, desiludido, com pensamentos ruins. Também conhecemos uma empresária chamada Amy (Ali Wong), dona de uma marca que foi ficando poderosa ao longo do tempo, ligado à plantas. Parece ter uma vida perfeita, de sucesso no campo pessoal e profissional, mas nem tudo é o que aparenta ser, vive seus dias em um enorme stress. Certo dia, o destino desses dois personagens se cruzam de maneira peculiar, após uma briga de trânsito, o que desencadeia uma série de situações surpreendentes.  


Um acúmulo dentro de si e uma explosão de uma só vez é o estopim dessa história, assim vamos acompanhando os pontos de vistas do dois protagonistas. Viciada no seu telefone, Amy vive resolvendo problemas em grande parte do seu dia, seja no campo profissional com uma enorme oportunidade de venda do negócio, ou mesmo no campo pessoal, com o acomodado marido que se dedica à sua arte que não traz dinheiro para dentro de casa, além de ter que lidar com a sogra jararaca. Já Danny, mora com o irmão mais novo em um pequeno apartamento e parece nunca acertar o seu rumo, vendo o tempo passar, amigos próximos progredindo na vida, não conseguindo sair de uma situação de dependência com a óbvia má companhia de um primo que acabara de sair da prisão. Essas duas almas viram o estopim um do outro trazendo nas bagagens um cansaço do mundo que gira ao redor deles.


De maneira inusitada somos testemunhas do encontro de certos propósitos na vida, já que quando nenhum lugar parece um lar, você começa a olhar a si mesmo. As ações e consequências tem um papel importante nesse criativo roteiro onde os protagonistas são colocados em sinuca por eles mesmo mas sem deixar de levar outros para dentro do caos que criaram. Buscando encontrar respostas na fé, na psicologia, até mesmo na terapia, os personagens se veem perdidos constantemente como se um curativo fosse colocado em todas suas dores mas logo percebem que nunca encontram soluções para resolver o problema.


Com uma trilha sonora empolgante e a real possibilidade de ter uma continuação, seguindo formatos de antologia ou não, Treta não perde o ritmo um instante se tornando uma fonte de reflexões sobre o vazio existencial.



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