Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Anjos da Lei'


Policiais disfarçados, situações engraçadas e muitos exageros. Dirigido pela dupla Phil Lord, Chris Miller,Anjos da Lei”, é uma adaptação cinematográfica da série de televisão homônima que consagrou, o hoje astro, Johnny Depp. Estreado por Jonah Hill e Channing Tatum (que lança um longa atrás do outro), o filme tira algumas risadas, mescla, piadas bobinhas com sacadas inteligentes. Diverte mas falta consistência.

Nessa comédia, Schmidt (Hill) e Jenko (Tatum) se conhecem no colegial, ainda jovens, um muito popular e outro totalmente derrotado pelo bullying do dia-a-dia. O tempo passa e se reencontram em um lugar inusitado, se tornam parceiros durante a Academia de Polícia. Como dupla eles tentam se completar mas não são bons policiais, longe disso. Após mais um fracasso em uma tentativa de prisão, são mandados para a unidade secreta chamada ‘21 Jump Street’, coordenada pelo Capitão Dickson (Ice Cube) que pretende prender uma rede de traficantes de drogas que habitam em uma ‘high school’ americana. Assim, eles trocam suas armas e distintivos por mochilas e usam sua aparência jovem para ficarem à paisana, ou pelo menos tentam.

O roteiro é exagerado, ao mesmo tempo tenta ser seguido pelo pessoal em cena. Algumas partes incomodam com a falta de criatividade nos diálogos e uma condução de câmera peculiar nas cenas de ação. O anticlímax nas sequencias de perseguição acaba tirando o foco da situação criada, acontece mais de uma vez durante a fita, o que incomoda o espectador.

Quando os protagonistas precisam voltar à adolescência, os papéis se invertem. Quem era fracassado anteriormente tenta ser o “Popular” e quem era o popular tenta se entender com os nerds do grupo de química. Aos poucos novas amizades vão sendo criadas, afastando os dois amigos. Há um envolvimento profundo, com a situação, de uma das partes, o que atrapalha a dupla na investigação. Lutando contra traficantes caolhas motoqueiros, professoras taradas, os tiras encaram muitos adversários até chegarem em um pequeno mistério, que se instaura para sabermos, quem é o fornecedor.

Um grande ator conhecido aparece de surpresa, disfarçado, como já fizera brilhantemente em outro filme, “Donnie Brasco”. No começo da fita, Channing Tatum parece o ator que fez o vilão de “Um Tira no Jardim de Infância”, Richard Tyson, quem foge da história e põe a memória cinéfila para funcionar pena logo nisso.

Pode ser divertido para que curte longas do gênero. Tem uma deixa enorme para um segundo filme em seu desfecho. Longe de ser a melhor comédia do ano, gera certa expectativa, o que prejudica. É aquele avião que está com tudo pronto para voar mas falta alguma coisa para decolar.  

Postagens mais visitadas deste blog

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Minha Família quer que eu Case'

Não é preciso se reinventar, somente entender. Flertando com os clichês dos filmes românticos água com açúcar mas com algumas bonitas mensagens que chegam de maneira muito objetiva, o longa-metragem britânico Minha Família Quer que Eu Case pousa seu refletir nas tradições culturais e nas várias camadas do que seria amar. Dirigido pelo cineasta paquistanês Shekhar Kapur , com roteiro assinado pela britânica Jemima Khan, o projeto aborda de maneira encantadora, com personagens carismáticos, os dilemas provocados pelo pensamento contemporâneo e as raízes conservadoras. Na trama, conhecemos a documentarista Zoe ( Lily James ), uma mulher já na casa dos 30 anos, independente, que se dedicou nos últimos anos de sua vida à carreira profissional com poucas aberturas para amores e paixões. Certo dia, tem uma ideia para um próximo documentário que consiste em filmar a vida do seu vizinho de infância, o oncologista Kaz ( Shazad Latif ) que está prestes a se casar em um casamento arranjado, de a...

Crítica do filme: 'Matar Jesus'

Os questionamentos ao poder, a inconsequente justiça com as próprias mãos. Exibido no Festival de Toronto no ano de 2017, Matar Jesus , escrito e dirigido pela cineasta Laura Mora Ortega é um recorte impactante de um choque entre dois mundos, duas realidades dentro de uma mesma cidade. Uma tragédia inesperada. Uma família em dúvidas sobre o futuro em uma cidade tomada pela criminalidade. Uma jovem em busca de respostas e justiça. Um filme que gera uma dezena de reflexões. Potente fita colombiana. Na trama, conhecemos a jovem e alegre Lita ( Natasha Jaramillo ), estudante de fotografia, universitária, que tem uma grande admiração pelo pai, um professor universitário. Certo dia, após voltar para casa de carona com seu pai Lita presencia o terrível assassinato do mesmo por dois bandidos em uma moto. O tempo passa e Lita parece estar perdida com a absurda falta de sensibilidade da polícia local e sem nenhuma notícia sobre a justiça no caso. Dois meses após a tragédia, em uma boate, acab...