Pular para o conteúdo principal

Crítica do filme: 'Upgrade'


Qual o tamanho da sua vingança? Escrito e dirigido pelo cineasta australiano Leigh Whannell, em seu segundo trabalho como diretor de um longa-metragem (o primeiro foi Sobrenatural: A Origem), Upgrade é um filme que adiciona à sua trama excelentes elementos, tanto técnicos de movimentações de câmera, direção da ação, como também bastante profundidade na saga do protagonista que embarca em uma vingança sem direção, guiado por uma tecnologia indutiva. No papel principal, o ‘clone’ de Tom Hardy, e também igualmente talentoso Logan Marshall-Green.

Na trama, ambientada em um futuro não tão distante, conhecemos o mecânico Trey (Logan Marshall-Green), um homem que vive em uma profissão do passado e mora em uma confortável e elegante casa com sua esposa Asha (Melanie Vallejo), uma bem sucedida profissional da área de tecnologia que trabalha em uma empresa conhecida. Certo dia, após visitarem um cliente de Trey, o carro futurístico em que estavam acaba sofrendo um acidente e ambos acabam parando em uma área violenta da cidade onde um grupo de homens matam Asha e deixam Trey em estado tetraplégico. Alguns meses se passam, Trey continua em busca dos assassinos e acaba recebendo uma oportunidade única: volta a andar, através de um implante tecnológico produzido por Eron Keen (Harrison Gilbertson) um famoso dono da principal empresa de tecnologia do mundo. Assim, acaba embarcando em uma jornada sangrenta rumo a encontrar os assassinos da esposa.

Um sci-fi repleto de ação com um plot twist bastante interessante? Definir Upgrade é bem complexo. Consegue romper a superfície dos profundos dramas que passa o personagem principal, reunindo em arcos muito bem escritos e definidos toda a consequência dos atos que se seguem na trama. A questão clássica de filmes de ficção científica (humanos vs tecnologia) é colocado de forma bem simples, através do implante falador que é injetado no corpo com problemas de Trey. A partir daí, a saga do protagonista muda, com elementos novos incorporados as ações e uma outra batalha começa a ser travada interna, mental.

Poderíamos ficar aqui durante longos parágrafos apontando vários itens de sucesso para esse grande filme. Há muita qualidade em tudo que é visto. Pena que o filme ainda não foi comprado por nenhuma distribuidora nacional, mesmo com elogios diversos mundialmente e alta nota do IMDB e outros sensores. É um projeto eficiente mas que passa desapercebido por nosso circuito por enquanto.
 

Postagens mais visitadas deste blog

Pausa para uma série: Absentia – 1ª Temporada

O desespero de uma nova vida dentro de uma mesma realidade. Protagonizada por Stana Katic ( Castle ), Absentia tem um dos roteiros mais complicados das séries de mistérios com tiro porrada e bomba da atualidade, mesmo assim coloca uma pulga atrás da orelha do espectador pois os episódios da primeira temporada parecem a todo tempo nos fazer várias perguntas que obviamente surgem entre em uma revelação e outra, deixando a icógnita se teremos respostas ao fim dessa jornada. Uma agente do FBI, um sumiço de anos, uma frenética volta ao convívio aos seus conhecidos e o paradigma das escolhas, isso tudo dento de um background de um assassino misterioso. Pra quem gosta de maratonar uma série com muitas surpresas, Absentia pode ser uma boa dica.  Tem na Amazon Prime . Nessa mistura de drama pessoal com suspense e ação, acompanhamos a trajetória de uma agente do FBI chamada Emily ( Stana Katic ) que sumiu por longos seis anos sem ninguém ter muita noção de seu paradeiro até que um certo...

Crítica do filme: 'De Sombra e Silêncio'

A cumplicidade em meio a um mar de descobertas. Diretamente de um país da Europa central com ótimas contribuições à sétima arte, a República tcheca (ou atualizado, Tchéquia), o longa-metragem De Sombra e Silêncio de forma objetiva e sem muita delonga transforma um segredo familiar em um pilar de acontecimentos surpreendentes  que rumam para o imprevisível. A vida do veterinário Martin ( Marian Mitas ) passou por uma enorme transformação após um acidente de trabalho, fato esse que o deixou em uma situação estável mas bastante limitada, sem falar e com sérios problemas. Para cuidar dele, a esposa Erika ( Jana Plodková ) entra logo num embate com a sogra Dana ( Milena Steinmasslová ), com quem nunca teve boa relação. Com a chegada de uma outra mulher nessa história, segredos do passado vai sendo passados a limpo culminando em uma série de situações surpreendentes. Umas das chaves do roteiro assinado - pelo também diretor da obra - Tomas Masin é gradativamente empilhar camadas em...

Crítica do filme: 'Criaturas do Farol'

As dúvidas sobre o canto da sereia. Se perdendo em alguns momentos entre os achismos que surgem naturalmente numa relação desconfiada entre duas pessoas que nunca se viram, o longa-metragem Criaturas do Farol é um peculiar suspense psicológico com poucas perguntas e também poucas respostas. O roteiro se fortalece em diálogos que nos guiam para uma jornada emocional e paranoias que prendem a atenção na maior parte do tempo mas não chegam a empolgar. Pensando em realizar um objetivo náutico, que remete lembranças ao pai e apoiada pelo avô, a jovem Emily ( Julia Goldani Telles ) parte com seu veleiro rumo às infinidades dos oceanos. Chegando no sul do pacífico, a embarcação é atingida por uma tempestade e acaba indo parar numa ilha onde é resgatada pelo faroleiro Ismael ( Demián Bichir ). Logo essa relação de gratidão passará por enormes desconfianças. Como contar uma história que está em uma bolha no campo das suposições? A tensão por meio do chocalhar psicológico se torna um corpul...