quarta-feira, 12 de março de 2014

Crítica do filme: 'Ninfomaníaca - Volume 2'



O que seria da vida sem o prazer? Após um corte seco entre os dois volumes, eis que chega aos cinemas brasileiros a parte final da saga ninfomaníaca de Lars Von Trier. Esse segundo volume se torna aos poucos uma viagem culta nas analogias de citações católicas e figuras ligadas de alguma forma à igreja, a arte e a mitologia. Assuntos polêmicos e interpretações esquisitas para alguns assuntos de senso comum contornarão esse filme que merece ser conferido por qualquer amante da sétima arte.

Na trama, acompanhamos os últimos três capítulos da saga da ninfomaníaca Joe (Charlotte Gainsbourg/ Stacy Martin), agora muito mais interpretada pela veterana e musa de Von Trier, Srta. Gainsbourg. Já na fase adulta e muito mais madura continua a contar sua trajetória para o bom ouvinte Seligman (Stellan Skarsgård). Entrando em partes muito íntimas de seu passado amoroso, Joe consegue que seu novo amigo se abra cada vez mais e assim o público começa a entender melhor porquê daquela conversa ter sentido aos olhos de Seligman (Stellan Skarsgård). Surge então um confronto amistoso entre a não-sexualidade com a sexualidade, além dos limites do dito comum. 

Nessa segunda parte, Lars Von Trier leva o público a uma experiência de autodescoberta. O famoso e polêmico cineasta faz o público questionar suas próprias verdades. Um espírito de exclusão toma conta da personagem principal. Mais madura, começa a dividir da moralidade da sociedade e automaticamente vai ganhando mais força e confiança para entender, e assumir com orgulho quem ela é. Empatia transborda em cena por Gainsbourg.

Os raios solares vistos nas frisas das janelas, já na despedida dos personagens, mostra que um certo respirar aliviado foi dado a esses personagens. A história tendo começo, meio e fim bem amarrados já deixa o público, mesmo não concordando com algumas verdades ditas, bem satisfeito. A idéia era chocar, tanto pelo sexo explícito, quanto com as famosas teorias absurdas que Von Trier embute em cada trabalho que assina. Seus filmes são diferentes, seu modo de ver o mundo é peculiar. 

Navegando pelas dores do sadomasoquismo, nas tristezas/mágoas profundas de uma mulher que vive sua vida em torno de sua trajetória e desejos sexuais, Ninfomaníaca – Vol. 2 se justifica como um bom complemento explicativo para quem curtiu a primeira parte dessa inesquecível história. Não deixem de conferir mais um trabalho autoral desse cineasta completamente louco mas sem dúvidas nenhuma genial.

1 Postagens cinéfilas:

Osnir disse...

Meu pai sempre disse que é muito mais fácil destruir as coisas do que construir e ainda assim há quem valorize aqueles que destroem. Me apropriando da ideia do meu pai de forma análoga aplicada a "Ninfomaníaca", entendo que é muito mais fácil causar repulsa do que ternura, é mais simples mostrar bizarrices do que a verdadeira beleza do ser humano, é mais fácil provocar escuridão do que luz. No entanto, não há dúvida que sempre haverá quem ache esse tipo de obra algo genial. Sempre existirão aqueles, que ainda que subconscientemente, se sentem infelizes e não se satisfariam com a ideia de alguém realmente pode ser feliz de verdade. Sendo assim sempre existirá espaço para os Von Trier da vida fazerem qualquer lixo e serem aplaudidos, contanto que não existam heróis nem mocinhos na história e que todos acabem mal no fim da película. Eu sou fan do ser humano e prefiro ver ressaltadas suas virtudes sobrepondo-se a seus defeitos, porque foi para isso que nascemos. O mundo tem dois lados, ambos verdadeiros, cada um escolhe por que angulo quer enxergar.

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