domingo, 18 de março de 2012

Crítica do filme - 'A Novela das Oito'

Quem de vocês gosta de novela? No novo trabalho, produzido, escrito e dirigido por Odilon Rocha, “A Novela das Oito”, o universo dos noveleiros é o pano de fundo para a trama. Em uma época em que o país do samba estava aprendendo a dançar a Disco Music, percorremos por algumas histórias, em meio ao cenário político conturbado daquele tempo. Pena que os diálogos são mal estruturados e alguns artistas não se encaixam nos personagens, deixando o espectador distante da novela das oito, ou melhor, do filme em questão.

Na trama, duas mulheres completamente diferentes se envolvem em um assassinato de um policial tendo que fugir desesperadamente para outra cidade. Aos poucos vamos descobrindo que uma delas é uma mulher que teve que se distanciar da família e tem uma história com alguns militantes que são contrários ao governo da época. A partir daí, o longa muda de foco e passamos a conhecer uma nova história, com novos personagens e com direito a dancinhas coreografadas, música alta e globo de luzes girando sem parar. O Brasil da época do filme, final da década de 70 (mais precisamente o ano de 1978), vivia um momento conturbado na sua vida política. Dias também, em que a novela de Gilberto Braga, “Dancin’ Days”, fazia um tremendo sucesso em muitos lares brasileiros. Inclusive, muitos dos personagens do longa, em muitas cenas, param em frente à televisão para conferir essa novela que teve a direção de Daniel Filho.

A história demora muito para pegar e isso faz o espectador se afastar um pouco do objetivo do filme, que é contar a trajetória de Dora (Claudia Ohana), passando por muitas histórias até o seu desfecho. Muita informação é apresentada em muito pouco tempo, deixando tudo muito confuso, são muitas histórias para contar. É o famoso caso da boa idéia (o argumento tem boas questões) que não foi tão bem executada, muito por conta do roteiro.

No elenco vemos rostos famosos do grande público, como: Claudia Ohana, Vanessa Giácomo, Mateus Solano, Alexandre Nero entre outros.

A primeira é o grande destaque, sem dúvida, o ponto alto desse novo filme nacional, bela interpretação da veterana atriz. A segunda, que interpreta uma prostituta viciada em “Dancin’ Days”, usuária assídua de perucas, não está ruim na pele de Amanda o problema é que sua personagem se distancia totalmente da história, deixando de ser essencial à nova trama que vai se moldando.

Mateus Solano interpreta um homem da elite brasileira que mora em Londres e está de passagem no Brasil, quando acaba se apaixonando por outro homem. Executa uma cena de beijo homossexual bem intensa que vai demorar a vermos em uma novela. Alexandre Nero faz o vilão da trama, seu personagem (Brandão) tem o mesmo ar carregado do motorista que interpreta na atual novela das oito. Tem horas que pensamos: baixou o Nicolas Cage no Alexandre! Muito pelas caras estranhas, alucinantes, que o personagem fazia e que o ator americano fica, cada filme que passa, mais conhecido.

O compasso da trilha sonora não segue o compasso do filme, esse aspecto prejudica muito a interação do público com o que está acontecendo em cena.

Você, noveleiro ou não, mesmo com essas palavras acima tem que tirar suas próprias conclusões. Recomendo que veja o filme. Vamos prestigiar o nosso cinema, quem sabe você não curte? Estréia dia 30 de março em algumas salas do Brasil.

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